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Agronegócio Domingo, 08 de Março de 2026, 16:56 - A | A

Domingo, 08 de Março de 2026, 16h:56 - A | A

Mato Grosso do Sul

Crédito rural em Mato Grosso do Sul cai 46% em fevereiro

Produtores priorizam custeio da safra diante de juros mais altos

Elaine Oliveira
Capital News

Mato Grosso do Sul registrou R$ 660 milhões em crédito rural em fevereiro de 2026, valor 46% menor que no mesmo período do ano passado. Apesar da queda anual, o montante representa aumento de 8% em relação a janeiro.

De acordo com boletim da Aprosoja/MS, elaborado com dados do Banco Central, o produtor tem buscado principalmente recursos para manter a safra em andamento. O custeio — utilizado para despesas com insumos, sementes, defensivos e demais custos da lavoura — representou 72% de todo o crédito contratado no mês.

Já as operações de investimento, que incluem compra de máquinas e melhorias na estrutura das propriedades, responderam por apenas 14% do total. As linhas destinadas à industrialização somaram 10% e à comercialização, 4%.

No acumulado desde julho de 2025, Mato Grosso do Sul já contratou R$ 9,5 bilhões em crédito rural, sendo R$ 6,3 bilhões destinados ao custeio da produção.

Segundo o analista de Economia da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, o cenário de juros elevados tem alterado o comportamento do produtor. “Com a situação atual, de juros mais altos, o produtor tem uma mudança de comportamento, buscando capital de giro para manter a lavoura e planejar as safras futuras”, avalia.

O levantamento aponta ainda que cerca de 82% das operações realizadas em fevereiro ocorreram fora de programas específicos, como Pronaf e Pronamp, o que indica maior exposição às taxas de juros de mercado. Essa condição pressiona as margens do produtor e exige maior controle do fluxo de caixa.

Programas voltados à modernização, como financiamentos para aquisição de máquinas e ampliação da armazenagem, praticamente não tiveram contratação no período.

Diante desse cenário, o planejamento financeiro e o controle de custos tornam-se ainda mais essenciais para o produtor, que tende a adotar maior cautela em decisões de investimento de longo prazo.

Preocupação nacional

A Aprosoja Brasil também demonstrou preocupação com a redução no acesso às linhas de crédito rural com juros subsidiados. Em nota, a entidade alerta que o encarecimento do crédito aumenta o custo de produção e reduz a capacidade de investimento no campo, impactando a competitividade do agronegócio brasileiro.

Outro ponto de atenção é o aumento da inadimplência. Em janeiro, o índice chegou a 7,3%, equivalente a R$ 43 bilhões — recorde histórico. Em dezembro, o índice era de 6,5%, enquanto em janeiro de 2025 estava em 2,7%. Nas linhas com recursos a juros livres, a inadimplência já alcança 13,5%.

Impacto no campo

Para o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, o momento exige cautela. “Quando o crédito fica mais caro, o produtor segura investimento e foca em manter a produção. Isso impacta na modernização das propriedades e tem efeito multiplicador, atingindo toda a cadeia, municípios e o comércio”, afirma.

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