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Quinta-Feira, 17 de Maio de 2018, 07h:00
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Os verdinhos e o pantanal

Por Rubem Mauro Palma De Moura*

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Os autos intitulados ecologicamente corretos infernizam a vida de vários segmentos da sociedade. Os primeiros que sofreram nas mãos desses ativistas foram os fazendeiros do Pantanal. Sem reconhecer a vivência de mais de duzentos anos na lida com o subir e baixar das águas atormentaram suas vidas. Alegando saberes adquiridos em suas formações acadêmicas, se atreveram a dar ensinamentos a aqueles que receberam de seus antepassados como conviver em harmonia com aquele ambiente.

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Rubem Mauro Palma De Moura - Artigo

Rubem Mauro Palma De Moura


Atreveram-se proibir a limpeza da pastagem natural, a subtração de pragas pelo uso do fogo como elemento essencial para essa limpeza que com o passar dos anos foram tomando conta das campinas. Tanto aprontaram que alguns abandonaram suas terras, impedidos e até multados pelos órgãos fiscalizadores, que sofrem até hoje a influência nefasta dessa turma.

Assim foi também com o plantio da cana e as respectivas usinas para a produção de álcool, combustível renovável e muito menos poluente que os de origem fóssil. Hoje em torno de 70% da frota nacional faz uso desse combustível, que é nosso e que tem feito a diferença versos ao alto custo dos de origem fóssil.


Uniram-se com os verdinhos de MS (Mato Grosso do Sul), para segundo eles, salvarem o Pantanal, que até um pobre coitado se suicidou na Praça do Rádio Clube lá em Campo Grande. Faziam discursos que nunca usariam esse combustível e hoje estão todos com seus veículos Flex e invariavelmente, abastecendo-os com etanol. Mais uma vez as suas profecias falharam e o nosso querido Pantanal está aí firme e forte.

Agora, encontraram um novo inimigo para o Pantanal, as PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) desconhecem que as mesmas, assim como todas as Hidrelétricas são não consuntivas, ou seja, não consomem água. Usa-as para produzir energia e as devolvem aos cursos d’água quase de imediato, sem alteração de quantidade e qualidade. O que não podemos admitir é que esses empreendimentos alterem o regime hídrico dos rios, pois o Pantanal vive dessa sazonalidade. Não permitir que o Operador Nacional controle a produção de energia é outra medida desde 2006, por mim já proposta, “ APM Manso” assim já opera. As PCHs, que possuem ou não pequenos reservatórios já por si só operam dessa maneira. Não interferir no processo migratório para a reprodução dos peixes é outra medida restritiva que deve ser observada.

No mais é achismo, desconhecimento e formação profissional não condizente para uma análise correta. São invariavelmente profissionais da área de ciências naturais, com formação para tratar do ambiente sem ocupação humana. Nenhum país do mundo se desenvolveu sem demandar sobre os recursos naturais, e para isso dispomos hoje de conhecimento para que isso possa acontecer com menos impactos.

Nenhuma ação pode ou deve ser feita por uma só profissão, a questão ambiental é multiprofissional, portanto é indispensável à integração da área tecnológica, pois estes profissionais são preparados para trabalhar com a minimização dos efeitos das ocupações. Esperamos, com toda sinceridade que o MPE (Ministério Público Estadual) passe a escutar esses profissionais, antes de acatar denúncias formuladas por leigos.

O que não podemos é demonizar as PCHs por conta de alguns projetos implantados que não mereceram dos órgãos fiscalizadores uma análise correta.

 

 

*Rubem Mauro Palma De Moura

Engenheiro Civil pela UnB, Especialista em Hidráulica e Saneamento pela USP São Carlos, Mestre em Ambiente e Desenvolvimento Regional pela UFMT, Professor aposentado da UFMT, lotado no Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental.

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