Trabalhos de revitalização da esplanada da antiga estação ferroviária de Campo Grande têm início pela retirada do telhado dos estabelecimentos da região onde era o pátio de embarque e desembarque. As obras completas, segundo a Prefeitura, devem durar cerca de 7 meses.
O espaço está tombado como patrimônio histórico/cultural pelos governos municipal, do Estado e Federal. O último concedeu ao Poder Público local aproximadamente R$ 2,6 milhões para restauração, via Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas.
Além disso, a Esplanada ainda consta no Plano de Revitalização do Centro, projeto do Executivo Municipal, transformado em lei complementar (161, de 20 de julho 2010).
Conforme a assessoria, o texto do projeto e as obras em andamento têm o objetivo fundamental de manter as características arquitetônicas, mas, trazer funcionalidade atual ao estabelecimento, visando à garantia da preservação histórica em conjunto com o desenvolvimento econômico, social e cultural da região.
O local terá setor de lazer cultural que se destinará à valorização da cultura da Cidade Morena, diversão e interação do visitante.
Cidade Morena cresceu com ajuda do trem
Maria Fumaça era como se chamava os antigos trens com funcionamento a vapor. Os trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil foram fundamentais para o crescimento econômico e populacional de Campo Grande.
Os negócios que se faziam por conta do trem (seja pela chegada de mercadorias ou das pessoas que viriam a se instalar na cidade), o equipamento induziu a urbanização, influenciou os traçados da cidade e a ocupação do espaço nas proximidades da linha férrea.
Todavia, a cidade cresceu demais e os governantes – baseados em técnicos – não viram mais espaço para os trilhos em meio ao trânsito de carros, motos, ônibus e às construções cada vez maiores. Os trilhos deixaram de ser meios para os trens. Entretanto, a memória de que Campo Grande começou a crescer como cidade ali, se manteve e se pretende repassar aos próximos – por conta disso, os projetos apresentados.
Os estudos que contribuíram para planejar a restauração do prédio da Estação Ferroviária foram feitos em abril e maio pelos técnicos do Instituto Municipal de Planejamento Urbano Planurb), Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação (Seintrha), Fundação Municipal de Cultura (Fundac) e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Confira as modificações a serem realizadas, conforme lista divulgada pela Prefeitura
As pesquisas, estudos e projetos foram conduzidos pelos arquitetos Zuleide Higa e Marcelo Oliveira, da Seintrha, Ellen Rodovalho, da Fundac (Fundação Municipal de Cultura) e Clara Kohl, do Planurb.
- Telhado: As alterações feitas no prédio foram provocando problemas de infiltrações e excesso de calhas. A solução encontrada foi o retorno da cobertura da década de 1930, eliminando paredes e telhados, voltando ao pátio original.
- Fachada: Na fachada atual, observa-se a presença de aberturas acrescentadas posteriormente. As janelas, por exemplo, cortam a ornamentação horizontal em relevo e destoam das demais. O projeto apresenta a opção de retornar ao modelo de janela da década de 1970
- O prédio, hoje, conta com porta mais baixa que a abertura emoldurada, tendo o vão preenchido. As demais portas emolduradas servem de modelo, permitindo o retorno desta abertura ao padrão estético original.
- Constata-se, comprovadamente, por testemunho e evidências, que as aberturas diversas na fachada da plataforma foram feitas mais recentemente, provavelmente nas décadas de 1980 e 1990 e que são de qualidade técnica e plástica inferiores às demais aberturas. Propõe-se a remoção destas aberturas.
- As aberturas dos guichês da bilheteria foram alteradas, diminuindo o número de quatro para três, sem cuidado estético, tornaram-se quadradas e suas dimensões foram modificadas, além da introdução de grades de ferro. Pretende-se restabelecer a idéia original, comprovada por foto (veja fotografia).
- Só o uso social contínuo é capaz de preservar o monumento. Em razão deste pensamento é que se propõe a diversidade de usos para o local. A intenção é atrair o público com atividades que façam parte do seu dia-a-dia, como buscar diversão em alguma programação cultural, ir a uma feira, encontrar os amigos no bar, e funcionar também como uma estação de embarque e desembarque. Aliado a este uso contínuo, propõe-se o acesso ao conhecimento da memória ferroviária e a participação da comunidade de sua preservação.
Por: Marcelo Eduardo – (www.capitalnews.com.br)
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