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Cotidiano Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012, 10:30 - A | A

Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012, 10h:30 - A | A

Em depoimento, um dos acusados admite racha que resultou na morte da estudante Mayana

Kátia Kuratone e Alessandra Carvalho - Capital News (www.capitalnews.com.br)

O réu Willian Jhony de Souza, acusado de participar de um racha na avenida Afonso Pena e, em consequência de um acidente, matar a estudante de Direito Mayana de Almeida Duarte, admitiu em depoimento que estava competindo com o amigo Anderson de Souza Moreno. Os dois acusados estão sendo julgados hoje, na 2ª Vara do Tribunal de Júri de Campo Grande.

Willian foi o primeiro a depor. “No dia do acidente estávamos em uma boate. Chegamos por volta das 21 horas e saímos por volta das 2 horas da madrugada. Eu bebi duas cervejas e estava com dois amigos, sendo que um deles era o Anderson. Quando saímos eu e um amigo estávamos no Fiat Uno e o Anderson em um Vectra. Paramos um do lado do outro no semáforo na Avenida Afonso Pena esquina com a Rua Rio Grande do Sul e eu acelerei o carro para competir com o Anderson. Mas meu carro era 1.0 e não ultrapassou 60 km”, justifica.

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Foto: Deurico/Capital News

Ele ainda relatou que o racha começou esquina da Rua Rio Grande do Sul assim que o sinal ficou verde. “Não furamos nenhum sinal. Os semáforos estavam verdes porque seguíamos pela Afonso Pena”, defende. O acidente aconteceu na esquina da Rua José Antônio. “Na hora do acidente fiquei muito preocupado com a menina e permaneci no local até o momento em que um delegado chegou e me disse que era para ir a delegacia prestar depoimento. Fui, mas estava muito nervoso e pedi para dar uma volta. Fui autorizado por um policial, que me disse que voltasse em seguida. Saí de lá e fui até a Santa Casa para entregar um celular da menina ver o estado de saúde dela”.

A mãe da jovem Mayana, Marizete Sandim, que acompanha o julgamento diz não acreditar no jovem. “É muito complicado entender. No dia do acidente me falaram que eles não deram a mínima para a minha filha e é isso que mais me dói. Eles foram embora e agora vem dizer que ficaram preocupados. Também não lembro dele entregando celular e não consigo acreditar em nada do que ele falou”, afirma.

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Foto: Deurico/Capital News

O outro acusado, Anderson de Souza Moreno, foi questionado pelo juiz sobre um outro acidente ocorrido no dia 10 de janeiro de 2007, que resultou na morte do motociclista Waldir, aos 36 anos. Na época, o réu tinha 16 anos e não negou o acidente. “Peguei o carro do meu escondido”, confirmou. A recreadora infantil, Eliana Pimentel, de 37 anos, que está no julgamento dos réus, é mulher do motociclista morto no acidente e reconheceu Anderson por meio das notícias sobre o segundo acidente envolvendo Mayana.

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Foto: Deurico/Capital News

Já sobre o Caso Mayara, Anderson reconhece que estava na boate com Willian, e que saíram de lá juntos, mas não admite o racha. “Eu estava com o Vectra do pai. Tomei uma dose de tequila e duas cervejas. Quando fomos embora, próximo a Prefeitura de Campo Grande na Rua Bahia, dei tchau para eles no outro carro e não fiz racha. Continuamos pela avenida. Todos os sinais estavam verde e acho que chegamos a 100km por hora”. No fim declarou: “O acidente foi uma fatalidade. Eu não queria causar o acidente e ela também não. Foi tudo muito rápido”.

O pai de Mayana, Marcos Aurélio Duarte, que é comerciante, espera que o júri condene os réus. “Estamos esperando a conclusão do júri e desejando que todos sejam condenados a pena máxima. E hoje faço um apelo para os pais não deixarem seus filhos beberem e saírem para dirigir porque trânsito e carro são não são brincadeira”. A família e amigos da jovem acompanham o julgamento.

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Foto: Deurico/Capital News

O acidente ocorreu em junho de 2010 causou grande comoção na sociedade e ficou conhecido como Caso Mayara. Segundo informações do processo o Vectra que era conduzido por Anderson colidiu com o Celta da estudante Mayana, que morreu dez dias depois do acidente. O juiz Aluízio Pereira dos Santos, titular da vara, recebeu a denúncia contra os réus que serão julgados hoje, ambos por homicídio com dolo eventual, isto é, quando não se tem a intenção de matar, mas se assume o risco em razão de conduta perigosa (art. 121 do Código Penal, combinado com art. 306 e art. 308 da Lei nº 9.503/97, que é o Código de Trânsito). O advogado de acusação é Douglas Oldegardo Cavaleiro dos Santos, promotor de justiça e os de defesa Antonino Moura Borges, Daniel Zanforlim Borges e Abdalla Maksoud Neto.

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