Melhor nível socioeconômico da família não significa, por si só, garantia de proteção à integridade física e mental e à própria vida da criança.
A morte do garoto Henry, de quatro anos, cuja necropsia constatou 23 lesões, pelas quais são acusados o padrasto e a própria mãe do garoto, é trágica e dolorosa advertência a autoridades, especialistas e à sociedade sobre o quanto as estatísticas sobre agressões físicas, psicológicas e sexuais contra crianças em nosso país podem estar defasadas.
Enquanto a grande maioria de estudos sobre violência infantil têm seu foco, por razões plausíveis, nos setores sociais mais vulneráveis, casos dantescos, como o ‘martírio’ de Henry, evidenciam que melhor nível de renda e de escolaridade da família nem sempre significa proteção e segurança para a criança.
Embora o caso de Henry ainda esteja sob investigação, as evidências até aqui levantadas são de que a criança foi, sim, vítima de seguidas agressões físicas que a levaram à morte. Barbarismo perpetrado por alguém que, além de líder político com sucessivos mandatos, tem, por cruel ironia, diploma de médico, ainda que nunca tenha exercido a profissão.
Outro caso trágico, e com igual teor de crueldade, ainda está na memória coletiva: o menino Bernardo Boldrini, de onze anos, foi assassinado em 2014 com uma injeção letal aplicada pela madrasta. Segundo a polícia e o Ministério Público, com a cumplicidade do pai da criança, até então um médico respeitado na cidade gaúcha de Frederico Westphalen.
Correlacionados aqui pelo conteúdo equivalente de barbárie que encerram, os dois casos nada têm, obviamente, de referencial estatístico. Porém, reforçam, da forma mais desumana e repulsiva, que a posição social da família não significa, por si mesma, garantia de proteção à integridade física e mental e à própria vida da criança.
- Saiba mais
- Um Olhar Sobre a Tragédia Pantaneira
- Cada vez mais frequentes: crises hídricas são alerta de que água é recurso finito
- COP26: O futuro do planeta em debate
- ‘Revoga MS’: Saneamento oportuno
- MS tem 38,29% da população carcerária trabalhando
- A MULHER NA POLÍTICA: Sub-representação Feminina É Desafio Contemporâneo
- Sequela social: pandemia expõe e agrava desigualdades na educação
- COVID-19: Mais contagiosa, ômicron desafia o mundo em 2022
- Pessoas com deficiência: Inclusão enfrenta barreiras
- Um passo importante
- Cartilha do TCE-MS visa garantir transição segura nos municípios
- Efeito colateral: Ao expor diferentes "brasis", pandemia incita energia social
- Tensões Institucionais: Democria exige resgatar diálogo
- Pantanal: Ficção e realidade
- Fronteiras da inovação: TCE-MS e governo digital
- Com EAD, Programa do TCE é Instrumento de Vanguarda
- Auditor de controle externo: Carreira de estado vital para a governança pública
- Mudança climática: Relevância dos órgãos de controle
- Um marco de nosso avanço
- Futuro não é um destino, Mas um lugar a construir
- Pantanal: MPEs unem MS e MT em defesa do bioma
- Governança pública: Por uma cultura da integridade
- Violência contra a mulher: Responsabilidade de todos
- O heroísmo dos profissionais da saúde
- Desafio do século 21: com vacinas anticovid-19, ciência dá lição de governança global
- Pesadelo real: Fome no Brasil é drama diário de 19,3 milhões
- Eleições 2022: O perigo da radicalização
- Campanha eleitoral: Que a sensatez permaneça
- O TCE-MS, o eSocial e A Unificação Virtuosa
- Solidariedade como dever social e ético
- Combate à corrupção: rede de controle de MS inspira programa nacional
- Setembro Amarelo: Prevenção ao suicídio, um desafio de todos
- Pandemia: que papel teremos quando a tragédia virar história?
