O senador Delcídio do Amaral (PT-MS) concedeu hoje, por telefone, sua primeira entrevista à imprensa de Campo Grande, por meio do programa Noticidade, da Rede MS de Rádio, que tem como apresentador o jornalista Cadu Bortolot, da sua assessoria. Na ocasião, o senador negou que tenha quebrado o decoro parlamentar, disse que vai retomar as atividades do mandato tão logo receba liberação médica e revelou que o sofrimento enfrentado durante os 87 dias que permaneceu preso sob suspeita de tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato fez dele “uma pessoa melhor”.
Delcídio afirmou que pretende voltar a Campo Grande tão logo acabem os exames médicos e assegurou que jamais fez qualquer tipo de pressão sobre os demais senadores. “Quem me conhece sabe o tipo de atitude que tenho. Sou um homem de conciliação, de diálogo e conduzo as coisas com discernimento e humildade. Eu jamais faria pressão sobre meus colegas, porque, acima de tudo, os respeito”, declarou. Sobre sua defesa, já apresentada ao Conselho de Ética do Senado, Delcídio afirmou que a gravação feita por Bernardo, filho de Nestor Cerveró, usada para sua prisão, seria ilegal. "Para que eu fosse gravado deveria haver a autorização do Supremo Tribunal Federal, o que não aconteceu. Portanto, já em sua origem, o processo é absolutamente ilegal".
Para Delcídio, "o processo tem vícios de origem graves". Por isso, ele disse estar "muito tranquilo" para fazer sua defesa "ampla e forte" no Conselho de Ética. "Quando conversei com o filho do ex-diretor Nestor Cerveró fui atender ao chamado de uma família que estava absolutamente angustiada, preocupada com o destino dele, uma família que conheço há muitos anos. Agora, eu jamais imaginei que isso pudesse acontecer, e o pior: naquele momento eu não estava ali no exercício do mandato. Foi uma conversa particular, com uma família. Por tudo isso, dizer que se quebra o decoro parlamentar numa conversa como essa é forçar a barra demais. É preciso separar muito bem as coisas”, ponderou o senador.
Delcídio falou que o sofrimento enfrentado enquanto esteve preso o aproximou mais de Deus e da família. "Foi uma experiência muito difícil. Primeiro, eu estabeleci uma rotina muito dura, trabalhando no meu processo permanentemente. Eu sempre li muito e passei a ler mais ainda. Isso mantinha a minha mente ocupada. Além disso, sou católico de formação e sempre rezei bastante. A experiência que enfrentei reforçou ainda mais o papel de Deus e da religião na minha vida. Reforcei também meus laços familiares e recebi o carinho e a solidariedade de centenas de pessoas de todo o Brasil".
"Muita gente foi ao meu encontro levando bíblias e livros os mais variados. Quem passa por uma experiência dessas, com certeza, muda. E eu não tenho dúvida nenhuma que, depois dessa experiência, sob o ponto de vista pessoal, saio muito melhor, porque aprendi muitas coisas. Passei a dar valor a coisas que no cotidiano eu não prestava atenção. A medida que você passa por uma experiência dessa você avalia de uma forma muito mais real as coisas que a vida lhe proporciona. E cresce muito”, concluiu o senador.
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