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Internacional Quinta-feira, 19 de Junho de 2008, 19:04 - A | A

Quinta-feira, 19 de Junho de 2008, 19h:04 - A | A

Grandes petroleiras retornam ao Iraque pela porta dos fundos

Da Redação

As principais empresas petroleiras mundiais se preparam para voltar ao Iraque, por meio de contratos concedidos sem licitação, de onde foram expulsas há 36 anos por Saddam Hussein, de acordo com diferentes fontes.

O acordo deve ser assinado em 30 de junho, segundo o jornal "The New York Times", que cita executivos do setor e um diplomata americano.

Nesses contratos, "serão estabelecidas as bases para as primeiras operações comerciais das grandes empresas petroleiras no Iraque, desde a invasão americana, e lhes será aberto um país novo e potencialmente lucrativo", destaca o jornal, ressaltando que a atribuição de contratos diretos é uma prática pouco comum nessa indústria.

Segundo o ministro iraquiano do Petróleo, Hussein Shahristani, esses contratos devem permitir o aporte de tecnologias modernas ao país, cujo Parlamento se dispõe a aprovar uma lei a esse respeito, afirma o "Times", acrescentando que os contratos podem permitir aumentar o nível de produção do país em 500.000 barris por dia.

Cinco consórcios negociam com o governo iraquiano esses contratos, de dois anos de duração, segundo a revista especializada MEES. As empresas eleitas poderão escolher ser pagas em dinheiro, ou em petróleo.

Os acordos englobam as jazidas petrolíferas de Kirkuk (Shell), Rumaila (BP), Al-Zubair (ExxonMobil), Qurna-Ouest/Fase I (Chevron e Total), da província de Missan (Shell e BHP Billiton) e os de Subba e Luhais (Anadarko, Vitol, e Dome, dos Emirados Árabes Unidos), informa a MEES.

As principais petroleiras mundiais - ExxonMobil, Shell, Total e BP, ou suas predecessoras - eram as acionistas da Iraq Petroleum Company (IPC), que detinha o monopólio sobre os recursos petroleiros do Iraque de 1925 a 1961.

Esses contratos, de assistência técnica, são acordos intermediários concebidos para acelerar o envolvimento das empresas estrangeiras no Iraque, no momento em que o Parlamento discute uma lei federal de hidrocarbonetos e se considera realizar, neste ano, uma convocação a ofertas para contratos de exploração, os quais devem contar com o aval legislativo.

Hoje, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, declarou que o governo dos EUA não está envolvido nos atuais contratos.

"O governo americano se manteve à margem da concessão de contratos pelo petróleo iraquiano. Trata-se de um tema que diz respeito ao setor privado", disse Rice, em entrevista concedida à rede FOX News.

Para ela, esses contratos esperados "mostram que o Iraque se torna interessante e testemunham o potencial desse país para se transformar em um produtor petroleiro ainda mais importante".

Ao mencionar a melhoria nas condições de segurança do país, Rice comentou que "os iraquianos, embora ainda devam adotar uma lei sobre o petróleo, já estão começando a atrair investimentos".

"É, realmente, um bom sinal. Será um bom sinal, se o Iraque puder aumentar sua produção, já que, evidentemente, a oferta e a demanda de petróleo são uma preocupação para todos nós", frisou. (Fonte: AFP)
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