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Cotidiano Quarta-feira, 19 de Maio de 2010, 14:46 - A | A

Quarta-feira, 19 de Maio de 2010, 14h:46 - A | A

MS tem cinco cidades registradas no Mapa da Injustiça Ambiental e da Saúde no Brasil

Marcelo Eduardo - Capital News

Mato Grosso do Sul possui cinco pontos marcados no Mapa da Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil, divulgado nesta quarta-feira (19), pela Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo Departamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde.

Conforme o levantamento, Dourados, Sidrolândia, Aquidauana, Miranda e Corumbá possuem localidades em que há riscos para a população.

O maior objetivo do levantamento é, a partir de um mapeamento inicial, apoiar a luta de inúmeras populações e grupos atingidos em seus territórios por projetos e “políticas baseadas numa visão de desenvolvimento considerada insustentável e prejudicial à saúde por tais populações, bem como movimentos sociais e ambientalistas parceiros”.

Dourados

Os organizadores inseriram o Quilombo Dezidério Felipe de Oliveira, em Dourados (cidade distante 228 quilômetros ao sul de Campo Grande) como região de conflito. De acordo com o levantamento, a comunidade quilombola enfrenta a resistência de produtores rurais de soja e milho para obter a titulação de seu território.

Existem impactos e riscos ambientais, como alteração no regime tradicional de uso e ocupação do território e falta de irregularidade na demarcação de território tradicional.
Quanto aos danos à saúde, o risco é quanto a falta de atendimento médico e ameaça à segurança alimentar.

Veja mais detalhes sobre o conflito em Dourados

Sidrolândia

Lá, de acordo com o Mapa, há insegurança do trabalho na indústria da alimentação. Os operários que atuam lá. Possíveis acidentes de trabalho seriam os maiores periogos, apontam Fiocruz e Departamento de Saúde.

Traz o relatório trecho de um conflito no local. Em julho de 2007, o indígena Marcos Antonio Pedro, de 29 anos, morreu ao cair dentro do tanque de resfriamento de frangos, quando realizava serviço de higienização da máquina do Frigorífico da Seara/Cargill.

Versão da empresa, segundo o levantamento, teria sido a de suicídio.

A empresa foi também acusada de manter o ambiente de trabalho sem condições de segurança, explica a Fiocruz.

Veja mais detalhes sobre o conflito em Sidrolândia

Aquidauana

O problema na cidade distante 125 quilômetros a oeste de Campo Grande, o problema encontrado pelos organizadores do Mapa é o carvão para siderurgia e mineração, que ameaça terras indígenas, águas, Cerrado e matas do Pantanal.

A população mais atingida são de povos indígenas. Nesta região, vivem muito Terena. O local mais perigoso, segundo a Fiocruz, é da região de Antônio Maria Coelho – atingida pela poluição da siderurgia, pela falta de água e pela expansão da produção de carvão. Lá, moram cerca de 1,2 mil pessoas, aponta o estudo.

Impactos e riscos ambientais seriam alterações no regime tradicional de uso e ocupação do território, desmatamento e queimadas, falta ou irregularidade na autorização ou licenciamento ambiental, invasão e dano a área protegia ou unidade de conservação.

Veja mais detalhes sobre o conflito em Aquidauana

Miranda

Ficruz registra no Mapa a violência econômica e territorial contra as comunidades Terena de Miranda (cidade distante 202 quilômetros a oeste da Capital).

A instituição também encara como problemas ambientais os impactos e riscos ambientais seriam alterações no regime tradicional de uso e ocupação do território, desmatamento e queimadas, falta ou irregularidade na autorização ou licenciamento ambiental, invasão e dano a área protegia ou unidade de conservação.

Os riscos à saúde lá encontrados são, segundo a Fiocruz: acidentes, desnutrição, doenças não transmissíveis ou crônicas, falta de atendimento médico, piora na qualidade de vida. Além de coação física.

Os índios Terena lá vivem em um território demarcado de forma descontínua, cercados por fazendas em seis municípios do Estado. São 19.572 hectares reconhecidos para aproximadamente 2.600 famílias. Ao todo, os Terena somam cerca de 15 mil pessoas. Conforme o levantamento, algumas fazendas ocupadas pelos indígenas já teriam sido homologadas, mas os não-índios ainda permanecem nos locais, pois os fazendeiros ainda esperam por ressarcimento financeiro do governo Federal.

Veja mais detalhes sobre o conflito em Miranda

Corumbá

O problema apontado pela Fiocruz na Cidade Branca (distante 417 quilômetros a noroeste de Campo Grande) é o cultivo de cana-de-açúcar que ameaça o Pantanal. A população atingida é formada por agricultores familiares, pescadores artesanais, ribeirinhos. Os impactos e riscos ambientais são alterações no ciclo reprodutivo da fauna, alteração no regime tradicional de uso e ocupação do território, assoreamento de recurso hídrico, desmatamento ou queimada, erosão do solo, poluição de recurso hídrico, poluição do solo e aumento da demanda por serviços públicos.

Em 2009, governos do Estado e Federal entraram em conflito sobre as permissões de plantações deste tipo em Mato Grosso do Sul, mas, nenhum dos dois zoneamentos propostos permitiam a plantação direta no Panatanal.

Confira mais detalhes sobre o conflito em Corumbá


Por: Marcelo Eduardo – (www.capitalnews.com.br)

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