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COP15

Com foco no Pantanal, Mato Grosso do Sul defende ação conjunta entre países na COP15

Riedel e Lula participam de encontro que reúne autoridades de mais de 130 países em Campo Grande

João Gabriel Vilalba
Capital News

O diálogo entre países é fundamental para a conservação ambiental, incluindo ações como monitoramento, preservação de biomas conectados e manejo sustentável diante dos impactos de infraestrutura. Diante dessa importância, Mato Grosso do Sul busca reforçar parcerias internacionais, o turismo sustentável e outras iniciativas voltadas à proteção do bioma Pantanal.

Com esse objetivo de protagonismo na agenda global de conservação, o Estado sediou, neste domingo (22), o Segmento de Alto Nível que antecede a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS).

O governador Eduardo Riedel participou do evento ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente do Paraguai, Santiago Peña, e de outras autoridades nacionais e internacionais, incluindo lideranças de seis convenções ambientais.

“Somos um Estado que carrega uma responsabilidade ambiental de escala global. Temos três importantes biomas — Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal —, sendo este último um dos ecossistemas mais preservados do planeta, com cerca de 84% de sua vegetação nativa mantida. Proteger o Pantanal é proteger fluxos ecológicos que ultrapassam fronteiras. O que diferencia Mato Grosso do Sul é a forma como escolhemos nos desenvolver. Passamos por um processo consistente de transformação produtiva com o entendimento de que desenvolvimento e conservação não são opostos”, afirmou Riedel.

Álvaro Rezende, Secom/MS

Lula e Marina Silva- COP15

 

De acordo com a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, a realização da COP15 em Campo Grande demonstra a prioridade do governo brasileiro na conservação do Pantanal, a maior planície alagável do mundo e um bioma reconhecido por sua biodiversidade e por ser um ponto estratégico de migração.

O Pantanal sul-mato-grossense é área de parada para cerca de 190 espécies de aves migratórias, que percorrem o continente desde o hemisfério norte — como Canadá e Estados Unidos — até o extremo sul da América, com destino à região da Patagônia.

“Precisamos de acordos, políticas integradas e compromissos conjuntos. É necessário alinhar estratégias e reconhecer que proteger espécies é proteger o equilíbrio global”, destacou Marina Silva.

A conferência reflete, assim como a COP30 realizada no fim de 2025 em Belém (PA), o reconhecimento crescente de que os principais desafios ambientais da atualidade — como as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade — exigem respostas coordenadas entre as nações.

“O Pantanal simboliza de forma singular a riqueza natural da América do Sul e a interdependência entre países cujas faunas e floras atravessam fronteiras. As espécies migratórias mostram que a natureza não reconhece limites territoriais. A onça-pintada, por exemplo, percorre vastas áreas das Américas em busca de território para caça e reprodução. A sobrevivência dessas espécies depende de ação coletiva”, afirmou o presidente Lula.

Sediada pela primeira vez no Brasil, a COP15 deve reunir representantes de 133 países e um público estimado de cerca de 2 mil participantes, entre autoridades governamentais, cientistas, organizações internacionais e representantes da sociedade civil.

Durante o encontro, autoridades debateram, no High Level Segment, o papel das zonas úmidas na conservação das espécies migratórias e os impactos de obras de infraestrutura na manutenção de habitats e rotas.

“É preciso avançar para um modelo que combine regulação com incentivos inteligentes, tornando a conservação uma escolha economicamente viável e não apenas uma obrigação. Precisamos ouvir a ciência. Esse é o caminho que estamos trilhando: alinhar produção e preservação, gerar valor a partir da natureza e posicionar o Estado como uma potência ambiental, além de agropecuária. A COP15 é uma oportunidade estratégica para avançarmos nessa agenda em escala global”, afirmou o governador.

• Saiba mais sobre a COP15 em Campo Grande

O evento também contou com a presença do secretário Jaime Verruck e do secretário-adjunto Artur Falcette, ambos da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), além da ministra Simone Tebet.

Álvaro Rezende, Secom/MS

Presidente Lula e autoriedades internacionais

 

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