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Dentre lideranças da corte tucana, há quem defenda que para as eleições deste ano em MS o deputado federal Reinaldo Azambuja (PSDB), depois de ganhar ampla projeção ao disputar a Prefeitura da Capital, deveria ter se colocado pré-candidato à cadeira de governador desde o início do ano anterior. Assim, argumentam, poderia ampliar o leque de conversações com demais lideranças e partidos e articular uma forte aliança para disputar tanto o governo, como a cadeira de senador.
Para essa ala, a pré-candidatura declarada ao Senado à espera de uma definição da chapa do senador Delcídio do Amaral (PT) ao governo é uma tática muito arriscada. "Quem garante que na última hora o senador não possa anunciar uma oportuna decisão do presidente nacional do PT, Rui Falcão, vetando a aliança com o PSDB?", questiona um integrante da nobreza tucana de Campo Grande, ao confidenciar sua apreensão de que a realeza do partido talvez não enxergue esse hipotético cenário.
Para ilustrar o receio de que sua sigla esteja esperando demais para construir seu próprio caminho nas eleições e dizendo temer que a cúpula de seu partido possa estar perdendo precioso com promessas alheias e correndo risco de ter esvaziadas as opções de alianças na reta final, tal tucano lembra o conto infantil "As roupas novas do imperador", de Hans Christian Andersen, publicado em 1837.
Na fábula, um homem que se faz passar por alfaiate de terras distantes, diz a um rei que poderia fazer uma roupa muito bonita e cara, que só pessoas inteligentes e especiais poderiam ver. Vaidoso, o rei encomendou a tal vestimenta. O falso alfaiate recebeu baús cheios de riquezas, rolos de linha de ouro, seda e materiais raros e exóticos, exigidos por ele para a confecção. Guardou tudo e ficou no tear, fingindo tecer fios invisíveis que as pessoas, para não parecer estúpidas, alegavam ver.
Quando o falso tecelão terminou sua “obra” e mostrou a mesa vazia, o rei exclamou: “Que lindas vestes! Você fez um trabalho magnífico!”. Afinal, dizer que não havia nada ali seria admitir na frente dos súditos que não tinha a inteligência necessária para ocupar o trono.
Os nobres ao redor soltaram falsos suspiros de admiração pelo trabalho. O rei, então, marcou uma grande parada para exibir suas vestes especiais na cidade. Ao passar diante de uma criança, esta grita: ´O rei está nu!`. O grito é absorvido por todos. O rei se encolhe, mas, em seguida, segue orgulhosamente sua procissão.
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