A movimentação de bastidores para formatar alianças políticas para as eleições de 2012 em Campo Grande está criando tensões entre vereadores na Câmara da Capital. Hoje mesmo houve discussão acalorada entre parlamentares. O motivo principal seria uma tentativa do PDT de se aliar ao PMDB.
O presidente da Casa de Leis, Paulo Siufi que pretende concorrer à prefeitura pelo PMDB não gostou da aproximação. Já o presidente municipal do PDT, vereador Paulo Pedra defendeu o direito de seu partido de fechar alianças com quem quiser.
Siufi usou a tribuna da Casa de Leis para repudiar a hipótese de Dagoberto Nogueira (PDT) lançar-se candidato com o apoio do PMDB. Publicamente, Dagoberto não confirma tal articulação, mas os boatos ganharam dimensão nos últimos dias.
Conforme Siufi, o partido tem diretório participativo na Capital e nomes fortes como Carlos Marum, Edil Albuquerque, Magali Picarelli, Carla Stefanini, Paulo Siufi e muitas outras lideranças para disputar as eleições municipais do ano que vem.
Siufi disse repudiar uma possível aproximação de Dagoberto. Ele citou que o pedetista já teceu muitas criticas à administração do prefeito Nelson Trad Filho (PMDB) e que agora pleiteia apoio do mesmo partido que criticou.
“Eu sou pré-canditado, Marum é pre-candidato. Não precisamos que alguém caia de para-quedas, até porque já disputou a eleição e levou um “ferro” do prefeito Nelsinho Trad, o governador não manda no PMDB. Uma discussão dessas deve passar por todos do partido”, disparou Siufi.
O governador André Puccinelli (PMDB) esteve recentemente em evento de pedetistas junto com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que é presidente nacional licenciado do PDT. Foi ali que os boatos nasceram.
Em entrevista ao Capital News, no fim de semana, André disse ter sido assediado pelos pedetistas, mas garantiu não ter fechado nada para as próximas eleições. “Rodearam, rodearam, mas não deixei consumar o ato”, brincou.
Porém, segundo relato do vereador Athayde Nery o convite para uma aliança entre as duas legendas teria partido do próprio governador na presença de Lupi.
“Quem lançou a idéia foi o governador André Puccinelli sem objeção de fazer uma aliança com o PDT. E o governador sentou à mesa e em seguida saiu da reunião. Se houve uma provocação partiu da liderança maior que é o André Puccinelli. Política não se faz com estômago. O governador está construindo isso em termos de debate, mas ninguém deve falar para o PMDB o que deve ou não fazer, assim como ninguém deve falar para o PPS oque deve ou não fazer”, observou Athayde Nery.
Até os petistas marcaram presença na discussão sobre a eventual aproximação entre PMDB e PDT. O vereador Alex do PT destacou a questão de coerência na mesma linha que Paulo Sufi.
“Não dá para imaginar que um partido que disputou a eleição contra André Puccinelli, que tenha criticado o governo do Estado queira apoio e de um dia para noite as criticas desaparecem. Isso para mim não é aceitável, se houve um debate não foi certamente um debate aberto. Esse tipo de comportamento me entristece. A política tem de ter lado. Esse é o principal ponto que diverge. Acredito que o PMDB sai com candidato”, defendeu o parlamentar.
Liberdade de escolha
O vereador Paulo Pedra rebateu as críticas. Ele destacou que o PDT tem liberdade de articular parcerias para as próximas eleições. “Hoje sou oposição nesta Casa de Leis ao executivo municipal, mas mesmo assim temos que ter diálogos em função das emendas e projetos em favor da população. O meu partido, PDT, tem ampla liberdade que atuar com parcerias”, destaca Pedra.
O parlamentar relatou o evento com a presença de Lupi e André na Capital. “Na nossa reunião pensamos no Estado, em algumas cidades o PDT será vice do PMDB. O interior possui peculiaridades e nós temos que apoiar. Na capital somos oposição, mas é importante a hospitalidade do partido e respeito caso o governador queira apoiar o PDT aqui também, não podemos dizer não”, ressalta.
Paulo Pedra afirmou ainda que em Campo Grande o PDT terá uma chapa forte nas próximas eleições, e elegerá de 4 a 5 vereadores na Casa de Leis. “Como dirigente municipal do partido tenho que ter essa visão, um entendimento. O estado tem algumas peculiaridades, como PDT e PMDB juntos. Podemos ainda apoiar outros partidos com linha programática mais próxima do PDT. Na política tem que ter visão, diálogo”, atesta.
(Com informações da assessoria da Câmara da Capital)
