As internas foram qualificadas dentro do próprio presídio em um curso de 30 dias e hoje 15% da mão-de-obra da confecção Agosto Uniformes é de presidiárias e ex-presidiárias. O projeto que recebeu o nome de “Vestindo a Liberdade” já qualificou dezenas de detentas para o corte e costura e é um auxílio a mais na ressocialização das presas que, segundo levantamento da Pastoral Carcerária, cumprem pena em 86% dos casos por tráfico de drogas.
De acordo com o proprietário da confecção, Edson Germano, a fábrica do presídio produz uma média de três mil peças de uniformes por mês e a idéia de aproveitar o trabalho de internas surgiu da falta de mão-de-obra qualificada para atuar na indústria têxtil, já que, em média 82%, dos trabalhadores do setor são preparados pelo próprio estabelecimento. “Como tínhamos que qualificar nossos empregados, pensamos em somar a isso a questão social, e colaborarmos com a ressocialização das detentas”, explica. “Entendemos que a violência não é um problema que deve ser resolvido só pela polícia, todos podemos colaborar, e a contribuição da nossa empresa é o oferecimento de trabalho”, completa.
Na opinião do diretor-presidente da Agepen, Deusdete de Souza Oliveira, histórias de transformação como as das internas que trabalham na Agosto Uniformes poderiam ser muito mais constantes se ainda não houvesse tanta resistência por parte da sociedade em geral no oferecimento de empregos a internos no Estado.
Para Oliveira, só garantir o cumprimento da pena não basta, é necessário que sejam fornecidos mecanismos que realmente ressocializam, como o trabalho e a educação profissional. “É preciso que os empresários percebam que ao dar oportunidade de trabalho a um interno de qualquer regime – fechado ou não – toda a população é beneficiada, tendo em vista que a probabilidade de reincidência daquele indivíduo reduz significativamente”, ressalta.
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