Após a morte de três mulheres no hospital da Santa Casa de Campo Grande, neste mês de julho, a diretoria da Associação Beneficente de Campo Grande, que mantém a Santa Casa, decidiu assumir o serviço de oncologia e dispensou a empresa que atendia os pacientes em tratamento de câncer.
O presidente da Santa Casa, Wilson Teslenco, declarou na manhã desta sexta-feira (25) que a transição do serviço de oncologia será feita de forma a garantir total segurança e continuidade dos pacientes. “Vamos tentar fazer da forma mais rápida possível. Trabalhamos para contratar pessoas que serão substituídas e estamos buscando apoio de outras instituições, como o Hospital do Câncer e o Hospital Regional”, anunciou o presidente.
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O Centro de Oncologia da Santa Casa recebe atualmente 600 pacientes
Foto: Deurico/Capital News
O contrato
O presidente afirmou que o valor do contrato não apresenta preço fixo, já que o número de atendimentos varia de mês a mês. Declarou ainda que o contrato é remunerado por 90% do valor da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS).
Os medicamentos
Os medicamentos serão adquiridos pela empresa que prestava serviço no Centro Oncológico. Wilson Teslenco assegura que os medicamentos eram licenciados e reconhecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Nós tomamos a iniciativa de verificar se os medicamentos tinham diferenças muito grandes na questão da qualidade e entendemos que existe muito mais do que a questão do preço dos remédios”.
O presidente admitiu que não saberia dizer se o hospital continuará a usar os mesmos medicamentos. “A avaliação do serviço de farmácia é da Anvisa. Se a avaliação não tem nada relacionado ao medicamento, não haverá motivos para trocar. O medicamento genérico foi testado pela vigilância sanitária e foi garantido a mesma eficácia. A Santa Casa vai comprar o medicamento que for orientado pelo Ministério da Saúde ”.
Processo de transição
Wilson Teslenco alegou que o processo de transição do serviço de quimioterapia deverá ser feito o mais rápido possível. “Não vai durar nem um mês. Os profissionais que forem substituídos serão por conta do relatório da vigilância sanitária. O relatório com as provas materiais do que realmente aconteceu vai definir quem sai e quem fica”, pronunciou.

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Foto: Deurico/Capital News
Quanto ao serviço de radioterapia, o presidente admitiu que não será retomado em primeiro momento, por conta da dificuldade de acesso ao serviço. De acordo com ele, o preço é bastante alto.
Qualidade
“Há um monitoramento da equipe para que a qualidade do serviço seja garantida, e a vigilância sanitária acompanha de perto para que a qualidade seja retomada e os processos de manipulação sejam restabelecidos”, garantiu o presidente Wilson Teslenco.
O trabalho da Anvisa está em andamento e deve continuar até o fim do dia. “Depois disso, eles vão preparar o relatório. Nós não sabemos quando, mas esperamos que saia nos próximos 30 dias. Assumimos um compromisso junto às famílias para que após o relatório concluso elas sejam as primeiras a serem informadas sobre o que realmente aconteceu”, expôs.
Entenda o caso
O caso veio à tona na semana passada quando a família de uma das mulheres que morreram procurou a polícia para denunciar a morte. A suspeita das famílias é de que as pacientes com câncer tenham tido reações alérgicas após passarem pelas sessões de quimioterapia e utilizarem os medicamentos Fluoracil (5-FU) e o potencializador Ácido Folínico.
A Santa Casa, a Polícia Civil e a Anvisa apuram as mortes de Carmen Insfran Bernard, 48 anos, no dia 10 de julho; Norotilde Araújo Greco, 72 anos, no dia seguinte e Maria Glória Guimarães, 61 anos, no dia 12 de julho.

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