A construção da futura fábrica de celulose da Arauco, em Inocência, alcançou nesta terça-feira (26) uma das etapas mais complexas do Projeto Sucuriú com a instalação do balão de vapor da caldeira de recuperação, equipamento considerado central para o funcionamento industrial da planta.
Com mais de 300 toneladas, o equivalente a cerca de 200 carros ou duas Estátuas da Liberdade, a estrutura foi içada a quase 100 metros de altura e instalada no topo da maior caldeira de recuperação do mundo voltada à produção de celulose.
Conhecido como o “coração” da fábrica, o balão de vapor é responsável pela separação entre água e vapor gerado na caldeira, etapa essencial para a produção de energia da unidade.
Segundo o diretor de Engenharia e Implantação do Projeto Sucuriú, Claudinei Santos, a estrutura terá capacidade para operar com mais de 2.400 toneladas de vapor por hora.
Após passar pelos superaquecedores, o vapor seco será direcionado às turbinas, onde calor e pressão serão convertidos em energia elétrica renovável. A expectativa é de geração superior a 400 megawatts, sendo metade consumida pela própria fábrica e o restante destinado ao Sistema Nacional.
A operação mobilizou centenas de trabalhadores, equipes especializadas e dois guindastes com capacidade para erguer até 750 toneladas.
O processo exigiu meses de planejamento, estudos técnicos e protocolos rigorosos de segurança, incluindo análises sobre peso, centro de gravidade, estabilidade da estrutura, velocidade de içamento, condições climáticas e resistência do solo.
A fornecedora da caldeira, a Valmet, também destacou a complexidade da operação. O vice-presidente executivo da empresa na América Latina, Celso Tacla, classificou a entrega da maior caldeira de recuperação do mundo como um desafio de alta tecnologia. O balão de vapor possui 32 metros de comprimento, 3,15 metros de largura e 3,81 metros de altura.
Fabricado na China, o equipamento chegou ao Projeto Sucuriú em março, após cerca de 45 dias de viagem internacional. Depois, percorreu o trajeto entre o Porto de Santos, em São Paulo, e Inocência, em Mato Grosso do Sul, em uma operação terrestre que durou 48 dias.
O Projeto Sucuriú marca a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil, com investimento estimado em US$ 4,6 bilhões. A fábrica terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas anuais de celulose de fibra curta.
Instalada em uma área de 3.500 hectares, a aproximadamente 50 quilômetros do centro de Inocência, a unidade tem previsão de iniciar as operações no fim de 2027.
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