Cerca de 90% dos 1.080 funcionários da Enersul aderiram nesta terça-feira (17) à paralisação de 48 horas como forma de protesto contra possíveis demissões após a compra da Enersul pelo grupo Energisa. A categoria reivindica a assinatura de um termo para garantir que os postos de trabalho de manutenção no Estado não sejam fechados.
Segundo a diretora financeira do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria e Comércio de Energia de Mato Grosso do Sul (Sinergia MS), Elizete Filgueira de Almeida, os interventores da Enersul não querem avançar no texto que dispõe sobre os postos de trabalho de manutenção no Estado. Elizete informou que a proposta da empresa que deve comprar a Enersul é o desativar os postos e terceirizar a manutenção, o que, segundo ela, prejudica a prestação de serviços para a população.
“A terceirização apresenta uma rotatividade muito grande e quem arca com os prejuízos é a população”, disse Elizete. A diretora financeira observou que a Energiza irá utilizar a mesma forma de compartilhamento do grupo Rede, que faliu. “Querem tirar o trabalho no Estado e levar para outro estado, e isso afeta na economia local”, ressaltou Elizete.
Hoje de manhã, servidores da Enersul, estão em frente ao Centro de Operações da Enersul, na avenida Gury Marques, e a agência da rua Calógeras também está fechada. Elizete, de 50 anos, funcionária da Enersul há 30 anos afirmou que muitos dos funcionários ajudaram a construir a empresa no Estado. “Tem muita gente antiga na Enersul, não queremos ver aquilo que ajudamos a construir acabar dessa forma”, disse a funcionária.
Segundo ela, os funcionários não são contra a venda, mas discordam do modelo de terceirização proposta pela futura compradora. A diretora financeira disse ainda que a categoria irá se reunir amanhã em Assembleia para deliberar se a paralisação terá continuidade.
A assessoria da Enersul afirmou que a empresa fez contraproposta e aguarda deliberação da categoria, e que no momento, a prioridade é manter o atendimento à população sem alteração nesta terça-feira.

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Foto: Renan Kubota/DiárioDigital.com.br
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