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Marco Eusébio Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2013, 17:14 - A | A

Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2013, 17h:14 - A | A

"Caminhão de japonês" na rota eleitoral de MS

Marco Eusébio

Depois das recentes eleições provocarem significativas mudanças de forças políticas nos municípios em Mato Grosso do Sul, as especulações, naturais por sinal, são o prato cheio da mídia neste início de 2013, seja buscando fazer projeções, seja em tentativas claras de semear rumos para as eleições 2014. O que há de certo, entretanto, é que as próprias lideranças políticas, por enquanto, analisam o novo panorama e buscam, com cuidado, melhor se acomodar no novo quadro e se reforçar para o embate eleitoral do ano que vem.

Até então, sobre a sucessão do governador André Puccinelli (PMDB), o quadro era um só: Simone Tebet ou Nelsinho Trad - quem seria o candidato da sigla do governador para enfrentar o único pré-candidato definido (até hoje, por sinal), o senador Delcídio do Amaral (PT-MS). O próprio André, por sua vez, não enxergava no horizonte nenhum adversário para enfrentá-lo rumo à cadeira no Senado que ele próprio levou Antonio Russo (PR) a herdar da ex-tucana Marisa Serrano, fazendo dela conselheira do TCE-MS, ora ocupada pelo suplente Ruben Figueiró (PSDB). Mas, depois de os eleitores de Campo Grande surpreenderem até o progressista Alcides Bernal, o elegendo prefeito e quebrando a hegemonia absoluta de poder peemedebista no estado, o cenário agora é bem diferente.

Além do próprio Bernal, que continua sendo uma ingónita política, as urnas fortaleceram o PSDB, que pode lançar Reinaldo Azambuja tanto ao Senado como ao governo, caso Delcídio se una ao PMDB repetindo em nível estadual a aliança nacional, coisa defendida por seu companheiro de partido e adversário interno Zeca. O provável voo eleitoral dos tucanos, por sua vez, pode vir também a estimular lideranças de outros partidos a fazerem o mesmo, o que pulverizaria candidaturas. Se essa tese deu certo na prática para romper no pleito de outubro o poderio de décadas do PMDB na Capital, porque não repetír a dose em nível estadual?! E embora muitos creiam ser pouco provável que Nelsinho se lance ao governo por um novo partido, já que está sem mandato que o prenda por fidelidade, ninguém pode provar, por enquanto, que isso seja impossível.

Vale lembrar também que Campo Grande, maior colégio eleitoral do estado, acaba de provar não ser mais tão previsível como antes. E dependendo de quem sejam os eventuais candidatos majoritários de 2014, esse eleitorado ficar bastante dividido, o que daria chances concretas ao interior de eleger um governador. Vai daí que esse eventual cenário pode, quem sabe, estimular lideranças de Dourados, segundo maior colégio eleitoral do estado que tem facilidade de atrair apoio de cidades vizinhas, de voltar a tentar realizar o velho sonho de eleger um governador.

Enfim, as hipóteses são muitas nesse jogo onde o movimento de cada peça provocará reações das demais no tabuleiro eleitoral. Muita gente aguardará até a última hora, observando atentamente os movimentos dos demais jogadores, para saber se valerá a pena apostar em candidaturas próprias ou só especular com blefes em eventuais pré-candidaturas para ganhar projeção política na mídia para eleições futuras, ou cargos, ou outras benesses.

Até as convenções que definirão candidatos, muita coisa pode acontecer. Hoje, com o cenário em movimento, fica difícil saber quem será o diferencial. Fica assim, tipo assim um "caminhão de japonês". É óbvio ululante, como diria Nelson, o Rodrigues, que vai ter gente anunciando um salvador aqui, um rei acolá. Falsos apóstolos não faltavam até poucos dias antes do 1º turno das eleições de Campo Grande. Juravam saber quem seria o prefeito. Tais arautos engoliram suas "certezas", embora depois continuasse arrotando desculpas esfarrapadas, por força das urnas, porque só conseguiam ouvir vozes vindas de cima e desprezaram o que tentava dizer o ator mais importante, embora anônimo, desse teatro. O eleitor, que calado ou com gestos gritava por mudanças. 

Esses meros figurantes fizeram acontecer. Mesmo não sabendo, talvez, que peça foi escrita. E continuam na plateia. Aguardando com expectativa os próximos capítulos no cenário da vida real para saber se acertaram ou não. Se porventura não gostarem do que vier a ser exibido, não precisam se penitenciar. Basta tentar de novo. Já estão aprendendo, na prática, que podem escrever uma nova história depois. Afinal, a vida é um eterno aprendendizado. E a urna eletrônica não tem a tecla corrige por acaso. 


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Nascido em Santo André (SP) e radicado em Campo Grande (MS) desde a adolescência, Marco Eusébio é um dos mais experientes jornalistas de Mato Grosso do Sul. Com um estilo refinado e marcante de escrever, ficou conhecido como autor de uma das mais lidas colunas divulgadas em sites de notícias do estado. Agora em formato “in blog” amplia a comunicação com seus leitores através deste Portal www.marcoeusebio.com.br ativado no dia 29/2/2009.

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