A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) encerra 2025 sob uma nova lógica de gestão. Em sete meses à frente da entidade, o presidente Samir Xaud, empossado em 25 de maio, conduziu uma série de mudanças consideradas estruturais e históricas, enfrentando temas sensíveis como calendário, arbitragem, sustentabilidade financeira e governança, com foco na modernização e no fortalecimento do futebol brasileiro em todas as suas esferas.
Desde o início do mandato, a gestão estabeleceu como prioridades a reorganização do calendário, o aperfeiçoamento da arbitragem e a implementação do fair play financeiro, pilares que começam a produzir efeitos a partir da temporada 2026. A diretriz central tem sido o diálogo permanente com clubes, federações, atletas e agentes do mercado, buscando soluções coletivas e maior transparência institucional.
Staff Images / CBF
Ricardo Gluck Paul, considera que a entrega do SSF é um marco histórico para a CBF e o futebol brasileiro
Fair Play Financeiro e sustentabilidade
Um dos marcos do período foi a apresentação do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) durante o Summit CBF Academy. A iniciativa estabelece limites para endividamento, gastos com elenco e equilíbrio operacional dos clubes, com implantação gradual a partir de 2026.
A fiscalização ficará a cargo da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão independente responsável por monitorar, julgar e, se necessário, aplicar sanções às agremiações que descumprirem as regras.
Novo calendário e fortalecimento das competições
No futebol masculino profissional, a CBF promoveu uma reformulação ampla do calendário nacional. Entre as principais mudanças estão:
Redução dos campeonatos estaduais de 16 para 11 datas;
Ampliação do número de clubes na Copa do Brasil;
Expansão da Série D a partir de 2026 e da Série C em 2027;
Criação da Copa Sul-Sudeste;
Reformulação da Copa Verde; com a retomada da Copa Norte e Criação da Copa Centro-Oeste.
Divulgação/CBF
Mascote da reformulada Copa Verde com a retomada da Copa Norte e a criação da Copa Centro-Oeste
O novo modelo prevê redução de até 15% no número de jogos dos clubes da Série A, aumento de 26% no número de clubes com divisão nacional, criação de 82 novas vagas em competições da CBF, investimento total de R$ 1,3 bilhão, crescimento de 11% na quantidade de jogos organizados pela entidade e participação das 27 federações estaduais em torneios regionais.
Futebol feminino em expansão
O futebol feminino recebeu atenção estratégica, especialmente no contexto da Copa do Mundo de 2027, que será sediada no Brasil. O calendário foi ampliado, com aumento de clubes, datas, vagas e premiações nas Séries A1, A2, A3 e na Copa do Brasil.
O pacote de mudanças representa R$ 685 milhões em investimentos, com crescimento de 41% no número de datas, 84% no total de partidas e 69% mais vagas no calendário nacional.
A gestão também implementou uma medida inédita no futebol mundial: atletas lactantes poderão viajar com seus filhos, com todos os custos custeados pela CBF.
Arbitragem e tecnologia
A entidade instituiu o Grupo de Trabalho de Arbitragem, reunindo clubes, federações, especialistas nacionais e internacionais e representantes de órgãos do futebol, com o objetivo de modernizar critérios e avançar na profissionalização da carreira.
Outra decisão relevante foi a confirmação do impedimento semiautomático na Série A e na Copa do Brasil nas temporadas de 2026 e 2027. A Comissão de Arbitragem também intensificou intertemporadas e programas de educação continuada, além do projeto Arbitragem Sem Fronteiras, que percorre estados em busca de novos talentos.
Rafael Ribeiro / CBF
Treinador da Seleção, Carlo Ancelotti, esteve presente no sorteio da Copa do Mundo de 2026
Seleções com autonomia e resultados nas categorias de base
Logo no início do mandato, Samir Xaud reforçou publicamente a autonomia do técnico Carlo Ancelotti e do diretor de seleções Rodrigo Caetano no comando da Seleção Brasileira.
Nas categorias de base, os resultados foram expressivos: títulos no Sul-Americano Sub-20, na Conmebol Liga Evolución Sub-15 (masculina e feminina) e campanhas históricas nos Mundiais Sub-17, com destaque para o quarto lugar da Seleção Feminina, o melhor de sua história.
Visibilidade, desenvolvimento e integridade
A CBF ampliou a exposição de suas competições com novos acordos de transmissão, incluindo torneios femininos, de base e a Série D. As Seleções também voltaram a ter partidas exibidas nos canais próprios da entidade.
No desenvolvimento estrutural, foram destravados os Centros de Desenvolvimento (CDs), com mais de R$ 20 milhões em investimentos. Em 2025, foram inauguradas unidades em Rondônia, Tocantins, Amapá, Sergipe e Santa Catarina.
A entidade ainda reformulou o projeto Gol do Brasil, voltado à educação e cidadania de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Expansão internacional e combate à manipulação
Visando ampliar a presença global da marca, a CBF inaugurou um escritório internacional em Miami, aproximando-se de mercados estratégicos, entidades internacionais e parceiros institucionais.
No campo da integridade, a CBF intensificou o combate à manipulação de resultados, apoiando a adesão do Brasil à Convenção de Macolin. O novo contrato com a Sportradar ampliou em 345% o número de partidas monitoradas. Também foram criados o Canal de Denúncias, programas de capacitação e ações educativas junto às Seleções.
Com um pacote robusto de reformas, investimentos e mudanças institucionais, a gestão Samir Xaud encerra 2025 consolidando um novo ciclo na CBF, com foco em governança, sustentabilidade e desenvolvimento do futebol brasileiro em todas as suas dimensões.
Cesar Grego Palmeiras
Flamengo e Palmeiras dividem a atenção dos clubes brasileiros nas competições Nacionais, Sul-Americana e no Mundial de Clubes
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