“Quero a minha filha de volta, perdi a graça de viver. Quando imaginei que estava construindo uma família, o Conselho Tutelar chega e leva a minha filha ”, diz Lauro Roberto Pereira de Paula, de 19 anos.
Ele mora há quatro anos em um cômodo com paredes feitas de pedaços de tábuas no Jardim Monte Videl, em Campo Grande, com a adolescente de 16 anos.
Lauro admite ser ex-usuário de drogas. “ Conheci a minha esposa na igreja. Eu estava fazendo tratamento para me livrar dos meus vícios. Começamos a namorar e amigamos. A minha sogra não gostou da ideia. Na época, nós dois éramos menores de idade. E estamos juntos. Até hoje”.
O bebê é uma menina e está com cinco meses. Ela foi batizada como Yasmin Moreira e nasceu no dia 15 de fevereiro. Ela ficou internada durante meses após nascer prematura. Conforme a mãe de Yasmin, “quando estava grávida a minha mãe pediu o meu neném. E recusei a entregar. Ela me disse que iria tomar o meu bebê. Como ela não gosta do meu marido sempre arrumou intrigas. Moro longe dela para não ter muito contato e evitar as brigas”.

A adolescente disse que a filha nasceu pré matura e ficou meses internada
Foto: Reginaldo Coelho/Capital News
O jovem Lauro afirma que é difícil apontar quem fez a denúncia para o Conselho Tutelar. “ A única coisa que sei e que o bebê está com a minha sogra. Não temos contato. Ela só fala do passado e não percebe que estávamos cuidando bem do nosso filho. Comprei leite, berço, temos roupas e brinquedos. Não tenho ouro, mas tenho o necessário para cuidar e alimentar. Levamos várias vezes para o médico. Comprei remédios e vacinas. Preciso é de ajuda para construir a minha casa. Moro em um barraco. Os meus vizinhos também moram em barracos feios e criam três a quatro filhos. Só tenho uma e não posso criar. Tem muita gente que aparece só para atrapalhar”.
Lauro ressalta também que Conselho Tutelar chegou na casa deles com a Polícia Civil. “Eles entraram e tomaram o meu bebê. Falaram que éramos usuários de drogas e que a criança não tinha uma casa”. A conselheira tutelar Miriam Goes Falção da área norte conta que eles haviam recebidos denúncias. “ Na casa deles, em cima do berço, foram encontrados papéis de cigarro, a casa estava suja, a comida esparramada e haviam muitas moscas. O bebê tem cinco meses e parece ter cinco dias. Pedimos para o pai da neném ir até um posto de saúde para fazer exames e comprovar que não usava drogas. Ele negou e disse que as pessoas aparecem para atrapalhar a vida dele”.

O jovem diz que "muitas pessoas aparecem só para atrapalhar a vida dele"
Foto: Reginaldo Coelho/Capital News
O bebê foi levado e entregue para avó materna que mora no bairro Jardim Anache. A reportagem esteve na casa dela. Ninguém atendeu e as portas estavam fechadas. Uma vizinha, que não quis ser identificada, disse que foi ontem (23), a tarde visitar a criança e garantiu que a neném estava sendo bem cuidada.
“ Fui lá e até levei roupas de recém-nascido. A avó da neném chegou a sair do emprego só para cuidar da neta. Somente o marido dela que está trabalhando. A neném é uma gracinha, pequenininha”.
A adolescente de 16 anos disse que a mãe dela imaginava que ela iria voltar para a casa. “ Acredito que a minha mãe pensa que vou voltar para a casa dela, já que a bebe está lá. Quero a minha filha aqui no meu barraco e criar com o meu marido. Sempre soube das condições dele e não quero ir pra lá. Estou aqui há bastante tempo e nas dificuldades nem ficava procurando a minha mãe. Quero a minha filha de volta e ter a minha casa. É triste ficar aqui sem ela.”
Segundo a conselheira Miriam, o caso está sendo encaminhada para a Vara da Infância e Juventude. “ O procedimento é o juizado que vai decidir. Os pais devem ser chamados e tudo vai ser revisto: as condições deles e eles precisam comprovar por meio de exames clínicos que não usam drogas”.
Quem quiser ajudar o casal pode levar doações na rua Colapa, 55, bairro Jardim Monte Videl, ou telefonar para (67) 9255-3707.

O casal mora nesse cômodo e pede doações para construir uma casa no mesmo terreno
Foto: Reginaldo Coelho/Capital News
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