Campo Grande 00:00:00 Domingo, 09 de Agosto de 2026


Política Sexta-feira, 30 de Abril de 2010, 13:26 - A | A

Sexta-feira, 30 de Abril de 2010, 13h:26 - A | A

Vereadores fazem sessão extra na segunda para votar o projeto sobre empreendimento residencial

Eduado Penedo e Marcelo Eduardo (www.capitalnews.com.br)

Os vereadores decidiram há pouco que na segunda-feira (3), às 9h, realizarão uma sessão extraordinária para votar o projeto sobre empreendimentos residenciais que causou muita polêmica na sessão extraordinária desta sexta (30) da Câmara de Campo Grande.

O projeto seria por conta de investimentos de cerca de R$ 200 milhões de grupo mexicano chamado Homex para a construção de 3,1 mil casas de 50 m² e a previsão é de gerar 2 mil empregos diretos e 32 mil indiretos durante as obras. As informações foram repassadas pelo vereador Airton Saraiva (DEM), que é presidente da Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final (CCJR).
Saraiva disse que a data foi escolhida em função de alguns pontos que divergem no projeto, principalmente sobre o conselho – órgão que gerenciará o projeto. Ele comentou ainda que o conselho deve ser consultivo e não deliberativo como designa o projeto original . “Haverá uma emenda coletiva assinada pelos vereadores e será apresentada na segunda-feira”, disse.

Esse projeto gerou polêmica na Casa de Leis em razão da declaração do prefeito Nelson Trad Filho (PMDB) que disse, em evento no Dom Antônio Barbosa, que os vereadores estariam fazendo uma “barganha suja” para votar os projetos de reajuste e o do residencial em troca do aumento do duodécimo (verba que o Executivo é obrigado a mandar para o Legislativo Municipal, para que custei suas contas).

O projeto foi enviado no final da tarde de quarta-feira (27) para a Câmara e na quinta-feira, os vereadores se recusaram a votar o projeto afirmando que, para isso, ele deveria ter sido enviado no mínimo 24 horas antes da sua votação.

Após terminar a sessão extraordinária que aprovou o reajuste dos servidores municipais. O prefeito da Capital se reuniu com os vereadores para negociar a aprovação do projeto sobre os residenciais.

Segundo o prefeito, hoje (30) é o último dia dado pelo grupo mexicano Homex para aprovação do projeto. Se isso não ocorrer, o empreendimento pode ir para São José dos Campos. “Tentei explicar aos vereadores que o empreendimento vai beneficiar 3 mil famílias. Tirei as dúvidas dos vereadores que estão analisando o projeto e vão montar uma comissão para acompanhar os procedimentos. Já temos até catorze assinaturas de vereadores [o que garante a possibilidade de votação com urgência].”

A diretora-presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Planurb), Marta Martinez, disse que o projeto de urbanização será um consórcio que terá que passar pela Câmara para ser apreciada.

Dia conturbado

Ainda pela manhã, o prefeito Nelson Trad Filho foi ao Dom Antônio Barbosa, dar continuidade a projetos da Prefeitura. Chegou conversando em voz alta, bastante próximo à imprensa, ao telefone. Falava que retiraria o projeto se não votasse hoje. Indagado sobre a então não aprovação dos projetos do “grupo mexicano” (sobre o dos residenciais) e dos reajustes, afirmou que acreditava ser uma “barganha suja”. “A Câmara tem que cumprir com a responsabilidade dela. ‘Tão’ fazendo uma barganha suja, que eu não aceito. Não aceito. Não vou envergar minha espinha para barganha suja que a Câmara possa vir a fazer em relação à cidade. Se não votar este projeto hoje, que é responsabilidade e o dever deles, eu vou retirar e quem vai perder vai ser a cidade de Campo Grande. E este ônus, eles vão ter que carregar nas costas deles.”

Este é um projeto dos mexicanos? Um repórter perguntou. “Então, este é um projeto que vai gerar mais de R$ 200 milhões dentro da cidade. Com três mil unidades habitacionais. Que que é isso? Esse povo [com relação aos vereadores] tem que pôr a mão na consciência.”

