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Cotidiano Terça-feira, 13 de Setembro de 2011, 15:50 - A | A

Terça-feira, 13 de Setembro de 2011, 15h:50 - A | A

Justiça bloqueia bens de ex-chefe do Incra e da Fetagri por cedência de área para churrascaria

Valdelice Bonifácio - Capital News (www.capitalnews.com.br)

Mais uma denúncia de irregularidade na distribuição de terras destinadas à reforma agrária em Mato Grosso do Sul tornou-se pública hoje.

Em nota oficial, o MPF (Ministério Público Federal) relata a cedência irregular de área para particulares que terminou em bloqueio de bens autorizado pela Justiça.

Na área pública foi construída uma churrascaria no valor de R$ 1 milhão. O MPF quer a demolição do prédio ou a conversão da cessão da área em arrendamento, em favor da União.

Tiveram as contas bloqueadas o ex-superintendente do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra/MS) Luiz Carlos Bonelli; seu ex-substituto, Valdir Perius; a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetragi/MS) e seu ex-presidente Geraldo Teixeira de Almeida e dois particulares, Cleito Vinício Inéia e André Bender.

O bloqueio bancário deve atingir R$ 296 mil para cada um dos réus. A Justiça determinou ainda ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran/MS), Cartórios de Campo Grande e Nova Andradina e Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o levantamento dos bens em nome dos réus.

Caso o dinheiro nas contas não atinja o valor determinado, os bens serão bloqueados até atingir o valor estipulado de R$ 296 mil. Os réus estão sendo denunciados por improbidade administrativa.

O Caso

Eles realizaram transferências irregulares de uma área de 30 mil m² no Assentamento Teijin, no município de Nova Andradina, a 280 km da capital, Campo Grande. Em 24/01/2007, o Incra autorizou, em “caráter provisório”, a ocupação do terreno pela Fetagri.

Em 06/02/2007, a Fetagri cedeu metade da área (15 mil m²) para Ari Inéia, em troca da construção de um galpão. Posteriormente, a área foi cedida novamente para Cleito Inéia e André Bender.

No local - Km 125 da Rodovia BR 267 -, foi construída a Churrascaria e Lanchonete Gabrielly, empreendimento com cerca de 2.500m² de área construída. A obra iniciou em março de 2007 e terminou em junho de 2008. Aproximadamente R$ 1 milhão foi despendido na construção.

As transferências e autorizações de uso não seguiram qualquer procedimento formal e contrariam a legislação, que veda uso particular de áreas públicas. O Incra não acompanhou a destinação dada à área, não realizou fiscalização e em tese sequer tomou conhecimento da utilização para fins privados.

Pedidos da ação judicial

Na ação ajuizada, o Ministério Público Federal pede a confirmação da liminar; aplicação de multa mínima de R$ 592 mil; perda da função pública, caso algum dos réus esteja exercendo-a ou venha a exercê-la; suspensão dos direitos políticos dos réus, por até 10 anos; proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais, direta ou indiretamente, por até 10 anos.

O MPF pede ainda que a Justiça determine a demolição do prédio em que funciona a churrascaria ou a conversão da cessão da área em arrendamento, em favor da União, desde a data em que foi finalizada a construção do prédio – junho de 2008.

Outro lado

A redação do Capital News buscou contato com o ex-chefe do Incra e com ex-presidente da Fetagri. Contudo, eles não foram localizados.  (Com informações da assessoria do MPF/MS)

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