O início da temporada 2026 do Cuiabá Esporte Clube está longe de corresponder às expectativas criadas após anos de crescimento no cenário nacional. Em poucos meses, o clube acumulou eliminações precoces, perdeu protagonismo regional e passou a conviver com uma crise que vai além das quatro linhas.
O que se vê hoje é um cenário onde resultados esportivos negativos, decisões administrativas questionadas e turbulências internas caminham lado a lado — refletindo diretamente no desempenho da equipe.
Eliminações em sequência escancaram o momento crítico
A temporada do Dourado começou com um duro golpe no Campeonato Mato-grossense. Após anos de hegemonia estadual, o clube teve sua pior campanha desde 2010, terminando apenas na quinta colocação da fase inicial e sendo eliminado nas quartas de final pelo Sport Sinop.
A queda não apenas encerrou um ciclo vitorioso, mas também expôs um time irregular e distante do nível que o torcedor se acostumou a ver nos últimos anos.
Na sequência, veio mais uma frustração na Copa do Brasil. Assim como na temporada anterior, o Cuiabá caiu logo na estreia. Mesmo saindo na frente, a equipe cedeu o empate ao Santa Catarina Clube no último lance e acabou eliminada nos pênaltis por 5 a 4.
Copa Verde amplia vexame e evidencia falta de competitividade
A situação se agravou ainda mais na Copa Verde, onde o Cuiabá teve uma campanha abaixo das expectativas. Utilizando uma equipe alternativa, com forte presença de jogadores sub-20, o clube não conseguiu vencer na competição e acabou eliminado ainda na fase de grupos. A despedida veio com derrota por 3 a 2 para o Porto Vitória, em plena Várzea Grande.
O resultado reforçou a percepção de falta de planejamento esportivo e aumentou a pressão sobre a diretoria.
Crise de gestão e ambiente conturbado nos bastidores
Se dentro de campo os resultados não aparecem, fora dele o cenário é ainda mais delicado.
A gestão do presidente Cristiano Dresch passou a ser alvo de críticas intensas, especialmente após episódios de desgaste com a torcida. Um dos momentos mais marcantes foi quando o dirigente foi flagrado chamando torcedores de “vagabundos”, após a eliminação na Copa Centro-Oeste do grupo B, ampliando a crise de imagem do clube.
Além disso, o Cuiabá enfrenta reflexos de disputas internas envolvendo a família Dresch, que historicamente comandou o clube. Após a morte do fundador Manoel Dresch, divergências políticas e jurídicas passaram a interferir diretamente na gestão esportiva.
Perda de patrocinador simboliza ruptura interna
Um dos impactos mais visíveis dessa crise foi a saída da Drebor, patrocinadora máster histórica do clube.
Após mais de duas décadas de parceria, o rompimento não representou apenas uma perda financeira relevante, mas também um símbolo claro do rompimento interno que atingiu o clube.
Para o torcedor, a ausência da marca na camisa do Cuiabá foi a confirmação de que a estabilidade institucional havia sido quebrada.
Divulgação/Cuiabá EC
Novo centro de treinamento do Cuiabá EC teve investimentos de R$ 50 milhões, um dos mais modernos do Brasil
Contraste: estrutura de elite em meio ao caos
Curiosamente, o momento turbulento fora de campo contrasta com um avanço significativo na infraestrutura.
O clube concluiu recentemente o moderno CT Manoel Dresch, um dos mais completos do país, com investimento na casa dos R$ 50 milhões. O centro de treinamento conta com múltiplos campos, academia de alto nível, áreas de recuperação física e estrutura comparável a clubes da elite.
No entanto, o avanço estrutural não tem sido suficiente para compensar os problemas administrativos e esportivos.
Reflexo da queda e início preocupante na Série B
A crise atual também é consequência direta do rebaixamento na temporada 2024, quando o Cuiabá caiu pela primeira vez da Série A após quatro anos consecutivos na elite.
Em 2026, a missão principal é o retorno à primeira divisão através da Campeonato Brasileiro Série B. No entanto, o início da competição liga o sinal de alerta.
Com atuações abaixo do esperado e tropeços dentro da Arena Pantanal, o time ocupa a parte intermediária da tabela e ainda não demonstrou força suficiente para brigar pelo acesso.
Campo reflete crise da gestão
O momento vivido pelo Cuiabá reforça um velho conceito do futebol: o desempenho dentro de campo costuma ser reflexo direto da estabilidade fora dele.
A soma de decisões equivocadas, conflitos internos e perda de referências estruturais resultou em um time apático, vulnerável e sem identidade clara.
Para voltar a ser competitivo, o clube precisará mais do que ajustes táticos — será necessário reorganizar sua gestão, pacificar os bastidores e reconstruir a confiança.
Temporada exige reação imediata
Com eliminações acumuladas e pressão crescente, o Cuiabá entra no restante da temporada no Campeonato Brasileiro da Série B com um único objetivo claro: o acesso à Série A.
Mais do que uma meta esportiva, o retorno à elite representa a chance de recuperar prestígio, estabilidade financeira e credibilidade institucional do clube.
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