Dois meses e meio após a morte de Gabrielly Ximenes Souza, de 10 anos, espancada na escola por duas colegas, laudo necroscópico do IML (Instituto Médico Legal) apontou que a menina tinha uma doença genética assintomática, desconhecida até pelos próprios pais, que contribui para o agravamento do seu quadro de saúde, culminando em seu falecimento.
De acordo com a titular da Deaiji (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude), Ariane Murad, a menina sofria de imunodeficiência primária, doença que causa uma predisposição a infecções, e, por isso, não suportou os golpes recebidos.
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Ela foi agredida por duas adolescentes de 13 anos na saída da escola estadual Lina Villachá, em 29 de dezembro de 2018, e teve um deslocamento no quadril. Ela foi internada com artrite séptica na Santa Casa de Campo Grande, que se desenvolveu a um quadro de infecção generalizada, e morreu no dia 6 de dezembro, após sofrer quatro paradas cardiorrespiratórias.
Segundo a delegada, as adolescentes devem responder por ato infracional de lesão corporal culposa, e não por homicídio, já que não sabiam que as agressões poderiam resultar em morte. O caso será encaminhado para a Vara da Infância e Juventude, no Tribunal de Justiça, para análise e eventual aplicação de medida socioeducativa.
Reconstituição
Para reconstituir as cenas de agressão, a investigação, através de ordens de serviço, localizou testemunhas que presenciaram as agressões. De acordo com a delegada, no mesmo dia das agressões, a menina teria se desentendido com uma colega de sua sala, de 9 anos. Na hora da saída, a mãe de um aluno presenciou a colega puxando o cabelo de Gabrielly.
A cerca de 300 metros da saída do colégio estadual, duas adolescentes de 13 anos, sendo uma delas prima da colega de 9, começaram a agredir Gabrielly com mochiladas e chutes. Ela foi ao médico, que acabou por liberá-la, e depois internada na Santa Casa. A investigação aponta que não houve negligência médica.
A doença de Gabrielly, segundo o laudo, é difícil de ser identificada e pode passar despercebida durante toda a vida. A perícia analisou todos os prontuários de saúde da criança, que sempre era atendida em postos de saúde, mas por doenças comuns na infância. Durante a análise, o perito tirou tecidos de circo órgãos da criança.


