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Esporte Quinta-feira, 16 de Abril de 2026, 17:54 - A | A

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Temporada 2026

Cuiabá coleciona eliminações precoces nas competições, bastidores conturbados e início preocupante na Série B

Estrutura e CT de treinamento de elite no futebol brasileiro contrasta com crise esportiva e política no clube

Anderson Ramos Lino
Capital News

O início da temporada 2026 do Cuiabá Esporte Clube está longe de corresponder às expectativas criadas após anos de crescimento no cenário nacional. Em poucos meses, o clube acumulou eliminações precoces, perdeu protagonismo regional e passou a conviver com uma crise que vai além das quatro linhas.

O que se vê hoje é um cenário onde resultados esportivos negativos, decisões administrativas questionadas e turbulências internas caminham lado a lado — refletindo diretamente no desempenho da equipe.

Eliminações em sequência escancaram o momento crítico

A temporada do Dourado começou com um duro golpe no Campeonato Mato-grossense. Após anos de hegemonia estadual, o clube teve sua pior campanha desde 2010, terminando apenas na quinta colocação da fase inicial e sendo eliminado nas quartas de final pelo Sport Sinop.

A queda não apenas encerrou um ciclo vitorioso, mas também expôs um time irregular e distante do nível que o torcedor se acostumou a ver nos últimos anos.

Na sequência, veio mais uma frustração na Copa do Brasil. Assim como na temporada anterior, o Cuiabá caiu logo na estreia. Mesmo saindo na frente, a equipe cedeu o empate ao Santa Catarina Clube no último lance e acabou eliminada nos pênaltis por 5 a 4.

Copa Verde amplia vexame e evidencia falta de competitividade

A situação se agravou ainda mais na Copa Verde, onde o Cuiabá teve uma campanha abaixo das expectativas. Utilizando uma equipe alternativa, com forte presença de jogadores sub-20, o clube não conseguiu vencer na competição e acabou eliminado ainda na fase de grupos. A despedida veio com derrota por 3 a 2 para o Porto Vitória, em plena Várzea Grande.

O resultado reforçou a percepção de falta de planejamento esportivo e aumentou a pressão sobre a diretoria.

Divulgação/Cuiabá EC

Presidente do Cuiabá EC Cristiano Dresch

Presidente do Cuiabá Esporte Clube Cristiano Dresch

Crise de gestão e ambiente conturbado nos bastidores

Se dentro de campo os resultados não aparecem, fora dele o cenário é ainda mais delicado.

A gestão do presidente Cristiano Dresch passou a ser alvo de críticas intensas, especialmente após episódios de desgaste com a torcida. Um dos momentos mais marcantes foi quando o dirigente foi flagrado chamando torcedores de “vagabundos”, após a eliminação na Copa Centro-Oeste do grupo B, ampliando a crise de imagem do clube.

Além disso, o Cuiabá enfrenta reflexos de disputas internas envolvendo a família Dresch, que historicamente comandou o clube. Após a morte do fundador Manoel Dresch, divergências políticas e jurídicas passaram a interferir diretamente na gestão esportiva.

Perda de patrocinador simboliza ruptura interna

Um dos impactos mais visíveis dessa crise foi a saída da Drebor, patrocinadora máster histórica do clube.

Após mais de duas décadas de parceria, o rompimento não representou apenas uma perda financeira relevante, mas também um símbolo claro do rompimento interno que atingiu o clube.

Para o torcedor, a ausência da marca na camisa do Cuiabá foi a confirmação de que a estabilidade institucional havia sido quebrada.

Divulgação/Cuiabá EC

Centro de Treinamento do Cuiabá EC 2026

Novo centro de treinamento do Cuiabá EC teve investimentos de R$ 50 milhões, um dos mais modernos do Brasil

Contraste: estrutura de elite em meio ao caos

Curiosamente, o momento turbulento fora de campo contrasta com um avanço significativo na infraestrutura.

O clube concluiu recentemente o moderno CT Manoel Dresch, um dos mais completos do país, com investimento na casa dos R$ 50 milhões. O centro de treinamento conta com múltiplos campos, academia de alto nível, áreas de recuperação física e estrutura comparável a clubes da elite.

No entanto, o avanço estrutural não tem sido suficiente para compensar os problemas administrativos e esportivos.

Reflexo da queda e início preocupante na Série B

A crise atual também é consequência direta do rebaixamento na temporada 2024, quando o Cuiabá caiu pela primeira vez da Série A após quatro anos consecutivos na elite.

Em 2026, a missão principal é o retorno à primeira divisão através da Campeonato Brasileiro Série B. No entanto, o início da competição liga o sinal de alerta.

Com atuações abaixo do esperado e tropeços dentro da Arena Pantanal, o time ocupa a parte intermediária da tabela e ainda não demonstrou força suficiente para brigar pelo acesso.

Campo reflete crise da gestão

O momento vivido pelo Cuiabá reforça um velho conceito do futebol: o desempenho dentro de campo costuma ser reflexo direto da estabilidade fora dele.

A soma de decisões equivocadas, conflitos internos e perda de referências estruturais resultou em um time apático, vulnerável e sem identidade clara.

Para voltar a ser competitivo, o clube precisará mais do que ajustes táticos — será necessário reorganizar sua gestão, pacificar os bastidores e reconstruir a confiança.

Temporada exige reação imediata

Com eliminações acumuladas e pressão crescente, o Cuiabá entra no restante da temporada no Campeonato Brasileiro da Série B com um único objetivo claro: o acesso à Série A.

Mais do que uma meta esportiva, o retorno à elite representa a chance de recuperar prestígio, estabilidade financeira e credibilidade institucional do clube.

Secom/Governo MT

Arena Pantanal

Arena Pantanal recebe jogo do Cuiabá EC nas competições regionais e nacionais

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