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Nacional Quinta-feira, 12 de Maio de 2016, 12:59 - A | A

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Impeachment

Segunda presidente afastada por impeachment, Dilma atua na política há 52 anos

Secretária municipal e estadual no RS, a petista foi ministra de Lula antes de ser eleita a primeira mulher presidente

Adriel Mattos
Capital News

Roberto Stuckert Filho/Presidência da República

Presidente Dilma Rousseff

Presidente da República, Dilma Rousseff (PT)

Dilma Vana Rousseff, de 68 anos, foi afastada da Presidência da República na manhã desta quinta-feira (12). Ela é a segunda chefe do Executivo afastada do cargo em processo de impeachment em 128 anos de república.

Mineira de Belo Horizonte, desde os 16 anos, ela milita na política. Com o golpe de 1964 e a instauração da ditadura militar no Brasil, Dilma entrou para a guerrilha contra o regime, chegando até ser presa e torturada. No fim da década de 1970, ajudou a fundar o PDT, ao lado de Leonel Brizola. Morando em Porto Alegre (RS), formou em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Em 1986, foi nomeada secretária municipal de Fazenda do então prefeito da capital gaúcha Alceu Collares. Após ser eleito governador do estado, em 1991, Collares nomeou Dilma secretária estadual de Energia, Minas e Comunicações. Ela foi reconduzida ao cargo em 1999 pelo então chefe do Executivo estadual Olívio Dutra.

No ano de 2001, Dilma deixa o PDT e se filia ao PT. No ano seguinte, integra a equipe de campanha do então candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eleito, Lula nomeou a petista como ministra de Minas e Energia e presidente do Conselho de Administração da estatal Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras).

Denunciado no esquema do mensalão, o então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, renunciou em 2005 e Dilma foi nomeada para o ministério mais importante do país. A então ministra comandou os programas Minha Casa, Minha Vida e Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Antes apontado como sucessor de Lula, Dirceu teve o mandato de deputado federal cassado e o PT ficou sem um nome para 2010. Surpreendendo a todos, o então presidente escolheu Dilma para concorrer à Presidência.

Roberto Stuckert Filho/Presidência da República

Temer, Dilma e Lula

Michel Temer, Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia de posse da petista em janeiro de 2011

Disputando com José Serra (PSDB), Dilma Rousseff foi eleita e se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente. Assumiu com um discurso contra a corrupção, chegando a demitir ministros sob suspeita. Nesse primeiro mandato, a popularidade da presidente alcançou a casa dos 80%.

Em março de 2014, o governo Dilma, ainda no primeiro mandato, foi abalado com o maior escândalo de corrupção desde o mensalão de 2005. A operação Lava Jato passou a investigar um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A campanha eleitoral daquele ano foi marcada por inúmeras denúncias Políticos e empresários foram envolvidos, levando a alguns deles a firmar acordo de colaboração premiada, revelando mais detalhes do esquema.

Com medidas controversas na economia, Dilma disputou a reeleição e venceu, em meio a um clima de instabilidade no Brasil. Pedidos de impeachment foram protocolados aos montes na Câmara dos Deputados depois de reassumir.

Ao tomar posse em 2015, ela foi obrigada a reconhecer a situação crítica da economia, levando a opinião pública a acreditar que Dilma mentiu durante a campanha de reeleição. Para sair da crise, ela propôs um ajuste fiscal, que foi criticado e pouco dele foi aprovado no Congresso Nacional.

Deurico/Arquivo Capital News

Delcídio do Amaral

Delcídio do Amaral

A presidente viu sua popularidade despencar para a casa de um dígito, chegando a 7%. No fim de 2015, Dilma assistiu seu líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral, ser preso no âmbito da Lava Jato.

Mais tarde, o político de Mato Grosso do Sul revelou à imprensa que agiu várias vezes a mando de Lula e Dilma. Após o acordo de colaboração premiada de Delcídio ser homologado, a presidente criticou o senador. “Provavelmente, pelo imoral e mesquinho desejo de vingança e de retaliação de quem não defendeu quem não poderia ser defendido pelos atos que praticou”, afirmou no dia em que seu antecessor na Presidência foi conduzido coercitivamente à Polícia Federal para prestar depoimento.

Depois, Dilma disse que Delcídio mentia. “As denúncias feitas pelo senador Delcídio do Amaral são absolutamente levianas, e sobretudo mentirosas”, disse. Em dezembro de 2015, a Câmara decidiu acolher o pedido de impeachment de Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal contra a presidente.

Roberto Stuckert Filho/Presidência da República

Com apoio e protestos, Dilma dá posse a Lula como ministro-chefe da Casa Civil

Posse de Lula foi suspensa logo após a cerimônia

Em meio à análise do processo na Câmara, Dilma nomeou Lula como ministro-chefe da Casa Civil, em março de 2016. Porém, minutos depois da cerimônia, a posse do ex-presidente foi suspensa pela Justiça.
Um dia antes, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato, autorizou a divulgação de um áudio, onde Dilma e Lula conversam por telefone sobre a volta do ex-presidente à Brasília. Com base nisso, a Procuradoria-Geral da República pediu ao STF a abertura de inquérito contra Dilma, Lula e o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo.

Depois de enfrentar questionamentos no Supremo Tribunal Federal (STF) e passar pela comissão especial, os deputados admitiram haver indícios suficientes para o impeachment, autorizando a abertura por 367 votos a favor e 137 contra. O impeachment foi para o Senado, onde passou também por uma comissão especial.

Por fim, em uma sessão que durou mais de 20 horas, os senadores autorizam a abertura do processo contra Dilma, por 55 votos a favor e 22 contra. Agora, a presidente afastada vai aguardar pelo menos seis meses para o Senado julgar o processo.


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