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Cotidiano Segunda-feira, 19 de Agosto de 2013, 12:11 - A | A

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Moradores da favela Cidade de Deus procuram prefeito e denunciam sobre ameaças de líder comunitária

Samira Ayub - (www.capitalnews.com.br)

Moradores da favela Cidade de Deus II, atrás do aterro sanitário Dom Antônio Barbosa, em Campo Grande, realizaram um protesto na manhã desta segunda-feira (19) em frente à prefeitura municipal. Cerca de 50 moradores denunciaram ao prefeito que algumas pessoas que se instalaram nos barracões já têm casa e que estariam sofrendo ameaças por parte da líder comunitária. Sobrou até mesmo para Bernal, já que uma das ameaças é de que ele iria derrubar os barracos.

O chefe do executivo municipal, Alcides Bernal (PP), recebeu os moradores na sala de reuniões de seu gabinete, para ouvir as reivindicações dos moradores, e ficou surpreso ao saber que uma das ameaças sofridas pelos moradores era a de que ele iria derrubar os barracos. No grupo havia homens, mulheres e crianças, e aconteceu uma comoção geral quando uma das mulheres começou a relatar ao prefeito as ameaças que sofrem.

Chorando muito, uma das moradoras, de 28 anos, que por segurança pediu para não ser identificada informou ao prefeito, acompanhado pelo ouvidor-geral do município, Ulisses Duarte, que moradores da favela juntaram as poucas economias que têm para fretar um ônibus que levaria para a prefeitura. A ideia era chamar a atenção do prefeito para viabilizar o andamento dos processos na Empresa Municipal de Habitação (Emha), já que não aguentam mais viver nos barracos e também não têm condições de pagar aluguel.

Ao ver a manifestação, o prefeito pediu que o grupo fosse encaminhado para a sala de reuniões para saber suas reivindicações. Denise, contou a Bernal que o grupo já está há oito meses na favela Cidade de Deus II, e que a líder comunitária, identificada apenas como Vera Lúcia estaria ameaçando algumas pessoas do local, caso, elas procurassem a prefeitura ou a Defensoria Pública. Uma das ameaças era de que o prefeito iria derrubar os barracos.

Outros moradores afirmaram que as ameaçavas ocorrem com frequência, e denunciaram que a líder comunitária, Vera Lúcia, teria cobrado de cada morador o valor de R$ 50,00 mensais, para pagar um advogado que iria verificar o processo na Emha. Mas, segundo eles, o advogado, identificado apenas como Flávio, teria anotado algumas informações dos moradores.

Entre as denúncias que os moradores afirmaram, está de que dos 800 barracos existentes na favela, apenas 200 são de famílias que realmente precisam. Segundo outro morador, são pessoas que possuem carros, motocicletas, e que até mesmo, já têm moradia em outro lugar. “Muitos aparecem só de noite, vão de carro mesmo, e deixam televisão ou rádio ligados, para dar a impressão de que tem gente lá”, contou uma moradora.

Rodrigo Garcia de Souza, de 27 anos, servente, pai de um filho de um ano e meio e de um bebê de dois meses, também estava no grupo, e contou que eles não aguentam mais viver nos barracos. “Quando faz frio, a gente passa muito frio, a lona não segura o vento. E tem muita sujeira, poeira, por causa do lixão”, afirmou Rodrigo que está há seis meses no local. “Antes eu morava na vila Nha-nhá, mas pagava R$ 350,00 de aluguel, mais água, luz, e comida. Não tinha como continuar ali”, disse o servente.

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Rodrigo Garcia afirmou que não aguenta mais viver no barraco, por outro lado, pagar aluguel é inviável para ele e sua famílias
Foto: Rafael Gaijim / Capital News

Bernal conversou e acalmou o grupo afirmando que a prefeitura irá dar moradia para quem precisa. “Avisem que as pessoas não tenham receio, eu não vou mandar passar trator coisa nenhum em barraco de quem quer que seja, mas aquelas que não precisam, esses podem sair fora porque eu não vou arrumar casa para eles”, afirmou o chefe do executivo municipal.

Durante a reunião, Bernal solicitou que uma equipe da ouvidoria levantasse informações para iniciar um estudo técnico social. “São pessoas que estão aguardando há mais de seis anos e que entendem que eu estou apenas há sete meses e meio na prefeitura. Vamos fazer um levantamento técnico social para beneficiar quem, de fato, precisa.Elas podem sair daqui certas de quem podem contar com as casas”, garantiu Bernal, que avisou, “agora, os que querem criar uma indústria de invasão, vai se dar mal”.

O chefe do executivo municipal garantiu que ainda nesta semana equipes da prefeitura irão até a favela para levantar informações e iniciar com o processo da entrega de casas. “São pessoas sofridas que precisam do amparo do poder público, mas ao mesmo tempo, vieram denunciar que há pessoas mal intencionadas, se aproveitando da miséria, ganhando dinheiro a custas dessas pessoas, cobrando R$ 50,00 e incentivando invasão”, afirmou Bernal.

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Prefeito garante que moradores que precisam de casa terão moradia
Foto: Rafael Gaijim / Capital News

Segundo Bernal, a prefeitura dispõe de alguns conjuntos habitacionais que estão em construção e que para o ano que vem outras unidades serão construídas.

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Cerca de 800 barracos compõem a favela Cidade de Deus, atrás do lixão
Foto: Rafael Gaijim / Capital News

 

 

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