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Os bairros “étnicos” mais incomuns pelas cidades dos Estados Unidos

Por Raphael Granucci

Da coluna Viagens
Artigo de responsabilidade do autor

De suecos a etíopes, de iranianos a australianos -- há festivais, comidas e músicas de todos os cantos do mundo no país

Istock Photos

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Andersonville, Chicago

Quase qualquer cidade dos Estados Unidos possui uma Chinatown, mas poucas podem se orgulhar de ter uma "Little Persia" ou uma Greektown". O país que foi construído pelos migrantes ao longo dos séculos tem, como consequência, comunidades estrangeiras espalhadas por quase todos os seus estados.

Segundo o sociólogo holandês Jan Rath, o fenômeno dos bairros “étnicos” é recente e faz parte tanto da expansão dos transportes -- passagens de avião para mais destinos e por valores mais baratos e construções de estradas e ferrovias -- como da circulação de imagens das cidades pelo mundo pelo mercado turístico.

De fato, em 1880, quando Nova York abriu sua Chinatown, a região era delimitada como quarteirões próprios aos asiáticos por sua "percebida diferença". Os nova iorquinos não costumavam frequentar o bairro porque os jornais diziam que ele era perigoso.

Hoje, no entanto, a Chinatown é um símbolo da diversidade cultural e objeto de orgulho cívico da metrópole estadunidense. A seguir, mostramos alguns bairros e cidades que contam histórias da migração aos EUA.

Andersonville, Chicago
Bandeiras suecas dão o tom das ruas de Andersonville, um bairro sueco autêntico próximo ao Lago Michigan, em Chicago, uma das grandes metrópoles dos EUA. Fundado por imigrantes do país europeu em 1850, é conhecido por possuir a maior concentração de cidadãos suecos dos Estados Unidos. O núcleo da região é a Clark Street, onde se encontram padarias, restaurantes e cafés suecos, além do famoso Swedish American Museum of Chicago -- cuja cerimônia de inauguração teve a presença do Rei Carlos XVI -- e de um dos festivais mais populares da cidade: o Midsommarfest.

Fredericksburg, Texas
Fredericksburg é uma pequena cidade texana nomeada assim depois do período do príncipe Frederick à frente da antiga Prússia. É um poucos locais nos EUA em que a primeira língua fala nas ruas era o alemão até a Segunda Guerra Mundial. Hoje, ainda há quem fale o "alemão texano", um dialeto que começou quando os moradores germânicos que fundaram a cidade, em 1846, se recusaram a aprender o inglês. Os pontos mais conhecidos são a Vereins Kirche, uma igreja típica prussiana que hoje foi transformada em museu, assim como restaurantes, padaria e empresas sediadas ali e que vendem produtos alemães para todo o país.

Greektown, Baltimore
Antigamente conhecida como "A Montanha", a vizinhança de Greektown, em Baltimore, recebeu este nome apenas na década de 1980. Como já diz o nome, é um bairro tipicamente grego e, por isso, oferece tudo o que remete à cultura do país europeu: restaurantes e eventos como o Greek Folk Festival, uma celebração de quatro dias que toma conta de todos os quarteirões.

Solvang, Califórnia
Apenas 209 km de Los Angeles, um mundo à parte surge: um vilarejo fundado há um século por um grupo de professores migrantes dinamarqueses que até hoje possui uma população de 6 mil pessoas. Desde a fundação, os nórdicos chamavam o local de "Lugar Ensolarado". Todos os clichês dinamarqueses estão bem representados em forma de moinhos de vento: ali, há cinco padarias da Dinamarca, uma réplica da estátua da Pequena Sereia de Copenhague, uma cópia da Torre Rundetaarn, cartão-postal da capital dinamarquesa, e um busto do escritor Hans Christian Andersen.

Little Australia, Nova York
Possivelmente apenas os australianos chamam a região de Nolita assim, mas recentemente surgiu um bairro dentro dela conhecido como Little Australia que aproximou a comunidade do país oceânico na Big Apple. O coração do local é a Mulberry Street, onde as bandeiras australianas precedem restaurantes, docerias, cafés, butiques especializadas e o B-Space, um auto-proclamado "centro da criativa cultura australiana em Nova York".

India Square, Nova Jersey
Também conhecida como Little India ou Little Bombay, a India Square, em Nova Jersey, tem uma das maiores concentrações de indianos asiáticos do Ocidente (mais de 13 mil, de acordo com o último censo, o que corresponde a 11% da população da Jersey City). Como todas as outras regiões apontadas nesta lista, há restaurantes, lojas e estabelecimentos que rodeiam a Newark Avenue, que termina na praça. Uma vez por ano há o festival Holi e a celebração conhecida como Navratri.

Persian Square, Los Angeles
Persia Square, também conhecida como Little Persia ou “Tehrangeles”, apareceu em Los Angeles depois da Revolução Iraniana, em 1979, e hoje possui a maior comunidade iraniana fora do país do Oriente Médio. Por isso, cresceram ali lojas, restaurantes tradicionais, sorveterias típicas e padarias que vendem fusões de pratos, como a pizza persa ou os famosos kebabs.

Little Ethiopia, Washington
A capital estadunidense também é a casa da maior comunidade etíope fora do país africano: segundo a administração municipal, 200 mil cidadãos da Etiópia vivem ali. Consequentemente, vários negócios funcionam na região -- recentemente, o jornal Washington Post fez uma reportagem mostrando que há uma lista telefônica apenas para as empresas e pequenos estabelecimentos tocados por migrantes etíopes.

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