Os "Prefeitáveis" Petistas...
A corrida pela sucessão do maior cargo executivo municipal de Mato Grosso do Sul começou logo após as recentes eleições de outubro de 2010.
Desde já, dois anos antes de o mandato do prefeito Nelsinho Trad terminar em Campo Grande, já despontam em seu partido, o PMDB, que há duas décadas comanda o Executivo local, pré-candidatos declarados e alguns velados já despontam em busca de aceitação interna e externa para viabilizar a candidatura para 2012.
Do lado do rival PT, entretanto, até agora nenhum nome veio à público. Por isso, os últimos a se manifestarem serão os primeiros que tentarei decifrar seus pros e contras aqui no Blog. Vamos aos "prefeitáveis" petistas...
Pedro Kemp, deputado estadual reeleito:
A favor... Embora integre a ala mais à esquerda do partido, não é considerado "xiíta" e, ligado à Igreja Católica, tem aceitação no eleitorado mais conservador e excelente trânsito na classe média de Campo Grande cuja rejeição ao PT tem sido preponderante nas derrotas sofridas pelo partido na cidade.
Contra... A corrente petista da qual é um dos líderes, a Articulação de Esquerda (AE), é minoritária no PT. Embora não tenha animosidade em relação às duas principais lideranças do partido, o senador reeleito Delcídio do Amaral e o ex-governador Zeca do PT, não integra as correntes lideradas pela dupla e, portanto, não é um candidato natural de nenhum dos dois. Além disso, não tem experiência de atuação no Executivo, embora Lula também não tivesse e se tornou o presidente com maior aprovação na República Federativa do Brasil.
Paulo Duarte, deputado estadual reeleito:
A favor... Tem boa aceitação e relacionamento com a classe média de Campo Grande e, ao contrário da maioria dos companheiros, não enfrenta o endêmico problema de rejeição local deste segmento da sociedade em relação à candidaturas do PT. Ex-secretário de Fazenda, também possui bom relacionamento com o empresariado da Capital.
Contra... Sua base eleitoral é Corumbá e se mudar o domicílio eleitoral para disputar a Prefeitura de Campo Grande enfrentaria uma missão de elevado risco político. Se não vencer as eleições na Capital, dificilmente seria perdoado e aceito “de volta” pelos eleitores corumbaenses. Além disso, como tem sido um dos poucos e principais nomes de oposição do governo na Assembleia, provavelmente teria o governador ex-prefeito André Puccinelli (PMDB), de elevado índice de aprovação local, pedindo votos contra ele na Capital.
Pedro Teruel, deputado estadual
Contra... Já foi testado pelo PT nas urnas disputando a Prefeitura de Campo Grande contra Nelsinho Trad (PMDB) e não teve bom desempenho. Depois de não conseguir se reeleger à Assembleia neste ano, é descartado por lideranças partidárias no rol de candidaturas (pra valer) dos petistas.
Zeca do PT, ex-governador
A favor... Alavancou o crescimento do PT no estado e leva a sigla do partido no nome. Tem experiência administrativa, carisma político e, embora derrotado nas eleições deste ano pelo governador André Puccinelli (PMDB), demonstrou cacife eleitoral respeitável em outubro depois de uma campanha declaradamente com pouco dinheiro e estrutura.
Contra... Símbolo do PT regional, enfrenta forte rejeição na classe média de Campo Grande. E depois de reclamar em público da falta de apoio do grupo do senador Delcídio do Amaral à sua tentativa de voltar ao governo neste ano, fez crescer a dificuldade de unificar o partido em torno de seu nome como hipotético candidato à prefeito, embora continue sendo um dos mais fortes nomes da sigla para as eleições da Capital do estado.
Gilda dos Santos, ex-primeira-dama
A favor... É querida dentro do partido e também pela maioria do eleitorado formado pelas classes C e D que engrossam as regiões mais carentes da cidade, por ter levado os louros das ações sociais promovidas nos oito anos de governo estadual petista.
Contra... Por ser mulher de Zeca do PT, enfrenta da classe média de Campo Grande resistência semelhante à do marido ex-governador.
Delcídio do Amaral, senador reeleito
A favor... Se tornou recordista de votos em Mato Grosso do Sul ao se reeleger senador e provou ter quebrado a rejeição da classe média da Capital e de eleitores dos demais partidos, mesmo os do rival regional PMDB. Foi credenciado, indiscutivelmente, pelas urnas, como a principal liderança com mandato do PT de Mato Grosso do Sul.
Contra... Já declarou que seu projeto é ser eleito governador na sucessão de André Puccinelli (PMDB) e não deve querer perder o foco nem se desgastar com eleição municipal.
Vander Loubet, deputado federal reeleito
A favor... Quando chefe da Casa Civil do governo, foi o articulador político do tio governador Zeca com a Assembleia e também atraiu apoio de prefeitos de diversas regiões. Neste ano, reeleito deputado federal com expressiva votação, confirmou ter capacidade de articulação levando verbas federais aos municípios e atraindo apoio de prefeitos e parlamentares estaduais de vários partidos, inclusive do rival PMDB. Com isso, desmistificou a crendice de que só seria eleito enquanto tivesse o tio governador. Disputou e perdeu a prefeitura da Capital, enfrentando Nelsinho Trad na época em que este teve o apoio do então prefeito com maior aprovação na cidade, o atual governador Puccinelli, o que não é descrédito. Vander não esconde seu interesse em ser candidato e, por enquanto, desponta como o principal nome do PT para disputar a Prefeitura da Capital.
Contra... Sobrinho de Zeca, terá de conquistar o apoio do senador Delcídio do Amaral para unificar o PT em torno de sua eventual candidatura. Mas como Delcídio também deve buscar unir os petistas para seu projeto de virar governador, talvez seja este o caminho para selar, enfim, o pacto companheiro entre os dois grupos majoritários do PT estadual. E o apoio do "senador de todos", slogan de campanha de Delcídio, provavelmente ajudaria a quebrar ou, pelo menos, reduzir a rejeição da classe média campo-grandense a um candidato a prefeito petista.
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