Após decisão tomada após audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), as negociações entre junta administrativa e sindicato dos enfermeiros da Santa Casa de Campo Grande recomeçam na manhã desta sexta-feira (16).
No fim da tarde de ontem, o Capital News veiculou em primeira mão o fim da greve. Agora, um grupo de 16 pessoas (8 sindicalistas e a outra metade ligada à gestão) se reúne para decisão sobre o reajuste salarial e inclusão de benefícios à remuneração.
Para Olívia Brandão, advogada do Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem do Estado de Mato Grosso do Sul (Siems), a audiência de ontem trouxe alento à manifestação da categoria. “Foi um avanço, com certeza [a audiência no TRT]. Antes, a administração havia fechado as portas para negociações. Naquela hora [época, em que as negociações foram interrompidas], houve retrocesso e foi necessária uma medida, como a greve, para tentar resolver o problema. Após a decisão de ontem [audiência no TRT], esperamos que se resolva a situação. Foi benéfica a retomada de negociações.”
A assessora jurídica do Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviço de Saúde do Estado de Mato Grosso do Sul (Sindhesul), Rosely Coelho Scandola, concorda que a retomada do diálogo é favorável ao entendimento. “Estamos aqui para recomeçar as tratativas, para ver se chegamos a um denominador comum.”

Adovagda Olívia Brandão diz que sindicato não abre mão de reivindicações
Foto: Deurico/Capital news
“Desrespeito”
Este é um dos sentimentos descritos por técnicas de enfermagem, momentos antes da reunião – agendada para as 10h, mas, com atraso de ao menos 15 minutos por parte da administração. Suely Chuva comenta que tem colegas de trabalho atuando em dois empregos para poder sustentar a família. “Tem que se trabalhar em mais de um local para sobreviver. Isso é injusto.”
Janaina Maroni, tem opinião parecida. Atualmente, técnicos e auxiliares de enfermagem recebem no hospital entre R$ 691 e R$ 720. Quem tem família, não consegue sobreviver com este salário. Outra situação é o momento de lazer. Se temos que trabalhar em ao menos dois hospitais para sustentar a família, quando temos momentos de lazer?” Suely torna à conversa e reitera que companheiros de trabalho sofrem com a situação: “Tem gente doente, com problemas como estresse, ou machucado, devido ao corre corre.”
Para Keise Buchara, há “descaso” para com a classe. “A gente esperava é que eles [administradores] levassem em consideração o nosso esforço.” A frase surgiu quando as técnicas comentavam sobre falta de medicamentos e de estrutura no estabelecimento. “A gente se desdobra. Aguenta todos os problemas e, há um ano, esperávamos que houvesse consideração. Isso [término das negociações] é uma falta de respeito.”
A advogada Olívia Brandão comenta que o Siems não abre mão do Plano de Saúde dos funcionários, aumento de 15% no salário. “E tentaremos conseguir cestas básicas.” Outra reclamação é o não pagamento de feriados. Segundo Olívia, eles não são pagos e o sindicato já analisa a hipótese de entrar com ação coletiva na Justiça para recebimento dos valores. “Já estamos calculando o quanto é devido aos funcionários e podemos entrar na Justiça.”
Quanto ao plano de saúde, Olívia afirma ter atas de reuniões com a junta e com o TRT que explicam que a administração se comprometeu em apresentar um estudo sobre o plano, mas, ainda não o fizeram.
As falas foram ditas antes da reunião. O Capital News pediu para fotografar o início do encontro, mas, nossa equipe foi impedida pela assessoria de imprensa, que informou que a reunião seria fechada.

Audiência na sede do TRT, realizada na noite de quinta, definiu retorno às negociações
Foto: Deurico/Arquivo Capital news
Por: Marcelo Eduardo – (www.capitalnews.com.br)
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