Janete, suspeita de ter “comprado” uma menina recém-nascida por R$ 500, nega que tenha praticado o crime. Ela foi ouvida na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) na tarde dessa quarta-feira (7). Janete é patroa da sobrinha de Débora Henrique da Silva Dias Solis, 40 anos, mãe do bebê.
Conforme a delegada Regina Márcia Motta, Janete assumiu que repassou para Débora a quantia de R$ 500, mas alegou que não estava “comprando” a criança e, sim, oferecendo à mãe uma “ajuda de custo”. Janete admitiu ainda que combinou em colaborar com as duas irmãs, Regilene, 36, e Voeni Henrique da Silva, 34, no que fosse preciso para alimentar e vestir a menina.
Regilene trabalha na casa de Janete como diarista e estava passando alguns dias na residência dela para cuidar da criança. Débora também foi ouvida e disse que entregou a filha para a sobrinha, Voeni, acreditando que ela doaria para uma enfermeira da Santa Casa de Campo Grande, onde o parto foi realizado.
As irmãs Voeni e Regilene combinaram de pegar a criança com medo de que ela ficasse abandonada, por isso resolveram pedir a ajuda da patroa, conforme conta Janete. Segundo Janete, Regilene teria pedido a ela que descontasse o valor de R$ 500 de seu salário.
As duas irmãs podem responder pelo crime de subtração de incapaz, uma vez que o caso não é considerado tráfico de criança, pois a mãe entregou a filha para adoção. Regilene pretende cuidar da criança e o nome escolhido por ela é Maria Clara Perpétuo.
O bebê foi encaminhado para um abrigo em Campo Grande, enquanto Regilene está tentando tirar a documentação necessária para adotar a menina. Ela é mãe de três crianças.
Magia negra
Conforme Regilene, Débora trabalha como prostituta e já teria feito 15 abortos. “Ela levou essa gravidez adiante porque os médicos disseram que ela também poderia morrer se abortasse mais uma vez. A minha tia nunca quis esse filho. Ela engravidava para oferecer as crianças em terrenos de magia negra”, alega.
Regilene disse em depoimento que Débora acha que a criança não é filha do marido e que ficou com medo de contar ao esposo que a menina seria fruto de outro relacionamento, por este motivo resolveu entregar a filha para adoção, mas se arrependeu quando chegou em casa e o marido perguntou pelo paradeiro do bebê. Desconfiado, o marido pediu exame de DNA da criança.
Regilene alega que existe um boletim de ocorrências registrado contra Débora após ela ter realizado um aborto aos cinco meses de gestação. Em investigação a polícia teria encontrado remédios abortivos na residência de Débora.
Ela disse ainda que o marido de Débora quis o bebê de volta quando ficou sabendo que se parecia com ele. Após entregar a filha para adoção, Débora teria se arrependido e registrou um boletim de ocorrência no dia 7 de dezembro no Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do bairro Piratininga, em Campo Grande.
Depoimento da mãe da criança
Em entrevista concedida no início da tarde de hoje, ao programa Picarelli “Com Você”, da TV MS Record, Débora disse que não vendeu a filha por R$ 500, que ela apenas teria recebido ajuda de custo da patroa de Regilene, Janete.
“Não vou mentir, recebi sim o valor de R$ 500, mas não estava vendendo minha criança e sim recebendo uma ajuda de custo”, declarou. Ela disse ainda ter se arrependido do que fez, por isso resolveu registrar o boletim de ocorrência.
Débora confirmou que já foi garota de programa, mas que hoje é casada e leva “outra vida”. Na ocasião, Débora negou a acusação de que fazia aborto e entregava os fetos para rituais de magia negra. “Isso é conversa de gente louca”, disse.
A mãe da recém-nascida contou que perdeu um filho que nasceu no Hospital Universitário, após ficar dois dias na incubadora. “Quero minha filha de volta, pretendo operar para não ter mais filhos.”
“Peço perdão para a sociedade, o que eu fiz foi errado, uma vergonha”, declarou Débora perante as câmeras televisivas.
