Os cerca de 50 policiais que trabalham no Centro Especializado de Polícias (Cepol) de Campo Grande começaram uma manifestação na manhã desta quinta-feira (7) em protesto contra as ruins condições do prédio localizado na avenida Ceará.
Os policiais colocaram faixas em frente ao prédio com os dizeres: “Tolerância zero com as boates. E o Cepol?” e “Corpo de Bombeiros, o Cepol pede socorro. Interditem-me”.
A reivindicação dos policiais não é de hoje. Em agosto de 2010, o Sindicato dos Policiais Civil de Mato Grosso do Sul (Sinpol) realizou a primeira visita no prédio que já apresentava problemas.
O local tem dois andares e abriga cinco delegacias da Capital: Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações (Dedfaz), Delegacia Especializada de Polinter e Capturas (Polinter), Delegacia de Homicídios, Delegacia Especializada de Ordem Política e Social (Deops) e a Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij).
Segundo o vice-presidente do Sinpol, Roberto Simião Souza, os problemas no local vão desde a existência de apenas um banheiro para os 50, a falta de água para os funcionários, ausência de banheiro para o público, a falta de extintores e plano de prevenção contra incêndio.

Banheiro para uso da população que vai até o Cepol está interditado
Foto: Aliny Mary Dias/CapitalNews
“Nós temos que trazer água de casa ou então comprar aqui no posto de combustível com nosso próprio dinheiro. A população que vem procurar nossos serviços também não pode usar o banheiro ou beber água. É uma situação muito ruim”, disse Roberto.
As fiações elétricas do prédio estão expostas. Em algumas partes do teto, o forro está sem a proteção de isopor e segundo os policiais, quando chove o local fica alagado.
“Por dia passam mais de 200 pessoas aqui, não temos condições de atendê-los bem e esse lugar oferece um risco para a sociedade e para nós”, disse o vice-presidente do Sinpol.

Vice-presidente do Sinpol, Roberto Simião Souza, mostra que prédio não possui extintores
Foto: Aliny Mary Dias/CapitalNews
Insegurança
Após o incêndio que matou mais de 235 jovens na boate Kiss em Santa Maria (RS), a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros de Campo Grande começaram uma ação para vistoria de locais que aglomeram grande número de pessoas.
A Deops, que fica localizada no prédio do Cepol, é responsável pelas vistorias, mas os policiais reclamam que a própria sede da delegacia está irregular quanto ao combate de um possível incêndio.
“Não temos extintor, essas divisórias e o teto são altamente inflamáveis. Pedimos para que esse lugar seja vistoriado imediatamente”, declarou Roberto.
Ainda hoje, o sindicato dos policiais deve protocolar um pedido de vistoria do prédio no Corpo de Bombeiros.

Policiais irão protocolar pedido de vistoria do prédio no Corpo de Bombeiros
Foto: Aliny Mary Dias/CapitalNews
Tramitação
A primeira reclamação dos policiais do Cepol foi protocolada em dezembro de 2010 quando os servidores pediram à Vigilância Sanitária que inspecionassem o prédio.
Na mesma época, o sindicato dos policiais enviou uma cópia do pedido ao Ministério Público Estadual (MPE).
O laudo da Vigilância Sanitária saiu em janeiro de 2011 e constatou que o local oferecia riscos aos trabalhadores. A conclusão do laudo dizia que “Sugere-se que o estabelecimento seja reparado de acordo com as desconformidades elencadas. Também há necessidade de manutenção e realização de procedimentos operacionais de promoção e prevenção à saúde e integridade física dos servidores”.
Uma cópia do laudo foi encaminhado pelo Sinpol à Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul e à Secretaria de Saúde Pública de Campo Grande.
Em setembro de 2011, o Ministério Público do Trabalho (MPT) também foi acionado sobre a situação insalubre de trabalho dos policiais.
Transferência
A Secretaria de Segurança Público do Estado, se pronunciou em novembro de 2012 por meio de ofício dizendo que o Cepol será transferido para o prédio do antigo clube dos servidores, no Parque dos Poderes em Campo Grande.
Enquanto aguardam a transferência, os policiais esperam que o poder público faça manutenções no prédio para que o atendimento à população e as condições de trabalho melhores.
“Queremos sair daqui, mas enquanto isso, precisamos ter segurança para trabalhar”, completou o vice-presidente do sindicato dos policiais.
