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Marco Eusébio Quarta-feira, 01 de Junho de 2011, 16:03 - A | A

Quarta-feira, 01 de Junho de 2011, 16h:03 - A | A

Um dia De Marco na Câmara...

Marco Eusébio

Um dia De Marco na Câmara...

Izaias Medeiros/Câmara de CG

Secretário "candidato"... 

Presidindo a audiência pública sobre "tapa-buracos" e "piso-tátil" na Câmara hoje, Paulo Siufi (PMDB), em vez de dizer secretário, chamou o secretário João Antonio De Marco de “candidato”. Da platéia os demais vereadores ficaram ouriçados querendo saber da suposta concorrência...

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Candidato a privatizador... 


Com a palavra aberta à imprensa para questionamentos ao secretário municipal de Infraestrutura, Transportes e Habitação de Campo Grande na audiência da Câmara hoje, fiz duas perguntas a De Marco. Primeiro, se em vez de terceirizar o serviço diário de “tapa-buracos” a prefeitura, que tem máquinas e pessoal próprio, não poderia fazer ela mesma o serviço... E, aproveitando a “deixa” do "ato falho" citado na nota acima, perguntei ainda se ele será candidato. Depois de encerrada a audiência, indaguei a De Marco porque ele não respondeu nem uma coisa nem outra. Ele “respondeu” com outra pergunta: 

Você quer que eu responda aqui, gravado, se serei candidato...?

Insisti sobre a possibilidade de a prefeitura evitar empreteiras no serviço de “tapa-buracos” e o secretário afirmou:

– “Estamos tentando privatizar o país e você tá querendo estatizar. Iríamos regredir a cem anos atrás.

  Doce regresso...

A própria história de Campo Grande atesta que a rejeição ao estilo "faça você mesmo" classificado como "regresso" supra-citada pelo secretário De Marco faz um certo sentido.Há um século, alcaides e seus auxiliares não tinham salários, nem tarifaços, nem milhões em verbas pagas pelos cidadãos para bancar empreiteiras. E como diria Nelson Rodrigues, é obvio ululante que nenhum deles hoje vai querer tal “retrocesso”.

Cite-se o exemplo do primeiro prefeito de Campo Grande, Manuel Ignácio de Souza, conhecido como Manoel Taveira, que administrou a cidade de 1905 a 1909. Até a sede da prefeitura funcionava na casa dele, à Rua 26 de Agosto. Sem verbas milionárias ou tecnologia, mas com vontade política e visão de futuro, Taveira, em 1908, por sinal, nomeou Manoel Leite da Silva como seu secretário e convocou a Câmara para debater importante assunto: o traçado urbanístico da cidade.

Uns queriam imitar o sistema de ruas estreitas da então capital Cuiabá, mas Taveira e seu grupo defenderam e conseguiram aprovar o projeto de ruas largas projetando a cidade para o futuro. Embora na época sem carros tais avenidas tão amplas como a Afonso Pena parecessem inúteis, estas hoje enfrentam problemas de congestionamentos com excesso de veículos. Mas por quase 100 anos foram plenamente eficientes em atender a demanda. Hoje, quando muito, o serviço feito agora dificilmente passará do ano que vem para ser corrigido. E pelo que se vê a cada ano, a situação só tende a piorar.

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Para De Marco, prefeitura sem empreiteiras é regressão
Foto: Izaias Medeiros/Câmara de CG

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Becos & saídas... 


Embora ponderando que a Prefeitura de Campo Grande sofre com atrasos de repasses de verbas federais, como acontece com outros municípios, na audiência pública de hoje na Câmara, o vereador Lídio Lopes (PP) criticou o famigerado serviço de “tapa-buracos” que em várias cidades brasileiras tem feito a festa das empreiteiras: “É um desvio de recursos públicos violento, porque ninguém vai sair com uma régua medindo buraco para saber quanto dever pagar”, disparou.

