Pesquisadores do Laboratório de Arqueologia do Pantanal (Lapan), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, iniciaram estudos no Porto Fluvial União, em Corumbá, com o objetivo de identificar vestígios históricos no local. A pesquisa combina prospecção, registro e, quando necessário, escavação e preservação de objetos e estruturas que revelem a história da cidade.
Segundo a coordenadora do Lapan, professora Luana Campos, a região concentra registros importantes da ocupação humana, da navegação pelo Rio Paraguai e do comércio colonial. “O porto é um ponto central da memória de Corumbá. Ele guarda informações sobre povos indígenas, a corrida do ouro, a formação das cidades e até conflitos como a Guerra do Paraguai”, afirma Campos.
O trabalho também reforça a importância de integrar preservação e desenvolvimento urbano. A legislação brasileira estabelece que todo patrimônio arqueológico pertence à União e deve ser considerado em licenciamento ambiental. Dessa forma, obras e intervenções só podem ocorrer após a avaliação arqueológica, garantindo que a história não seja perdida.
A pesquisadora destaca ainda que o patrimônio arqueológico pode se tornar um atrativo cultural e turístico. “É possível valorizar esses locais sem impedir o progresso da cidade. O que antes era apenas uma construção ou um terreno pode se transformar em um espaço educativo, que conecta moradores e visitantes à história de Corumbá”, explica Campos. A iniciativa pretende fortalecer a identidade local e oferecer novas perspectivas sobre o passado, o presente e o futuro da região.
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