A falta de estrutura e segurança nos estádios de Mato Grosso do Sul é um problema antigo, mas que pouco é solucionado. Laudos demorados, liberações em cima da hora e ausência de infraestrutura para receber mais público têm sido sentidos na pele de quem ainda frequenta os complexos esportivos do estado.
Neste final de semana, a torcida operariana vivenciou essa realidade durante o jogo de ida das finais do Campeonato Sul-Mato-Grossense, entre AA Bataguassu e Operário FC, no estádio municipal João Pereira de Souza, na região leste do estado.
O incidente começou com uma pequena confusão entre torcedores de ambas as equipes. Segundo relatos de torcedores que estiveram presentes na partida, a falta de planejamento de quem realizava a segurança quase resultou em tragédia.
“Estávamos torcendo e percebemos que a torcida do Bataguassu se aproximou da grade de divisão e começou a arremessar objetos. Estranhamos o comportamento, porque em Campo Grande nem garrafas plásticas entram no Jacques da Luz”, relatou torcedor operariano, Silvão Eduardo.
No momento da confusão, os policiais militares que realizava a segurança entrou no estádio e utilizou gás de pimenta, assustando os torcedores. Uma adolescente de 17 anos, filha do torcedor Cristiano Espindola, desmaiou nas arquibancadas e chegou a ter princípio de convulsão, sendo encaminhada ao hospital local.
“Eu e minha filha temos alergia à pimenta e, ao respirar o gás, passamos muito mal. Minha filha desmaiou, e ficamos apavorados. Saímos correndo do estádio em direção a uma farmácia e, no meio do caminho, encontramos uma enfermeira que nos orientou a procurar um hospital. Depois, seguimos direto para o Hospital Unimed, em Campo Grande. Só no dia seguinte ela recebeu alta”, relatou Cristiano.
O torcedor questionou o uso truculento de gás de pimenta por parte dos policiais. Segundo ele, a ação foi realizada pelo Batalhão de Choque:
“Não tenho nada a reclamar da Polícia Militar, que nos atendeu muito bem na cidade. O problema é o Batalhão de Choque entrar no estádio e sair soltando gás no meio do público. Por muita sorte, não terminou em tragédia o que deveria ser uma festa”, afirmou.
Falta de estrutura nos estadios de MS
A precariedade nos estádios do interior e da capital é um problema antigo. Segundo torcedores operarianos, a ausência de banheiros para a torcida visitante afasta famílias dos jogos, seja no interior do estado ou em Campo Grande.
“Como vou levar minha filha e minha esposa para o estádio se elas precisam usar banheiros químicos? Isso é inadmissível. Até em Campo Grande, a torcida visitante precisa usar banheiros químicos. O mínimo que precisa ter dentro de um estádio de futebol é estrutura para torcida visitante”, destacou Silvão Eduardo.
Falta de segurança
Além da infraestrutura, a segurança nos estádios é desigual. Enquanto em Campo Grande a fiscalização é rígida, no interior do estado tudo é liberado.
“Queria entender a regra de não entrar com garrafas. Em Corumbá, vemos pessoas com capacetes, bombas de tereré e garrafas pet. Aqui, na capital, não podemos nem uma tampa. No interior, parece que vale tudo”, disse Silvão Eduardo.
O torcedor Cristiano Espindola acrescentou que o risco é real e pode resultar em tragédias: “A única cidade com segurança para torcida é Dourados. Fora isso, falta tudo: banheiros, água, comida e estrutura para receber a torcida visitante. Em Corumbá, nosso ônibus foi apedrejado, e quase não conseguimos sair sem ferimentos. Lá, no estádio Arthur Marinho, falta tudo, até segurança. No interior, o torcedor pode tudo, mas em Campo Grande precisamos seguir regras. Isso é justo?”, questionou.
Em busca de respostas sobre o ocorrido em Bataguassu, a reportagem do Capital News entrou em contato com o Batalhão de Choque, que relatou desconhecer o caso e informou que irá apurar os fatos para entender se realmente teve participação do comando na segurança da partida e a possível atuação dos policiais.
Sobre a falta de segurança nos estádios e as regras que não estão sendo seguidas, a reportagem tentou contato com a assessoria de comunicação da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul, mas não obteve retorno até a publicação da matéria. O espaço segue aberto para manifestação sobre o caso.
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