Mato Grosso do Sul reafirmou sua força na piscicultura nacional ao consolidar-se como o 6º maior produtor de tilápia do país. Os dados, apresentados pela Semadesc durante a Expogrande, revelam que o estado vive um ciclo de expansão acelerada, impulsionado pela profissionalização e pela transição da pesca extrativa para a aquicultura controlada. O município de Selvíria desponta como o principal polo produtor estadual, com 9,71 mil toneladas, seguido por Mundo Novo e Dourados.
A tilápia tornou-se o grande carro-chefe do setor, representando quase 70% da produção nacional, que em 2025 ultrapassou a marca histórica de um milhão de toneladas. Segundo a economista Bruna Mendes Dias, da Semadesc, o peixe é hoje tratado como uma commodity global padronizada. "O mercado de pescado atravessa uma mudança estrutural clara. A tilápia hoje é uma commodity global, e o MS está pronto para essa demanda", destacou a especialista.
Um dos avanços mais significativos do estado foi a evolução no perfil das exportações. Se em 2017 o foco eram peixes frescos, em 2025 o Mato Grosso do Sul passou a exportar produtos de maior valor agregado, como filés congelados. O mercado norte-americano é o destino quase exclusivo dessa produção: os Estados Unidos absorveram 99,96% das exportações de tilápia do estado, gerando um faturamento superior a US$ 1,3 milhão em produtos processados.
Além da tilápia, o estado também se destaca na criação de outras espécies. Ponta Porã lidera a produção de pacu e patinga, colocando o MS na 6ª posição nacional nessa categoria. Já Rio Brilhante é o principal polo de pintado e cachara, onde o estado ocupa o 11º lugar no ranking brasileiro. No panorama geral da aquicultura, Mato Grosso do Sul aparece como o 13º maior produtor do país, evidenciando o potencial de crescimento em diversas frentes.
O futuro do setor, contudo, aponta para a industrialização. A tendência é que o lucro migre da produção primária para a agroindústria, atendendo a consumidores que buscam saúde e conveniência. "A oportunidade está na agroindústria. A margem de lucro do produtor dependerá cada vez mais da eficiência e da capacidade de agregar valor dentro da nossa própria cadeia produtiva", explicou Bruna Mendes Dias durante o evento.
Com a projeção de uma demanda extra de 735 mil toneladas de peixe até 2055, devido ao crescimento populacional, Mato Grosso do Sul prepara sua infraestrutura para ser um fornecedor global estratégico. O foco em tecnologia e produtos processados coloca o estado em vantagem competitiva para atender não apenas o mercado interno, mas também grandes blocos econômicos como a União Europeia e o Japão no futuro próximo.
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