O senador Delcídio do Amaral nega que esteja manipulando contra o PT em Mato Grosso do Sul como acusou o ex-governador Zeca do PT em entrevista ao Capital News, na manhã de hoje.
O parlamentar que está em Brasília avalia que o ataque de Zeca do PT se deve ao enfraquecimento do ex-governador dentro da legenda.
“O Zeca está desaparecendo dentro do partido, porque tentou desconstruí-lo”, diz o senador citando que o ex-governador esteve em palanque de adversários de petistas em várias eleições o que fez com que ele perdesse apoio interno.
Conforme Delcídio, Zeca afastou lideranças petistas de si mesmo ao apoiar concorrentes do PT em eleições municipais em Aquidauana e Dourados, por exemplo.
“Agora, ele vem dizer que eu estou enfraquecendo o partido. Foi ele quem subiu em palanques contrários ao PT”, comenta.
O senador explica que não teme uma possível movimentação de Zeca contra ele dentro do partido porque hoje tem ampla maioria no Diretório Regional.
Para Zeca, a migração da ex-prefeita de Miranda, Beth Almeida do PT para o PR teria ocorrido por influência de Delcídio. Além do mais, o senador estaria trabalhando contra a candidatura de Mário Kruger em Rio Verde.
O ex-governador reclamou ainda da atitude de Delcídio, em Corumbá, terra natal do senador. Lá o deputado Paulo Duarte (PT), ligado a Zeca, lidera as pesquisas de intenção de voto, mas não conta com o apoio do senador.
Delcídio nega que tenha influenciado a migração de Beth Almeida. “Mesmo porque ela era ligada ao Zeca. Nunca fez política comigo”, assegura.
Sobre Mário Kruger, ele afirma que teve pouco contato com o ex-prefeito de Rio de Verde e que nada sabe sobre a movimentação política dele.
Em relação a Corumbá, o senador assegura que nunca descartou a hipótese de apoiar Paulo Duarte. Contudo, Delcídio participou recentemente de um ato político com possíveis pré-candidatos à prefeitura que não incluída Duarte, mas apenas vereadores do município.
“O que eu disse e, talvez tenha sido mal interpretado, é que eu vou fazer política junto com os vereadores. São eles que trabalham pela minha eleição. No grupo de vereadores, inclusive, está o Marquinhos que é do PT e é ligado a mim. Então, eu não estou deixando de apoiar o PT”, menciona.
Conforme o senador, as alegações de Zeca são “mero besteirol” e “choro de derrotado”.
Dívidas de campanha
O senador diz ainda que a falta de entendimento interno não se deve a ele. “Eu até estou trabalhando junto ao PT nacional para pagar as dívidas de campanha do Zeca da campanha de 2010”, conta.
No ano passado, Zeca concorreu ao governo do Estado e teria deixado dívidas no valor de R$ 1,5 milhão que agora o senador afirma estar batalhando para liquidar.
“Eu ajudo o cara e agora ele dá um de bacana para cima de mim”, reclama.
Com maioria no Diretório Regional, Delcídio diz se sentir seguro no partido e não vê razões para se preocupar com Zeca do PT.
Como se sabe, o senador pretende concorrer ao governo do Estado nas eleições de 2014. “Sou majoritário no partido e não pretendo trocar de legenda. Estou seguro no PT. Inclusive, sou prestigiado nacionalmente”, comentou.
Apesar dos desabafos públicos dele e de Zeca, o senador não descarta um entendimento no partido. “Política é muito dinâmica. Fica difícil, eu dizer o que vai ser no futuro”, pondera.
Ele afirma, por exemplo, que não se oporia à candidatura de Zeca à prefeitura de Campo Grande no ano que vem. Hoje, Zeca garantiu não ter desistido de concorrer em 2012.
Contudo, o senador considera cedo para falar em candidaturas. “Ainda estamos na fase das filiações. Esta angústia toda, apenas prejudica os possíveis candidatos”, analisa.
Partido forte
Ao contrário de Zeca, Delcídio não enxerga o PT como um partido enfraquecido no Estado. “Já temos ao menos 32 pré-candidatos extremamente competitivos. Onde não temos cabeça de chapa, seremos vice”, antecipa.
“Até agora, as únicas pessoas que reclamaram do partido são ligadas ao Zeca. Só pretendo levar em consideração quando alguém isento falar alguma coisa”, acrescenta.
As desavenças entre Zeca e Delcídio são antigas no PT. No ano passado, os dois ensaiaram uma reaproximação por causa das eleições, mas ao terminar o pleito se acusaram mutuamente de infidelidade.
Por Valdelice Bonifácio - Capital News (www.capitalnews.com.br)
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