Uma menina de cinco anos ficou trancada por pelo menos três anos em uma residência no Bairro Nova Lima, região norte de Campo Grande. A mãe da criança que possuiu problemas psiquiátricos não permitia que a menina saísse de casa. A criança não podia ir à escola e também ver a luz (artificial ou natural). Nesta quinta (8), o Conselho Tutelar resgatou a menina e a levou para uma casa de abrigo. Já a mãe foi encaminhada para receber cuidados psiquiátricos.
Segundo a delegada da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), Regina Motta, a criança vivia em cárcere privado há pelo menos três anos e só em função do Frei Wanderley (pároco da Comunidade) avisar, o Conselho Tutelar conseguiu resgatar a criança. A delegada informou ainda que a mãe da criança sofre transtornos psiquiátricos. Ela alega que recebe ameaças constantes e diz que adota estas medidas com a filha para protegê-la.
Regina Motta conta ainda que a mãe da criança deixa trancadas as portas e janelas para a menina não ver a luz do sol, além de ter pedido para a rede de energia cortar o abastecimento de luz do local. A delegada informou que a mãe não responderá criminalmente por manter a filha trancada em casa devido ao distúrbio.
Os investigadores do DEPCA não constaram nenhum problema relacionados a questões sanitárias na casa. A criança está com o cartão de vacinação em dia, pois a mãe que aplicava as vacinas. As duas sobreviviam com um soldo de R$ 200 por mês que era depositado na conta da mãe. Foi constatado na vistoria que a mãe e a criança dormiam juntas em uma cama de solteiro. O único lugar que a criança tinha para brincar era nos fundos da residência. O quintal era cercado por um matagal.
Uma vizinha que não quis se identificar informou que a proprietária da casa constantemente brigava com os vizinhos sem nenhuma causa. “As pessoas daqui da vizinhança diziam que ela era um pouco exaltada. Quando ela saia, deixava a menina dentro de casa”, disse a moradora.
A delegadas revelou que os familiares da mãe podem ser responsabilizados por omissão de socorro, já que não denunciaram o caso à Polícia.
Por: Eduardo Penedo (www.capitalnews.com.br)
