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Cotidiano Quarta-feira, 21 de Março de 2018, 16:55 - A | A

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Contra o tráfico

Seis em cada 10 brasileiros apoiam fechamento da fronteira com o Paraguai

Pesquisa DataFolha confirma entendimento do governo do Estado sobre segurança pública

Flávio Brito
Capital News

Arquivo Sejusp/MS

Seis em cada 10 brasileiros apoia fechamento da fronteira com o Paraguai

Reinaldo questiona sobre o Núcleo de Inteligência da Fronteira, o aumento dos efetivos da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional

Pesquisa realizada pelo instituto Datafolha revela que 62% dos entrevistados apoia a tese do fechamento das fronteiras entre Brasil e Paraguai para combater o contrabando de cigarros oriundo daquele país. A pesquisa, realizada entre 5 a 8 de fevereiro com 2.081 pessoas, revela ainda que 86% dos entrevistados não votariam em um candidato a presidente que se recusasse o combater o contrabando e que 38% defendem que o presidente eleito no Brasil anuncie o rompimento das relações comerciais com o Paraguai. O conteúdo da pesquisa foi distribuído pela PR Newswire, empresa de comunicação corporativa e cita o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO).

 

Na opinião do governador de Mato Grosso do Sul, a repressão aos crimes nos grandes centros, como no Rio de Janeiro, tem sido inócua, porque “as portas na fronteira estão escancaradas”. Por causa das dificuldades de fiscalização, segundo Reinaldo Azambuja, Mato Grosso do Sul tem sido corredor do narcotráfico e contrabando. “O problema das fronteiras é nacional e o Estado não consegue, sozinho, combater todas as ações que estimulam a escalada da violência nos grandes centros. Como é o caso das drogas e armas que entram por nossas fronteiras”.

 

Os entrevistados relacionam a violência e insegurança no Brasil com o contrabando paraguaio: 86% concordam com a tese de que os cigarros contrabandeados incentivam o crime organizado e o tráfico de drogas e armas – dois dos principais problemas enfrentados no Rio de Janeiro, estado sob intervenção federal em função da onda de violência dos últimos meses. s.

 

As soluções para o problema, na visão dos entrevistados, passam por três medidas principais: mais investimentos nas ações de segurança nas fronteiras, indicada por 74%, adoção de penas mais duras para o crime de contrabando (64%) e mais investimentos para as ações de combate ao mercado ilegal (57%). 

 

Outra questão abordada foi a consequência tributária do contrabando de cigarros. Para 86%, o produto contrabandeado reduz a arrecadação de impostos, provocando perda de oportunidades de empregos e geração de renda. Questionados sobre a área mais prejudicada pela perda de impostos, 92% dos entrevistados indicaram a Saúde. 

 

Além da defesa de que o presidente brasileiro eleito neste ano feche a fronteira com o Paraguai, 54% dos entrevistados defendem a redução de impostos para o produto no Brasil, a fim de reestabelecer a competitividade com o cigarro contrabandeado: atualmente, a carga tributária para produtos com tabaco parte de 71% no Brasil, ao passo que no Paraguai é de apenas 16%. 

 

Arquivo-Sejusp/MS

Seis em cada 10 brasileiros apoia fechamento da fronteira com o Paraguai

Governador diz que apenas a polícia do Estado não consegue vigiar 600 km de fronteira

600 KM de fronteira

Segundo as forças de segurança, o contrabando ajuda a financiar o crime organizado e a fronteira em MS está mais vulnerável em razão da extensão e característica geográfica. Apenas uma linha imaginária divide o MS do Paraguai. É uma fronteira seca, de aproximadamente 600 quilômetros, sem barreira física ou obstáculo natural, como rios e matas.

 

Embora MS faça fronteira também com a Bolívia, de onde sai a cocaína, o problema do tráfico é maior na fronteira de Ponta Porã, afirma o governo do Estado. As barreiras físicas e naturais na fronteira com a Bolívia provocaram a migração de traficantes de cocaína para rotas que passam pelo Paraguai. De qualquer forma, O Estado tem sido o corredor do tráfico de cocaína da Bolívia e maconha do Paraguai, além do contrabando de mercadorias e cigarros, que nos últimos três anos provocou prejuízo de R$ 350 bilhões ao país.

 

Vontade política

O governador Reinaldo Azambuja comentou na manhã desta quarta-feira (21.3) que a pesquisa DataFolha reflete a vontade da população brasileira. “A intervenção no Rio de Janeiro é uma consequência, a causa está aqui, se não blindarmos a fronteira e fortalecer o policiamento, vamos perder a guerra para a facções criminosas. Essa já não é mais uma prioridade só de Mato Grosso do Sul, mas do Brasil inteiro”.

 

Para Reinaldo Azambuja, “falta vontade política” para um combate mais efetivo do crime organizado na fronteira. “Cadê o Núcleo de Inteligência da Fronteira, o aumento dos efetivos da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional? Não adianta fazer reunião e não decidir nada. Quatro ministros da Justiça prometeram o Núcleo de Inteligência e não aconteceu nada. Não houve vontade política para a intervenção no Rio de Janeiro? Hoje quem faz a vigilância da fronteira é a polícia estadual”, disse o governador.

 

O governador ressalta que o fechamento da fronteira defendido por ele diz respeito ao combate ao crime, com o destacamento de maiores contingentes de agentes federais, policiais da Força Nacional e militares das Forças Armadas, com ações no âmbito da segurança, podendo se estabelecer acordos e troca de informações pelos serviços de inteligência, cooperação que já é feita com autoridades bolivianas no combate ao crime na fronteira de Corumbá. O governo do Estado não é favorável ao rompimento das relações comerciais, como é mencionado na pesquisa. 

 

De acordo com a Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, em seis anos, de 2012 a 2017, as apreensões de drogas pelas forças policiais do Estado saltaram de 87 toneladas para 427 toneladas. O número de presos, incluindo sentenciados por tráfico de armas e outros crimes transnacionais, chegou a 7.246, elevando a população carcerária para 16.224 presos que cumprem pena em um sistema penitenciário com capacidade para 7.327 condenados. Cerca de 40% dos presos custeados pelo Estado foram sentenciados por crimes federais. Essa massa carcerária custa a Mato Grosso do Sul R$ 10,6 milhões ao mês. São R$ 127,3 milhões ao ano.

 

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