- Cultura da inovação: Déficit de TI desafia pequenos municípios
- Saúde, direito de todos: Há 34 anos, constituinte definia princípios do SUS
- Desafio contemporâneo: A relevância institucional do TCE-MS - 2
- TCE-MS avança bases de nova cultura de governança
- Educação na pandemia: Dois professores, duas histórias dignificantes
- PNPC: Informação como arma contra a corrupção
- Os TCs e a democracia: Artigo traz reflexão oportuna
- Eleições 2022: Sensatez pela democracia
- O papel decisivo do SUS no combate à Covid-19
- Pandemia: Vacina contra Covid-19 é bem público essencial
- LGDP: Por uma cultura da proteção de dados
- Cobertura da mídia: Guerra na ucrânia eclipsa pandemia
- MS, 45 anos: Breve história, grandes avanços
- Com EAD, TCE-MS qualifica a governança
- ADI do PDT abre judicialização
- Combate à corrupção, desafio civilizatório
- Um Pantanal, Dois Estados E o Nosso Dever Comum
- Tecnologia & cidadania: estrutura virtual a serviço do controle externo eficaz
- Violência na fronteira: Escalada exige pacto binacional
- Censo escolar 2021: Um inventário desafiador
- Covid-19: Consciência cidadã é arma de defesa coletiva
- Crianças e adolescentes: UNICEF Propõe que Municípios Reduzam Índices Sombrios
- Risco real: Radicalismo ideológico bloqueia diálogo sensato
- Alimentação escolar: Garantir nutrição adequada é dever do gestor público
- Campo Grande, 123 anos: Capital do nosso orgulho
- A retomada do Aquário do Pantanal
- Hora é de união de todos contra o inimigo comum
- Gastos emergenciais: A relevância do tce-ms no contexto da pandemia
- MS lidera perda: Água de superfície: o Desastre além do fogo
- Decisão do INEP: Desafio urgente para a educação
- Reconhecimento: Servidor público, agente da cidadania
- Marechal da paz: Nossa dívida com rondon
- Marco da humanidade: Já somos oito bilhões
- TCE-MS, 40 anos: Homenagear nossa história é preparar o futuro no presente
- SÍMBOLOS NACIONAIS: Civismo, a essência da nacionalidade
- Energia mais cara: nível crítico de represas põe em alerta o sistema elétrico
- Bacia do prata: Infraestrutura e integração
- Fogo no Pantanal: Sinais de alerta para tempos desafiadores
- Profissionais da saúde mostram que humanidade pode ser melhor
- Agenda 2030 da ONU: desenvolvimento sustentável é desafio comum e urgente
- A dança dos Insensatos: Festas clandestinas “celebram” a morte
- Busca ativa escolar: Responsabilidade com o futuro
- Eleição e governança: Serviço público e democracia
- A Importância da Prevenção ao Suicídio
- Pandemia impõe revisão de valores como tributo
- Dia internacional da mulher: igualdade de gênero é conquista em construção
- Declínio da pandemia: Sensação de alívio não descarta cuidados e solidariedade
- 25/03, Dia da constituição: Data impõe refletir sobre os riscos do radicalismo
- Volta às escolas: A retomada do ensino presencial
- Corredor bioceânico: Fórum é marco de avanço
- O papel transformador do “TCE-MS Sem Papel”
- Recondução Amplia Empenho Pela grandeza da Corte
- Crianças sem futuro: trabalho infantil desafia e constrange todos nós
- O TCE-MS em 2021: Um ano de respostas aos desafios
- Duas presidenciáveis: Protagonismo da mulher sul-mato-grossense
- Distância Salutar
- SUS deve ser robustecido para desafios pós-pandemia
- O contágio das mentes: A politização da pandemia e o risco de graves “sequelas sociais”
- STF anula aumento a servidores: Recomendação TCE-MPMS alertou para ilegalidade
- Guerra na Ucrânia: Insensatez dos homens, provação para mulheres
- Desenvolvimento de MS: Educação, fator decisivo
- O incentivo à doação de órgãos
- Ideias convergentes sobre o legado do SUS
- Voto feminino, 92 anos: História de lutas e conquistas
- Mudança de Paradigmas
- Localização e Nome Atestam a Notável Visão do Fundador
- 1º de maio: com 14,3 milhões sem emprego, difícil festejar o dia do trabalho
Embora ninguém questione que as crianças que vivem em condições de pobreza estão muito mais expostas a diferentes formas de violência, casos como os que vitimaram Henry e Bernardo advertem para o fato de que as políticas públicas de proteção à infância devem ampliar o foco e refinar o acervo de conhecimento que permite identificar sinais de agressão contra a criança. E não só nos sistemas públicos de educação, saúde e segurança, mas também nas redes particulares de creches, escolas e clínicas.
É preciso reconhecer que o Brasil registrou avanços significativos na defesa da infância e da adolescência, com a adoção de ações consistentes preconizadas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que completou trinta anos em 2020.
Contudo, o poder público ainda falha, tanto na proteção infantil quanto na redução de danos decorrentes de toda forma de agressão contra crianças e adolescentes, como exploração, violência, crueldade e opressão.
Pelo menos 4.971 crianças e adolescentes foram mortos de forma violenta em 2019, segundo o 14º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que apresentou dados de apenas 21 estados. Em 2018, o canal de denúncias do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos registrou inadmissíveis 152.178 diferentes tipos de violações contra crianças e adolescentes.
São números que conferem contornos de verdadeira tragédia humana e social continuada, à qual está exposta boa parte das crianças brasileiras.
E o mais triste é saber que, com impressionante frequência, os responsáveis por violências físicas ou psicológicas, por abusos sexuais e por toda sorte de violações contra essas crianças são membros da própria família, no seio da qual elas deveriam se sentir protegidas e amparadas.
Assim, a crueldade inominável de que foi vítima o garotinho Henry, para além de desnudar a que grau de degradação e perversidade o ser humano (?) pode chegar, nos adverte de que agressões e violações contra crianças não se sujeitam a classes sociais ou nível de cultura e renda.
*Iran Coelho das Neves
Presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul.
• • • • •
A veracidade dos dados, opiniões e conteúdo deste artigo é de integral responsabilidade dos autores e não reflete, necessariamente, a opinião do Portal Capital News |



