O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi (PDT), veio à Capital na manhã desta sexta-feira, 4 de setembro, e explicou a posição nacional do partido em relação às disputas no Diretório Regional em Mato Grosso do Sul. Vai haver interferência da cúpula pedetista por aqui, disse.
Atualmente, o presidente regional é o deputado estadual Ary Rigo. O mandato dele termina no dia 30 de setembro. Uma nova eleição deveria ser chamada, mas isso não vai acontecer, segundo Lupi. “Eu vou esperar o mandato terminar e vamos montar uma Comissão Provisória.”
Há claramente uma divisão dentro do PDT, polarizada pelos deputados estadual Ary Rigo e federal Dagoberto Nogueira. O ponto culminante seria a possibilidade de uma aliança com o ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos (PT), que pretende ser novamente chefe do Executivo Estadual. Rigo apoia a continuidade de André Puccinelli (PMDB), já Dagoberto quer o retorno de Zeca.
Na pauta oficial do ministro está agenda em Três Lagoas, onde participa de evento sobre capacitação das turmas do Pró-Jovem, à tarde. Ele desembarcou no aeroporto internacional da Capital, onde concedeu entrevista à imprensa. Mesmo com o compromisso em Três Lagoas, não há dúvidas sobre sua real intenção em vir a Mato Grosso do Sul. “Ele vem apaziguar os ânimos”, diz João Leite Schimidt, presidente de honra do PDT no Estado.

Rixa entre Dagoberto (esquerda) e Ary Rigo (direita) causa briga interna no PDT de MS e faz Carlos Lupi (centro) cancelar eleição interna no Estado
Rixa
No dia 22 de agosto, estava marcada a convenção municipal do PDT. A data é proposta pela Executiva Nacional e ocorre em todas as cidades. Naquele dia seria escolhida a chapa da Executiva Municipal. Como de fato foi, mas com celeumas. Acontece que teria havido um acordo entre Dagoberto e Rigo para que umachapa de consenso fosse criada e que nela estivessem pessoas ligadas a ambos os parlamentares. Todavia, Rigo acusa Dagoberto de montar uma chapa sozinho e excluí-lo do processo.
As portas do diretório da Capital foram trancadas e a eleição se deu na varanda do estabelecimento, com a presença de Zeca do PT como convidado. O vereador Paulo Pedra foi eleito presidente.
Rigo disse que pediria anulação da eleição. A briga é grande porque é o Diretório Municipalque escolhe os delegados (membros do partidos) que serão aptos a votar no Diretório Regional, onde, de fato, se dará a decisão se o PDT apoiará Zeca ou André em 2010.
Intervenção?
Embora negue tacitamente que a deliberação de não chamar eleições regionais do partido em Mato Grosso do Sul para a sucessão do mandato que expira em 30 de setembro seja um intervenção, Lupi demonstra uma imposição de cima para baixo dentro do partido. “Não é uma intervenção porque não iremos interromper nada. O PDT é um partido democrático, nós respeitamos as opiniões, mas não há intervenção. Nós vamos chamar uma Comissão Provisória. Estamos convidando o Schimidt para ser presidente dessa comissão porque é uma pessoa neutra e tem ponderação para dirigir isso. É justamente por essa questão dos ânimos que estão acirrados que vamos fazer isso, se não, haveria uma briga interna muito grande. Schimidt vai tentar unir o partido”, disse Carlos Lupi.
O prazo minímo para manter a Comissão, segundo Lupi, é de 90 dias.
Pano de fundo que nada
Antes, a briga interna por decidir se o PDT fica ao lado de André ou de Zeca era somente nos bastidores, mas, de um tempo para cá, isso ficou muito mais evidente e agora escancarou de vez. “Essa disputa é por definição de aliança. O Dagoberto quer ir com o Zeca porque o Zeca disse que ele pode ser senador. Já o Rigo quer ir com o André. Acho que não é por aí. Acho que temos que ouvir a voz rouca das ruas. As alianças devem atender aos interesses do partido, do PDT”, disse João Leite Schimidt.
Dagoberto disse que a decisão de Lupi é a “correta”. “Eu queria ganhar no voto. Eu busquei o voto sempre. Ele [Rigo] e que não quis.Lupi toma a melhor decisão. Essa Comissão Provisória vai ajudar a unir o partido e ficará sob comando do Schimidt que está acima disso tudo.”
O deputado estadual Ary Rigo não foi recepcionar o ministro no aeroporto, assim como os colegas de Assembleia Legislativa Onevan de Matos, Coronel Ivan e Antônio Braga.
Por: Marcelo Eduardo - (www.capitalnews.com.br)
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