Na escala evolutiva em um determinado momento o ser humano se tornou Homo Sapiens, significa que, a partir daquele momento, ele tornou-se conhecedor e manipulador do conhecimento.
Surgiram as primeiras dúvidas, as primeiras perguntas, mesmo que intrinsicamente, surgiu a vontade de saber, de conhecer. Tudo, literalmente tudo, passou a ser fonte de entendimento mas com um agravante, não queríamos apenar conhecer, mas também transmitir o conhecimento como forma de perpetuá-lo.
Queríamos saber e explicar como as cosias surgiram, como as forças da natureza funcionavam, como as pessoas viviam, em quê se tornaram e porque agiam de um jeito ou de outro. Enfim, simplesmente era preciso conhecer.
Sabemos que com o passar do tempo métodos que auxiliam na busca do saber foram sendo criados e a gama de conhecimento adquirido a cada dia aumentando. Chegando ao ponto do próprio ser humano admitir que quanto mais se conhece menos se sabe.
Todavia a grande finalidade do conhecimento é tirar o ser humano da ignorância, que é a falta de conhecimento e o que gera o preconceito, a estupidez, a violência, dentre tantos outros problemas. Sua maior finalidade é espantar a ignorância não só em relação às coisas, mas também em relação a si mesmo. Portanto precisamos nos conhecer.
E só há um caminho para tal, para nos conhecermos é preciso cultivar a memória que se preserva na história; é preciso permitir a liberdade de pensamento, que se fortifica na dialética; é preciso incentivar a arte nas suas mais diversas formas de expressão, pois não queremos só comer e beber, queremos mais, necessitamos dar brilho à vida; é preciso entender que somos seres culturais e como tal precisamos percorrer os caminhos da formação da nossa cultura, saber como ela foi formada e interpretada, entendida e porque se perpetua.
Somos seres biológicos (genótipos), mas também sociais (fenótipos). Não basta simplesmente viver em sociedade, mas é preciso entendê-la também. Para que soluções sejam apontadas, distorções sejam corrigidas e novas realidades surjam.
Portanto, não é possível ver que em pleno século XXI, com tantos desafios tão pertinentes e necessários, se discute qual ramo do conhecimento é mais importante do que outro. A situação parece retroceder aos tempos em que vivíamos nas cavernas. As ciências humanas, a exemplo das demais devem servir única e exclusivamente para o aperfeiçoamento do próprio ser humano.
Precisamos do nosso trabalho (dinheiro dele proveniente), das invenções, dos medicamentos, das construções e de tantas outras coisas, mas precisamos também ser um ser humano melhor, que se valoriza através da sua identidade, história e cultura. Não é possível incentivar a ignorância.
Mas no Brasil quando a gente pensa que já viu tudo, provavelmente estaremos equivocados, pois sempre somos surpreendidos por uma nova “pérola”, geralmente de mal gosto.
*Walber Gonçalves de Souza
Professor e escritor.
O conteúdo deste artigo, incluindo dados e opiniões, é de inteira responsabilidade de seus autores e não reflete, necessariamente, a opinião do Capital News.


![Origem | Dengue | PI 3342 [728]](https://cdn.capitalnews.com.br/storage/webdisco/2026/09/17/outros/7b3ed3ba448e396e72600c7212d06ab6-capitalnews-com-br.gif)
![Origem | Dengue | PI 3342 [300]](https://cdn.capitalnews.com.br/storage/webdisco/2026/09/17/outros/369f49c0cfaf848f645163db4bfafab5-capitalnews-com-br.gif)