Cerca de 1500 trabalhadores já ocupam a Praça do Rádio Clube na manhã desta quinta-feira (11), para a manifestação que deverá sair pelas ruas de Campo Grande. São várias categorias que se reúnem para reivindicar melhores condições de trabalho.
Trabalhadores ligados à Central Única de Trabalhadores (CUT), União Geral de Trabalhadores (UGT), Força Sindical, Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), além de movimentos sociais como comunidades indígenas, quilombolas e Direitos Humanos também estão presentes na manifestação.
Integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) fazem uma passeata até a praça do Rádio Clube. Trabalhadores de diversos municípios do Estado, dos Correios, bancários, eletrecitários, que são terceirizados da Enersul, protestam contra o Projeto de Lei 430, de autoria do deputado federal Sandro Mabel (PMDB/GO) que dispõe sobre o contrato de prestação de serviços a terceiros e prevê a ampliação da terceirização de serviços no país, e que segundo, a CUT, beneficia empresários e fragiliza os direitos de trabalhadores no país.

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Foto: Rafael Gaijim/Capital News
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria e Comércio de Energia de Mato Grosso do Sul (Sinergia/MS), Elvio Marques Vargas, usou o carro de som, para se pronunciar a respeito do PL 430. Segundo Vargas, a terceirização como acontece no Estado não beneficia os trabalhadores, uma vez que são contratados por uma empresa que prestam serviços para a Enersul, e quando essa empresa atrasa salários, a Enersul que usufrui dos serviços prestados não tem nenhuma responsabilidade.
Para Elvio Vargas, isso gera a precarização de relação de trabalho. O presidente do Sinergia/MS ressaltou ainda, que servidores terceirizados sofrem mais com problemas de saúde e são os que mais morrem em acidentes de trabalho.
O secretário do Sindicato Geral dos Bancários de Campo Grande, Edvaldo Barros, colocou como principal debate a PL 430. Segundo Barros, atualmente apenas segurança e serviços de limpeza são terceirizados nos bancos, mas com a aprovação do projeto de lei, todos os funcionários poderiam ser terceirizados, como caixas e gerentes, e com isso, não haveria necessidade de concursos públicos para provimento desses cargos.

Edivaldo afirma que com a possível terceirização novos bancários poderiam ter 25% do salários reduzidos
Foto: Rafael Gaijim/Capital News
Barros alerta para o fato de que o terceirizado recebe 25% a menos que um trabalhador concursado, e que a aprovação da lei resultaria em perda salarial. Erickson Pinho, portador de necessidade especiais, e é bancário há nove anos observou que com a terceirização, os trabalhadores deficientes podem ser prejudicados, por que hoje existe a garantia de cotas para a categoria, e tem receio de que com a terceirização, os primeiros a serem demitidos das empresas sejam os portadores de necessidades especiais, que produzem da mesma forma que demais trabalhadores.

Erickson Pinho teme pelo fim da cota de deficientes nos serviços bancários
Foto: Rafael Gaijim/Capital News
O PL 430 deveria ser votado nesta quarta-feira, mas com a onda de manifestações foi adiada para agosto.
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