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Meio Ambiente Segunda-feira, 20 de Abril de 2026, 17:25 - A | A

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Acidente

Onça-pintada morre atropelada na BR-262 e tem material genético colhido

A ocorrência reforça o perigo constante enfrentado pela Panthera onca em Mato Grosso do Sul, onde o deslocamento noturno para alimentação e reprodução cruza com o asfalto

Viviane Freitas
Capital News

Reprodução/Reprocon

Onça-pintada morre atropelada na BR-262 e tem material genético colhido

A ocorrência reforça o perigo constante enfrentado pela Panthera onca em Mato Grosso do Sul, onde o deslocamento noturno para alimentação e reprodução cruza com o asfalto

O cenário de biodiversidade da rodovia BR-262, entre Miranda e Corumbá, foi palco de mais uma tragédia ambiental neste sábado (18). Uma onça-pintada adulta morreu após ser atropelada em um trecho conhecido pelo intenso fluxo de fauna silvestre no Pantanal. "O animal foi flagrado se arrastando pela rodovia pelo motorista", relatou a Polícia Militar Ambiental (PMA), que recebeu o vídeo dos últimos momentos de vida do felino antes de mobilizar o resgate emergencial para o local.

Apesar da rapidez no deslocamento das equipes e da presença do médico veterinário Gediendson Ribeiro, representante da Rede de Proteção e Conservação da Onça-Pintada (Reprocon), o animal já estava sem vida quando o socorro chegou. A perícia técnica confirmou que os ferimentos eram compatíveis com um impacto de alto padrão causado por automóvel. A ocorrência reforça o perigo constante enfrentado pela Panthera onca em Mato Grosso do Sul, onde o deslocamento noturno para alimentação e reprodução cruza com o asfalto.

Embora a vida do animal tenha sido perdida, especialistas da Reprocon realizaram um procedimento científico crucial para o futuro da espécie. Fragmentos de pele foram coletados para o isolamento de células vivas e preservação do patrimônio genético no biobanco da instituição. Essa medida é fundamental para tecnologias reprodutivas assistidas, garantindo que a carga genética desse indivíduo não desapareça por completo e possa auxiliar em futuras estratégias de conservação em MS.

A Reprocon alerta, no entanto, que a ciência não substitui a necessidade de infraestrutura segura nas estradas sul-mato-grossenses. Para o doutor Gediendson Ribeiro, o caso exige uma "mitigação urgente, com faixas de contenção, passagens de fauna e radares". A organização argumenta que a coleta de DNA é uma medida extrema de resguardo, mas que a solução definitiva passa pelo controle da velocidade e por engenharia rodoviária que respeite os corredores biológicos pantaneiros.

A PMA aproveitou o episódio para reforçar as orientações aos condutores que trafegam pelas rodovias do estado. A recomendação é o uso rigoroso da direção defensiva e o respeito aos limites de velocidade, especialmente durante a noite, quando a visibilidade é reduzida e a fauna está mais ativa. "A atenção redobrada dos condutores ao trafegarem na rodovia" é apontada como a única forma imediata de evitar que mais ícones da fauna brasileira terminem como estatísticas de atropelamento.

Em casos de avistamento de animais feridos ou caídos na pista, a orientação oficial é nunca tentar o manejo por conta própria. A população deve acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190 ou entrar em contato direto com a sede da PMA em Campo Grande. O contato rápido com as autoridades competentes é o que define a chance de sobrevivência de um animal silvestre e a correta destinação técnica dos restos mortais para fins de estudo e preservação ambiental.

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