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Bilionário promete pagar dívida de formandos em universidade nos EUA

Por Débora Ramos

Da coluna Educação e Carreira
Artigo de responsabilidade do autor

Robert F. Smith vai arcar com o equivalente a R$ 164 milhões

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Os 400 formandos da universidade de Morehouse, no estado da Geórgia (EUA), tiveram uma grata surpresa no último dia 19 de maio. Os estudantes ganharam um presente diferente do tradicional anel de formatura: o pagamento da dívida estudantil contraída durante os anos de graduação. O anúncio foi feito pelo bilionário Robert F. Smith, dono de uma fortuna avaliada em US$ 5 bilhões (cerca de R$ 20,5 bilhões), de acordo com a Forbes, em cerimônia de formatura promovida pela universidade.

Smith vai arcar com um montante de US$ 40 milhões (cerca de R$ 164 milhões). Depois do anúncio, o empresário foi ovacionado pelos presentes. O filantropo já havia anunciado uma doação de US$1,5 milhão (R$ 6,15 milhões) no início do ano para a mesma instituição. Mas, agora, trata-se da maior doação recebida pela Morehouse, de acordo com o "Atlanta Journal-Constitution". Entre os ex-alunos da universidade estão o líder dos direitos civis Martin Luther King Jr., o cineasta Spike Lee e o ator Samuel L. Jackson.

Smith nasceu em um bairro predominantemente negro de classe média nos EUA. Em 2000, fundou a Vista Equity Partners, uma empresa de compra e venda de softwares. Em 2015, se tornou o afro-americano mais rico dos Estados Unidos. Os pais também possuíam um nível escolar acima da média -- tanto o pai como a mãe eram doutores em educação. O empresário herdou esse apreço pela educação e cultura e hoje adota métodos pouco convencionais para a contratação dos funcionários.

Em vez de se basear em diplomas das oito universidades mais renomadas do país, a empresa de Smith leva em conta aspectos como o interesse do candidato pela arte e por humanidades. Para analisar a qualidade de um competidor a uma vaga de emprego, aplica-se um teste de personalidade desenvolvido pela IBM para analisar não só habilidades técnicas como também aptidões sociais.

Hoje, o bilionário mora em Austin, Texas. Lá, desenvolveu projetos de educação musical, dada a sua paixão pela música, e fundou programas de empreendedorismo na cidade onde mora e em Chicago, onde fica a sede da Vista Equity Partners. Além das doações para a Morehouse, Smith também já havia dado um aporte financeiro de US$ 50 milhões (cerca de R$ 205 milhões) à Universidade de Cornell, onde se formou.

De acordo com o jornal The New York Times, o empresário tem um lado vaidoso e excêntrico. Smith gosta de usar ternos de três peças e a grande paixão pela música o fez contratar John Legend para o seu casamento, na Costa Amalfitana, na Itália. Também é dono de um dos mais antigos pianos de Elton John e deu aos filhos nomes de cantores: Hendrix (em homenagem a Jimi Hendrix) e Legend (em homenagem a John Legend).

Universitários americanos se afundam em dívidas

Nos Estados Unidos, a educação superior é majoritariamente privada. Muitos estudantes não conseguem ingressar nas faculdades por falta de dinheiro -- boa parte das graduações custam centenas de milhares de dólares. Os jovens que conseguem geralmente recorrem a financiamentos estudantis, mas não conseguem quitar a dívida posteriormente. Tal situação pode levar o país a uma nova crise financeira.

Os créditos estudantis já são a segunda maior dívida dos americanos, só perdendo para as hipotecas. Atualmente, 44 milhões de cidadãos estão pagando as despesas ao Estado, culminando em um total de US$ 1,5 trilhão em débitos com a administração pública. É uma quantia recorde -- quase 7% das dívidas dos Estados Unidos decorrem dos financiamentos estudantis para o pagamento de universidades particulares.

Um estudo de junho de 2018 do Fed, o banco central americano, constatou que 42% de todos os estudantes precisaram se endividar para concluir os estudos de nível superior. A dívida média gira em torno de US$ 20 mil e US$ 25 mil. Apesar disso, o cenário não é todo negativo. Com mais crédito, há mais estudantes formados. No terceiro trimestre de 2018 eram 20 milhões de estudantes matriculados, quase  5 milhões a mais do que no mesmo período de 2000.

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