A Prefeitura de Campo Grande recebeu confirmação do grupo de empresas mexicanas denominado Homex de que a corporação se instalará na Capital com investimentos milionários caso seja aprovado ainda nesta segunda-feira (3) o novo projeto que regulamenta a construção de residenciais privados na cidade. A afirmação é do secretário municipal de Governo Rodrigo Aquino (DEM).
O projeto apelidado nos bastidores de “Mexicano” causou polêmica entre o prefeito Nelson Trad Filho (PMDB) e os vereadores, com direito a acusações e pedido de desculpas por parte do chefe do Executivo. A intenção é construir cerca de 3,1 mil casas em valores estimados de R$ 200 milhões em investimentos.
Hoje, os parlamentares devem se reunir em sessão extraordinária para votar o projeto. “A empresa enviou nota oficial dizendo que se o projeto for aprovado não vai levar os recursos para São José dos Campos (SP) [cidade que disputa com Campo Grande a presença da empresa]”, afirma Aquino à imprensa. “O Planurb [Instituto Municipal de Planejamento Urbano] já está fazendo um caderno de encargos com o que a empresa pode ou não fazer”, complementa.
O anúncio da nota, gerou perguntas dos repórteres. Nos bastidores, se comentava a hipótese de o projeto ter sido feito pelo Poder Executivo por encomenda da empresa. Rodrigo Aquino nega. “Existe outra empresa brasileira interessada também, acontece que a mexicana oferece mais condições.”
Na sexta (30 de abril), os vereadores já fizeram uma sessão extra, mas desistiram de votar por discordância de pontos de vistas no texto original. Eles queriam a inclusão da Câmara nas deliberações dentro do conselho que o projeto cria.
Agora, uma nova comissão foi criada além da de gestão, segundo Aquino. Ela é referente aos atos de fiscalização. Segundo Aquino, de seis em seis meses ela ficará responsável por averiguar as possíveis irregularidades. “Se uma empresa construir 45 casas e 5 delas estiverem fora da legislação ambiental, essa comissão vai apontar as irregularidades à Secretaria de Meio Ambiente e ela tomará as providências cabíveis.”
Todavia, a maior discórdia que impediu a votação na sexta, foram decorrentes de falas de Nelsinho em evento da Prefeitura realizado no mesmo instante em que a votação ocorria. “A Câmara tem que cumprir com a responsabilidade dela. ‘Tão’ fazendo uma barganha suja, que eu não aceito. Não aceito. Não vou envergar minha espinha para barganha suja que a Câmara possa vir a fazer em relação à cidade. Se não votar este projeto hoje, que é responsabilidade e o dever deles, eu vou retirar e quem vai perder vai ser a cidade de Campo Grande. E este ônus, eles vão ter que carregar nas costas deles.”
O presidente da Casa de Leis, Paulo Siufi (PMDB), deu por encerrada a sessão sem votar o projeto. Prefeito e vereadores reuniram-se na Câmara. Nelsinho pediu desculpas pelas frases, segundo os parlamentares, e os vereadores se dispuseram a votar o projeto após emenda que colocava a Câmara como última instância de decisões.
Por: Marcelo Eduardo e Eduardo Penedo – (www.capitalnews.com.br)
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