A delegada Maria de Lourdes Cano, responsável pela Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij), ouviu na manhã desta sexta-feira (25), o proprietário da lanchonete Gugu Lanches, José Bernardo Pereira – pai do adolescente que conduzia o carro envolvido em acidente fatal no fim de semana passado.
Conforme a delegada, José disse que estava em casa descansando e não sabia que o filho, de 15 anos, tirou o veículo Honda City da garagem e saiu de casa, na tarde de sábado (19). O filho dele estava com mais seis passageiros – todos com idade inferior a 18 anos – no veículo que capotou na rodovia BR-262 durante acidente que vitimou um adolescente de 15 anos.
Conforme a delegada Maria Cano, ele afirmou ainda que nunca ensinou o filho a dirigir e o “menino nunca pegou o veículo da família”. Ele completou dizendo que o garoto tinha apreendido a dirigir em carros de kart.
José sustenta também que outro filho chegou em casa dizendo que próximo da residência dele ocorrera um acidente. Ambos saíram correndo para ver. Na manhã de ontem (24), a esposa de José, Mariza Pacheco, contou a mesma versão do marido.
O filho do casal tem 16 anos e está internado em estado grave na Santa Casa. Ele passou por uma cirurgia na boca e não consegue se comunicar.
A delegada titular da Deaij, Maria de Lourdes Cano, relata que os adolescentes estavam em uma festa com outros 25 colegas e amigos. Roberto da Costa, 50 anos, é proprietário da residência em que os meninos se confraternizavam, localizada na Vila Chácara Cachoeira. Em depoimento, afirmou à delegada que estava em casa no momento da festa, mas que trabalhava em outro cômodo e não viu os meninos saindo com o carro.
Costa garantiu à delegada que na residência não havia bebida alcoólica. Ele acredita que outro adolescente tenha trazido bebidas e oferecido aos amigos.
Inquérito pode ser finalizado na sexta
Conforme a delegada, o inquérito pode ficar pronto na sexta-feira (2). Os adolescentes saíram de carro e passaram em uma conveniência na Chácara Cachoeira e compararam garrafas de cerveja. Dois funcionários que atenderam os meninos também prestaram esclarecimentos nesta sexta-feira.
Eles afirmaram que três adolescentes compraram a bebida e que não foram pedidos os documentos para comprovação da idade – porque eles pareciam ter acima de 18 anos, argumentam. O trio retornou ao veículo e saíram fazendo "cavalos de pau". A Polícia Militar de Trânsito esteve no local e encontrou cinco garrafas de cerveja no veículo. Duas estavam cheias.
José Eduardo Tavares Manzione Menegat, 15 anos, foi arremessado para fora do veículo e morreu no local. Conforme a polícia, ele estava sem o cinto de segurança. Além das garrafas foram encontrados três celulares. Um dos meninos estava falando ao celular no momento em que aconteceu o acidente.
A soldado Cynthia Ribeiro da Polícia Militar de Trânsito, disse que no momento em que foi atender à ocorrência não tinha como fazer teste de alcoolemia. Eles estavam dentro da ambulância e estavam em estado grave. O Corpo de Bombeiros tentava fazer reanimação para levá-los às pressas para a Santa Casa.