Por que eles não querem votar, prefeito? Foi a próxima indagação. “Porque diz que tem uma questão de aumentar o duodécimo de 4,5% para 5%. A lei diz que é 4,5%. Eu não vou dar mais dinheiro para a Câmara Municipal”, respondeu Nelsinho.

Já na Câmara, após reunião com os vereadores, Nelsinho, comentou o assunto. “O projeto tem uma amplitude muito maior do que qualquer questão política ou administrativa. É um projeto de beneficio para a cidade. São três mil famílias que serão contempladas a partir do momento que se efetivar a aprovação dessa urbanização. Tirei as duvidas dos vereadores. Tem lá uma comissão formada para acompanhar essa situação. Eles [vereadores] vão fazer uma emenda para colocar a Câmara Municipal para acompanhar de perto. Não tem problema nenhum de eles acompanharem isso. A Câmara Municipal, tenho certeza, vai honrar com sua responsabilidade, e acho que vai votar hoje [mas, ficou para segunda]. Tem 14 assinaturas, tem regime de urgência especial, e dispensa as questões regimentares.”

Após a explicação, Nelsinho foi indagado se pedira desculpas aos parlamentares, por conta da fala da “barganha”. “Foi me feita uma pergunta de uma forma, vamos dizer assim, maldosa. Tipo uma pegadinha. Eu não estava sabendo o que estava acontecendo aqui e me perguntaram se o que eles estavam fazendo era em cima de uma barganha. Eles esclareceram esta questão e eu também esclareci de que essa não foi a minha intenção.”

Boa parte dos vereadores ouviram as gravações das falas de Nelsinho. Se diziam incrédulos sobre a afirmação e pediram as informações à imprensa.

Assim que saíram da reunião entre os vereadores – que continuou após a saída do prefeito – Airton Saraiva (DEM) e Maria Cesar (PPS) confirmaram que Nelsinho disse que a pergunta teria sido formulada da forma como contou à imprensa assim que saiu da sala. Mas, ambos disseram que ele pediu desculpas sim.

“O projeto demorou muito para chegar aqui. ‘Tá’ rolando faz uns 60 dias. O grande problema, é que ele ficou muito tempo para mandar para cá. Quando mandou, já tava ficando com o prazo estourado [deu a entender que é o prazo para ter o projeto dos mexicanos]. Porque tem outras cidades para esta empresa. Então, não queremos perder isso. Tem gente com poder aquisitivo para comprar e é um empreendimento bom”, disse Saraiva. A respeito da afirmação de Nelsinho, ele comenta. “Ele foi perguntado duramente pelo presidente. Cobramos dele uma posição. (...) Ele falou que a pergunta foi direcionada. Que a pessoa já chegou fazendo essa pergunta para ele. (...) Ele se desculpou.”(modificado às 15:08 para acréscimo de informação)


Por: Eduardo Penedo e Marcelo Eduardo (www.capitalnews.com.br)

 

 Veja também:

 30/04/2010 - 19:02
  Vereadores terão tempo para analisar Projeto Polêmico

 30/04/2010 - 16:11
  Assinada ordem de serviço para obra da usina de triagem de lixo, que deve ficar pronta em 1 ano

 30/04/2010 - 13:44
  Prefeito não admite ter se desculpado com vereadores por declarações

 30/04/2010 - 13:03
  Nelsinho tem até dia 15 para decidir suplência de Murilo

 30/04/2010 - 11:44
  Vereadores repudiam acusação de que estariam fazendo "barganha" pelo duodécimo

 30/04/2010 - 10:32
  Sessão que vota reajuste começa e Nelsinho vai à Câmara para garantir votação

 30/04/2010 - 10:15
  R$ 20 milhões para estragos chegam semana que vem

 30/04/2010 - 10:04
  Nelsinho diz que não vai desistir do Pró-Transporte e recurso chega antes das eleições

Comente esta notícia


Reportagem Especial LEIA MAIS