Sem acordo bilaterais, o Mercosul começa a perder espaço até mesmo na agricultura para outros fornecedores em diversos mercados pelo mundo. No fim de semana, a União Europeia fechou um acordo de livre comércio com o Canadá, concorrente direto de Brasil e Argentina no mercado agrícola mundial, informou o jornal O Estado de S. Paulo.
Com tratamento especial para a agricultura, Ottawa deve deslocar no mercado uma parcela do consumo que é hoje ocupado por Brasil e Argentina. Em 20 anos, o Mercosul assinou apenas três acordos comerciais, enquanto governos de todo o mundo proliferaram entendimentos com seus maiores parceiros e começam a afetar as exportações brasileiras.
Ha poucos anos, o Brasil superou o Canadá e passou a ser o terceiro maior exportador agrícola mundial. Mas, em diversos setores, os dois países competem diretamente por mercados. Agora, com o acordo, exportadores de carne do Canadá terão livre acesso ao mercado europeu, prejudicando as vendas brasileiras.
A mesma situação ameaça a Argentina no setor de trigo. O produto sul-americano é obrigado a pagar altas taxas para entrar no mercado europeu. Agora, terá de competir com o trigo canadense que ficará isento de tarifas no mercado europeu.
No acordo canadense, 98% das linhas tarifárias serão abolidas já no primeiro dia de entrada em vigor do tratado. Para os europeus, o acordo abre espaço para uma maior exportação de carros, texteis e outros produtos. Já para os canadenses, o acordo deve beneficiar acima de tudo os exportadores de carnes e trigo.
50 mil toneladas de carne bovina canadense entrarão na Europa sem qualquer tarifa, enquanto a carne do Mercosul é obrigada a pagar taxas de mais de 20%. 80 mil toneladas de carne suína canadense também entrarão livres de impostos, enquanto o Brasil hoje não exporta uma tonelada sequer. No total, os europeus irão eliminar tarifas para 94% de suas linhas tarifárias para produtos exportados pelo Canadá, incluindo trigo.
Outros exportadores brasileiros também podem perder. A UE vai acabar com tarifas sobre metais e produtos de mineração, além de facilitar os procedimentos para que empresas canadenses possam participar de licitações para obras públicas, um mercado também de interesse de grandes construtores brasileiras.
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