Enquanto o PMDB tem Paulo Siufi, Edil e Marun e alguns de seus principais partidos aliados já ensaiam emplacar pré-candidatos como os deputados federais Giroto pelo PR, Mandetta pelo DEM e Reinaldo Azambuja pelo PSDB, o PT vive um dilema hamletiano para escolher um nome ideal para a sucessão do prefeito peemedebista Nelsinho Trad em Campo Grande no ano que vem. Todo processo deve passar sob a batuta e apoio do senador Delcídio do Amaral que desde já leva a sério o projeto de disputar a sucessão do governador André Puccinelli (PMDB) em 2014 e sabe que esse caminho passa, necessariamente, pelas eleições na Capital. E tudo o que o PT não quer aqui é repetir o que fez em nível nacional o PSDB, ou seja, por causa de disputas internas, lançar um candidato que já nasce derrotado.
Vander Loubet é o primeiro a articular nos bastidores para ser pré-candidato entre os petistas. A seu favor conta a estrutura do mandato de deputado federal. Contra ele pesa a baixa densidade eleitoral obtida quando disputou o cargo com apoio do tio e então governador Zeca. Ao enfrentar Nelsinho em 2004 Vander obteve 22,99% dos votos, pouco mais do que os 21,20% de Ben Hur na eleição anterior, em 2000, contra o então prefeito Puccinelli, que era quase uma unanimidade em sua reeleição. E menos do que os 23,23% de votos campo-grandenses conquistados pelo ex-deputado estadual Pedro Teruel que concorreu quase como que simbólicamente contra Nelsinho na reeleição do prefeito em 2008.
Embora sobrinho de Zeca e esteja há alguns meses buscando se aproximar de Delcídio, falta ainda a Vander a unanimidade petista e o PT sabe que para visar o governo estadual necessita unir de fato o partido, cujo racha entre os grupos liderados pelo senador e pelo ex-governador que há muito as lideranças tentam negar em público, mas ficou ainda mais visível após as eleições para o governo estadual em 2010. No dia da eleição, Zeca declarou não ter tido apoio de Delcídio. E o senador não se fez de rogado. Prontamente respondeu que sabia bem como era isso pois também não teve apoio quando disputou o governo, embora, na época, o governador fosse petista.
Na opinião de algumas lideranças petistas, o entendimento entre as duas principais lideranças da sigla é vital. Para esses companheiros, dentre eles simpatizantes de Delcídio e de Zeca, o ex-governador para prefeito apoiado pelo senador seria a saída natural para selar, enfim, a paz no PT regional, assegurando a contrapartida de apoio para a sucessão estadual. Pesa contra o ex-governador, entretanto, a própria dificuldade de conciliação com Delcídio e um considerável índice de rejeição principalmente entre eleitores das chamadas elites na Capital. Em contrapartida, defensores de uma eventual pré-candidatura de Zeca observam que este acabou de sair de uma eleição estadual em que, embora não eleito, foi preferido por 155.662 eleitores em Campo Grande, (37% dos votos válidos) o que não é nada desprezível, principalmente levando-se em conta a pouca estrutura de campanha empregada contra um governador no mandato. Uma aproximação com Biffi seria também essencial para esse consenso. Embora adversário interno com seu colega de bancada Vander na disputa por votos nas bases partidárias, o deputado federal Biffi, provavelmente só para provocar Zeca, chegou a “lançar” Loubet como pré-candidato em seu aniversário em março na Capital.
Apesar das rivalidades, há quem acredite que, primando pelo bom senso, resistências de ambos os lados possam ser rompidas em prol do objetivo único e de todos os companheiros que é o resgate da força estadual do PT. Outros bons nomes para a disputa são cogitados na sigla, como o do deputado estadual Pedro Kemp, cuja rejeição é considerada baixa. Porém, como integra a ala mais à esquerda do partido, Kemp teria dificuldade para ser aceito como candidato em detrimento de nomes que integram os grupos majoritários ligados a Delcídio e a Zeca.
Desde já os petistas observam atentos a movimentação em outros partidos que cogitam lançar candidatos para enfrentar o PMDB cuja hegemonia na maior prefeitura do estado dura há quase duas décadas. Múltiplas candidaturas de peso poderão tirar votos governistas apesar da força motriz da máquina e levar o pleito para um segundo turno. E como já tem um índice histórico de 30% de aceitação dos eleitores locais, o PT começaria bem uma campanha em que houvesse mais de um candidato que pudesse abalar as a forte estrutura e ampla aliança que via de regra é montada pelo partido governista. Acontece que antes de estimular outras candidaturas, entretanto, o PT deve resolver seu dilema interno de quem poderá ser ou não ser o candidato que possa agregar, com real companheirismo, as forças delcidistas e zequistas.
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Em Corumbá, PT deixa dilema para os outros...
Se em Campo Grande o PT vive o dilema de quem lançar com densidade e unidade interna para a sucessão do prefeito Nelsinho Trad, em Corumbá o problema é dos aliados. Até agora, embora ainda não assumida pelo protagonista, a pré-candidatura natural do deputado estadual Paulo Duarte à sucessão do companheiro prefeito Ruiter Cunha impera sozinha. Valendo frisar que, ligado ao ex-governador Zeca, ele conta com o importante apoio do senador Delcídio do Amaral. Para muitos seria o nome ideal do PT para unir o partido na disputa pela Prefeitura de Campo Grande. Mas o deputado corumbaense não cogita a hipótese de mudar seu domicílio eleitoral.
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