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Saúde e Bem Estar Domingo, 10 de Maio de 2026, 09:46 - A | A

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Cuidados

Saúde do homem: especialista alerta para sinais que costumam ser ignorados

Resistência em buscar atendimento faz homens viverem menos e aumentarem riscos de doenças graves

Elaine Oliveira
Capital News

Quando o assunto é saúde do homem, o alerta vai além das campanhas de conscientização e esbarra em comportamento, cultura e silêncio. Os números reforçam esse cenário: no Brasil, os homens vivem, em média, cinco anos a menos do que as mulheres, procuram menos atendimento médico e morrem mais cedo por causas evitáveis, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Informações da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) mostram que enquanto 82,3% das mulheres buscam atendimento médico regularmente, entre os homens esse índice cai para 69,4%.

Para o médico urologista Dr. Henrique Coelho, o problema não está na falta de informação, mas na forma como muitos homens foram ensinados a lidar com a própria saúde.

“O homem foi condicionado a suportar, a minimizar sintomas e a procurar ajuda apenas quando não dá mais para ignorar. O problema é que o corpo fala antes e quem não escuta, chega tarde”, afirma.

Segundo o especialista, existem sinais que costumam ser negligenciados e que podem indicar desde problemas simples até doenças graves. Entre os principais alertas estão alterações urinárias, como dor, ardência ou dificuldade para urinar.

Divulgação

Henrique Rodrigues Scherer

Henrique Coelho

“Esse é um dos primeiros sinais de que algo não está bem. Pode parecer banal, mas pode estar relacionado a infecções, alterações na próstata ou doenças mais sérias”, explica.

Outro sintoma que exige atenção imediata é a presença de sangue na urina ou no sêmen.

“Nunca deve ser considerado normal. É um sintoma que precisa de investigação rápida, porque pode estar ligado a inflamações, infecções ou até tumores”, destaca.

As dores persistentes na região lombar ou pélvica também entram na lista de sinais frequentemente ignorados.

“Muitos homens associam essa dor ao cansaço ou esforço físico, mas ela pode indicar problemas renais ou outras condições que exigem diagnóstico”, pontua.

O médico também chama atenção para o cansaço excessivo e a queda de energia, frequentemente tratados como consequência natural da rotina.

“Nem sempre é apenas desgaste. Pode estar relacionado a alterações hormonais, como a baixa testosterona, ou a doenças crônicas que precisam de acompanhamento”, alerta.

Já coceiras e irritações na região íntima também não devem ser negligenciadas.

“Pode ser algo simples, como uma alergia, mas também pode indicar infecções ou até infecções sexualmente transmissíveis. Ignorar é sempre o pior caminho”, reforça.

Para Dr. Henrique Coelho, o principal problema está no tempo que muitos homens levam para buscar ajuda médica.

“O problema não é só o que o corpo manifesta, mas o quanto se demora para agir. Diagnóstico precoce significa tratamento mais simples, menos invasivo e com mais chances de sucesso”, explica.

Além da saúde física, o especialista alerta para a importância dos cuidados com a saúde mental masculina.

“Muitos homens não falam sobre o que sentem, acumulam pressão, estresse e sofrimento emocional. Isso impacta diretamente o organismo e pode desencadear ou agravar doenças”, afirma.

Ao falar sobre prevenção, o médico defende uma mudança cultural na forma como os homens enxergam o autocuidado.

“Cuidar da própria saúde não é fragilidade, é maturidade. O homem que se conhece, se observa e busca ajuda no momento certo tem mais qualidade de vida e longevidade. A prevenção começa na decisão de não ignorar os sinais”, conclui.

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