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Cotidiano Quinta-feira, 08 de Outubro de 2015, 11:37 - A | A

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Indigénas

Lideranças indígena se reúne na Assembleia pedindo fim dos conflitos

Cimi afirma que últimos 12 anos 390 indígenas foram assassinatos em Mato Grosso do Sul

João Gabriel Vilalba
Capital News
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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul abriu as portas no final da tarde desta quarta-feira (7/10) para um ato ecumênico realizado por diversas entidades que apoiam a causa indígena. Sentados em círculo, os povos indígenas Guarani-Kaiowá rezaram e pediram as demarcações de terras para o fim dos conflitos com os proprietários rurais na região de Antônio João.

O presidente nacional do Conselho Missionário Indigenista (Cimi), Roque Paloschi, esteve presente no ato e falou que a entidade não se abala com a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga sua atuação, mas que a vê como uma oportunidade para que o mundo conheça a real situação indígena no Estado.
“Não temos nada a esconder. Pelo contrário, é uma chance de mostrarmos o sofrimento destes povos, aos quais nós apenas levamos a solidariedade por meio da fé. Queremos que ela abra caminho para uma investigação quanto às mortes indígenas. É fácil criminalizar um povo oprimido em uma sociedade opressora”, criticou o religioso.

Ainda segundo Paloschi, o Cimi contabiliza que nos últimos 12 anos 390 indígenas foram assassinatos em Mato Grosso do Sul e mais de 600 cometeram suicídio. “Até hoje não vimos ninguém ser preso. Não há sequer um canal de diálogo. Queremos uma CPI para investigar essas mortes”, afirmou Romi Bencke, do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs.
 
Com cartazes pedindo CPI do Genocídio, indígenas contaram sobre a insegurança nas aldeias e negaram que o Cimi influencie nos conflitos agrários que, no entendimento deles, deve ser considerado como retomada de terras tradicionalmente indígenas. “A luta indígena já tem 500 anos e o Cimi só 40 anos. Como podem achar que eles nos influenciam? A decisões de ocupações são nossas”, explicou o indígena Lindomar Terena.

Em nota para a imprensa a deputada estadual Mara Caseiro informou que defende a abertura da CPI do Genocídio e apontou que as mortes nas aldeias, em sua maioria, ocorrem entre os próprios indígenas.

De acordo com a nota, pelo menos 390 índios foram assassinados nos últimos 12 anos em Mato Grosso do Sul. O documento apresentado por Mara Caseiro revela que, somente de 2008 até 30 de setembro deste ano, foram registrados 229 boletins de ocorrências, figurando índios como vítimas de homicídio doloso, quando há a intenção de matar. Foram esclarecidos 167 dos casos.

Desse universo, 85 crimes foram cometidos por adolescentes infratores indígenas. Dos 229 boletins de homicídio registrados, 155 foram mortes praticadas por indígenas contra indígenas.

“A maioria dos assassinatos foi motivada pelo consumo excessivo de álcool e drogas”, observou a parlamentar, ao ler o relatório.
 
Mara Caseiro deixou claro que não é contra a instalação de nenhuma CPI na Assembleia Legislativa, muito menos a do Genocídio. Entretanto, questionou o direcionamento dado à possível investigação a ser instaurada na Casa.

“Genocídio onde? É bom que fique claro que a maioria dos assassinatos ocorreu entre os próprios indígenas. Não podemos permitir que mortes aconteçam, de índios ou não índios, é preciso mesmo investigar, mas com critério”, defendeu.

Mara Caseiro voltou a ressaltar que o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), que é alvo de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Assembleia Legislativa, pode ter grande responsabilidade nesse cenário, o que poderá ficar comprovado durante as investigações.

Isso porque, de acordo com as denúncias que chegaram à Comissão Parlamentar de Inquérito, em vez de trabalhar para melhorar a qualidade de vida nas comunidades indígenas, o órgão vem pregando o ódio nas aldeias e incentivando as invasões.









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