A ministra do Planejamento, Simone Tebet, formalizou nesta sexta-feira (27) sua filiação ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) em ato realizado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Após quase 30 anos no MDB, Tebet deixa a sigla para disputar uma vaga no Senado por São Paulo.
O evento contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), do ministro do Empreendedorismo, Márcio França, do líder do PSB na Câmara Federal, Jonas Donizette, do presidente do PSB-SP, Caio França, e da presidente do PSB paulistano, Tabata Amaral, além de vereadores, prefeitos, vices e pré-candidatos.
Durante o ato, Tebet demonstrou entusiasmo com a nova filiação. A presidente do PSB paulista, Tabata Amaral, destacou a importância da chegada da ministra. “Sem a coragem e o compromisso democrático de vocês dois, Alckmin e Tebet, a história teria sido outra. Hoje é um dia simbólico. Essas duas lideranças que ajudaram a salvar a democracia em 2022 estão no mesmo partido, e isso nos enche de orgulho. Querida Simone, sua chegada é natural. Você traz a experiência de quem conhece o Brasil real”, afirmou.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também discursou, afirmando que os eleitores terão que escolher entre quem protege a democracia e quem defende a ditadura. Ele destacou ainda a atuação de Tebet no governo Lula, enaltecendo seus esforços em áreas como educação, saúde, meio ambiente e infraestrutura.
Desafios das mulheres na política
Em seu discurso, Tebet falou sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres na política brasileira. “Sou uma brasileira forjada num berço religioso. Ninguém é feliz vendo a infelicidade alheia; esse é o grande legado que recebi da minha mãe. E meu pai me ensinou que política é missão”, afirmou.
A ministra também defendeu a manutenção do atual vice-presidente na chapa de Lula, ressaltando a busca por unidade política para as próximas eleições. “Defendo que o vice-presidente continue, porque em time que está ganhando não se mexe, na vaga de pré-candidato a vice na campanha do presidente Lula”, disse.
Sobre a composição da chapa, Tebet afirmou que a prioridade será escolher quem possa somar politicamente. “Quem for melhor para a chapa, a gente vem para somar, e não para dividir. Cada voto que eu pedir, pedirei ao meu companheiro ou companheira de chapa”, explicou.
Ao ser questionada sobre a preferência por uma mulher como vice, a ministra destacou a importância da presença feminina, mas reconheceu limitações políticas. “Prefiro mulheres em todos os espaços de poder, mas entre o ideal e o possível, devemos optar pelo possível. Nossa chapa é ampla e forte, e representa exatamente o que o partido defende hoje”.
Campanha enxuta e diálogo direto
Tebet revelou que sua campanha adotará um estilo simples, com poucos recursos. “Com tênis no pé, camiseta, conversando. Só sei fazer campanha olhando nos olhos das pessoas, com a verdade naquilo que acredito. Será uma campanha enxuta. Venho ao partido com pouco fundo eleitoral, mas isso não impede o diálogo direto com a população”, disse.
A ministra também respondeu a críticas sobre a filiação, negando qualquer influência externa sobre sua decisão. “Não sou marionete de ninguém. Vim a São Paulo pelo pedido do presidente Lula e de Alckmin, para disputar o Senado. Ricardo Nunes foi deselegante com as mulheres brasileiras, e não é assim que se faz política”, afirmou.
Trajetória política
Tebet estava no MDB desde 1997, pelo qual foi senadora e candidata à Presidência da República em 2022. Ao migrar para o PSB, passa a integrar o mesmo partido de Geraldo Alckmin.
Em nota, o PSB afirmou que “celebra a filiação de Simone Tebet com entusiasmo, respeito e senso de responsabilidade histórica. Sua decisão honra o nosso partido e engrandece um grupo político que almeja construir o futuro do país”.
O comunicado destaca a trajetória de Tebet: “Simone traz uma combinação rara na vida pública brasileira: firmeza moral, experiência institucional, capacidade de dialogar com o Brasil real, coragem cívica e compromisso democrático. Advogada, professora, prefeita reeleita com 76% dos votos, vice-governadora, senadora, candidata à Presidência e ministra do Planejamento”.
Tebet reforçou que sua decisão de disputar o Senado foi fruto de conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o vice-presidente Geraldo Alckmin. “Há seis meses venho sendo provocada positivamente a cumprir um papel em nome do país. Fui investigar a razão e, para minha surpresa, São Paulo tinha me dado mais de um terço dos votos para presidente da República. Foi onde tive mais votos e maior relevância”, destacou.
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