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Esquecido na América do Sul, Suriname busca atrair turistas do Caribe

Por Raphael Granucci

Da coluna Viagens
Artigo de responsabilidade do autor

Pequeno país foi colônia holandesa até 1975 e é famoso por revelar grandes jogadores da seleção europeia

Istock Photos

ColunaViagens

O Suriname, país de 550 mil habitantes na ponta Nordeste da América do Sul, talvez esteja fora do radar de muitos viajantes, mas é um destinos que mais crescem na comunidade caribenha, segundo dados da Caribbean Tourism Organization (CARICOM). Segundo dados da entidade, foram registradas 278.035 mil desembarques nas cidades surinamenhas em 2017.

O número representa um crescimento de 8,2% em relação ao ano anterior, uma das maiores taxas de todos os países-membros da CARICOM.

Embora ainda seja um destino incomum, o Suriname cavou um nicho turístico nos últimos anos ao se vender como um país com muitas ofertas de ecoturismo, com comida típica variada e diferente e com uma capital que está se tornando um centro urbano -- Paramaribo. Recentemente, o famoso grupo hoteleiro Krasnapolsky instalou na cidade sua primeira filial surinamenha.

No ano passado, uma das maiores companhias aéreas da região, a Fly All Ways, inaugurou voos ligando Curaçao a Paramaribo. A empresa já opera aeronaves entre ilhas famosas como Barbados e St. Maarten, além de conectar o Haiti a outros países da região. A ideia é que sejam oferecidas passagens aéreas baratas entre os membros da CARICOM.

"Muita gente visita o Suriname por causa do futebol", conta o jornalista e publicitário André Rodrigues, que visitou o país vizinho no ano passado. Apesar da seleção nacional jamais ter disputado uma Copa ou mesmo se qualificado para disputar as Olimpíadas, saíram do pequeno território sul-americano nomes como Frank Rijkaard, Ruud Gullit, Patrick Kluivert e Clarence Seedorf -- estrelas do futebol mundial que brilharam na Europa e com a camisa da Holanda.

Breve história
O Suriname foi uma colônia inglesa até 1667, ano em que a Inglaterra, mergulhada em uma guerra civil, observou seus territórios na América colapsarem. Até 1663, a maioria da força de trabalho era britânicas, preenchida ainda com alguns ameríndios conhecidos como "beavers" (“castores”). Naquele ano, porém, a escravidão foi permitida pela monarquia.

À época, as terras além-mar ainda eram governadas por Francis Willoughby, Barão de Parham. Existem poucas recordações e, o que permanece da estrutura construída pela empreitada britânica, foi engolida pelo mato.

Rico, o barão voltou para sua terra natal em 1664, período em que a colônia era próspera: plantações surgiram ao longo do rio Suriname e uma cidade pequena foi erguida, Torarica. No final daqueles anos, a população tinha aumentado e, por incrível que pareça, uma democracia estável se estabilizou ali. Naquele mesmo ano, a região chamada de Willoughbyland -- por causa do colonizador -- foi considerada a mais próspera do império.

Willoughbyland produzia açúcar, tabaco, algodão e "drogas psíquicas", além de frutas. "Nos anos 1660, a colônia era uma variante do paraíso", escreve o jornalista John Gimlette, do jornal britânico Spectador. Com a chegada de escravos africanos, a situação mudou: "Willoughbyland se transformou em um lugar de crueldade, decadência e medo", diz ele.

Em 1667, porém, a colônia era rica na mesma proporção que "sinistra". Naquele mesmo ano, o barão de Parham foi afogado por uma expedição militar e forças holandesas invadiram Willoughbyland. A família dele ficou furiosa ao descobrir que tinha perdido suas terras além-mar, mandando seu irmão para tentar retomá-las. Era tarde: por causa de um tratado entre Estados, a Inglaterra concordou em dar Willoughbyland em troca de uma pequena vila holandesa na América do Norte conhecida hoje como Nova York.

O Suriname se tornou parte do império holandês e foi usado como lugar de cultivo e de suprimento de bens ao centro europeu. Escravos africanos seguiram sendo levados para a região e usados ao lado dos índios. A servidão seria abolida apenas no século 19, quando os recém-libertos migraram ou para os Estados Unidos ou para a própria Holanda. A independência do país, no entanto, só aconteceria em 1975.

Hoje, ainda cerca de 90% do território do Suriname é coberto de selva, o que permite que o país seja um destino constante de biólogos em busca de novas espécies de animais, principalmente répteis. O presidente atual, Desi Bouterse, é conhecido mundialmente por negociar cocaína e, durante seu mandato, foi ameaçado de morte várias vezes. Fora tudo isso, na capital se fala até 20 línguas, existem cerca de 15 partidos comunistas e não é incomum que as pessoas se alimentem com carne de cachorro.

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