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Lídio: ninguém sai com régua pra medir tapa-buraco
Foto: Izaias Medeiros/Câmara de CG

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Avenidas "quebra-molas"
 

Ainda na referida audiência, Lídio Lopes (PP) questionou o secretário municipal de Infraestrutura, Transportes e Habitação sobre a situação caótica das avenidas Bandeirantes, Bandeiras e Guaicurus que de tantos remendos são cheias de calombos e outros defeitos na pista torturam condutores e passageiros de veículos e fazem a alegria das lojas de molas e suspensões. Neste caso, João Antonio De Marco admitiu que Campo Grande precisa de um amplo projeto de recapeamento de suas principais vias. Mas não disse que isso seja cogitado nas previsões orçamentárias. Ou seja, quem sabe na próxima gestão...

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Tempo fechado...

O termômetro subiu no plenarinho da Câmara quando a vereadora Thais Helena (PT) elevou o tom ao questionar o secretário municipal de Infraestrutura, Transportes e Habitação. Além de reclamar em público que não consegue falar com ele, a petista questionou João Antonio De Marco, entre outras coisas, sobre a falta de previsibilidade da prefeitura que, afirmou, a cada ano alega que não esperava “tanta chuva” depois de enchentes, buracos e outros estragos que atormentam a população. Para “colaborar”, Thais antecipou a previsão meteorológica:

– “Se o senhor não sabe, vai chover em dezembro e janeiro secretário”.

Embora sem registro na Ordem, o vereador Saraiva (DEM) advogou em favor do secretário servindo de para-raios. Sugeriu a De Marco para renovar “o contrato com São Pedro” e contratar os serviços de previsões climáticas da vereadora petista.

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Após a tempestade, clima ameno entre Thais e De Marco...
Foto: Izaias Medeiros/Câmara de CG

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"Previsões"...

– “Quem vai ficar preocupado é o Natálio Abrão” – comentou, rápido como raio, gaiato observador do clima político da Câmara hoje ao “prever” que o meteorologista da Uniderp-Anhanguera pode perder espaço caso a vereadora "candidata a meteorologista" Thais Helena (PT) comece a emplacar suas previsões climáticas em Campo Grande.

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"Cândida às turras"...

Embora tenha evitado responder minha pergunta diante do microfone, depois da audiência o secretário De Marco disse à Thais Helena que ela poderia ficar tranquila porque ele não pretende ser candidato. Como não o considera "companheiro" que venha querer ceifar a seara de votos dela, a vereadora desdenhou. "Pode ser, não é do PT".

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Exigência de piso-tátil levará vereadores ao MP


Além dos "tapa-buracos", a exigência de "piso-tátil" nas calçadas de Campo Grande, que impõe mais um gasto ao contribuinte, também foi tema paralelo da audiência pública de hoje pela manhã na Câmara dos Vereadores, com participação do secretário municipal de Meio Ambiente e de Desenvolvimento Urbano, Marcos Antonio Moura Cristaldo. O presidente da Casa, Paulo Siufi (PMDB), ponderou que embora possa ser útil para deficientes visuais, o acessório também conhecido como "piso de bolinhas", dificulta o acesso de cadeirantes e de outras pessoas justamente por causa das bolinhas. Athayde Nery (PPS) lembrou que a exigência feita pelo Ministério Público deve levar em conta o bom senso, já que a população não pode ser penalizada com a exigência imediata de instalação de tais pisos. Por fim, Siufi propôs que o assunto seja discutido em junto com o MP. Não pode simplesmente passar para o contribuinte uma exigência de forma abrupta, até porque só uma empresa disponibiliza este serviço, em Campo Grande. Há muitos lugares que não tem nem calçada. Então o que temos de fazer é unir forças, a Câmara Municipal, o Ministério Público, para chegarmos a um consenso”, disse o presidente da Casa, anunciando que solicitará audiência com as promotoras responsáveis pelo tema.

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Piso-tátil foi tema de debate entre secretário Cristaldo e vereadores
Foto: Ilustração/Reprodução e foto de Izaias Medeiros/Câmara CG


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Nascido em Santo André (SP) e radicado em Campo Grande (MS) desde a adolescência, Marco Eusébio é um dos mais experientes jornalistas de Mato Grosso do Sul. Com um estilo refinado e marcante de escrever, ficou conhecido como autor de uma das mais lidas colunas divulgadas em sites de notícias do estado. Agora em formato “in blog” amplia a comunicação com seus leitores através deste Portal www.marcoeusebio.com.br ativado no dia 29/2/2009.

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