O Ministério da Justiça pediu 60 dias prazo para transferir do presídio federal de Campo Grande os dez presos suspeitos de terem comandado, da prisão onde estavam (no Rio de Janeiro), guerra de facções nos morros cariocas.
O acordo foi fechado durante reunião na tarde desta quarta-feira, 28 de outubro, em Brasília (DF) entre o prefeito Nelson Trad Filho (PMDB) e a bancada federal sul-mato-grossense com os diretores do Sistema Penitencíaio Federal, Wilson Salles Damázio e Airton Michels. A decisão foi comemorada pelos representantes do Estado.
A transferência de presos considerados de alta periculosidade para Mato Grosso do Sul foi autorizada após pedido da Secretaria De Estado de Segurança Pública do Rio ao Tribunal de Justiça e ao Ministério Público.
O fato, no entanto, mobilizou políticos, entidades e a população sul-mato-grossense. Eles não aceitaram a decisão das autoridades prisionais em mandar para o Estado a maioria dos chefes do crime organizado com atuação no Rio de Janeiro. "Tínhamos que conhecer as explicações das autoridades federais. Mas, felizmente, conseguimos dar uma solução a esse problema, que estava nos incomodando", comemorou o prefeito.
Nelsinho Trad considerou positivo o acordo fechado com os representantes do Ministério da Justiça e atribuiu o resultado à pressão que partiu da sociedade. "Eles ficaram impressionados com a mobilização", afirmou.
Coordenador da bancada federal, o deputado Waldemir Moka (PMDB) afirmou que o resultado da reunião sinaliza que a população não aceitará mais transferências de criminosos sem critério, ou mesmo sem ouvir as autoridades políticas e judiciárias do Estado. "O governo está ciente de que não aceitaremos abrigar número exagerado de presos de alta periculosidade."
O diretor Wilson Damázio explicou que a transferência dos criminosos se deu em caráter emergencial, até que a situação de violência no Estado do Rio seja resolvida. O diretor informou que os presos deverão ser transferidos de Mato Grosso do Sul para as penitenciárias de Mossoró (RN) e de Porto Velho (RO).
Os novos presídios foram inaugurados no ano passado. No entanto, ainda dependem de ajustes para abrigar, com segurança máxima, presos de alta periculosidade, principalmente em relação ao treinamento dos agentes penitenciários.
Participaram da reunião, além do prefeito Nelsinho Trad, os deputados federais Waldemir Moka, Nelson Trad, Geraldo Resende, Marçal Filho (todos do PMDB), Dagoberto Nogueira (PDT) e Antônio Cruz (PP), o senador Valter Pereira (PMDB), o vereador Flávio César (PTdoB) e dois representantes da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil seccional Mato Grosso do Sul).(Com assessoria).
Por: Alessandro Perin - (www.capitalnews.com.br)
